Era uma vez...
— Você não pode começar com era uma vez — disse Scarletty debochando da minha voz —, não é um conto de fadas.
— Tem fadas! Você é uma fada!
— Me deixe escrever.
Scarletty pegou os papéis da minha mão, introduzindo a história de nossa terra.
Antes que fosse possível contar a quantidade de horas em uma dia, um pedaço de terra foi dividido por uma fenda. Ao seu redor, o oceano tentava preencher aquele vazio formado pela divisão, mas nem mesmo a magia compreendia sua origem. Com os séculos, cidadões de povos originais que nunca se compreendiam colonizaram aquela terra: o povo mágico povoou o lado leste enquanto humanos povoavam o lado oeste, o perfeito equilíbrio, construindo as suas realezas e regras.
A terra ainda era incompreendida, até que a necessidade e acordos comerciais contruíram uma conexão entre as terras por meio da grande, ampla e antiga ponte mágica Transitus, construída tanto por humanos quanto por fadas. Todos podiam atravessá-la, mas apenas os descendentes da realeza mágica, que nasceram no reino, possuíam poder ao atravessá-la, caso contrário, a magia misteriosa da fenda não permitia que a magia dos seres se revelasse.
Com o tempo e estudos, descobriram que o equilíbrio, ou, como chamávamos, a Harmonia, era a essência daquela terra, caso contrário poderia vir uma onda de catástrofes, como os perigosos tremores da terra registrados em épocas de guerra no passado daquela região. Assim, os reis e rainhas de ambos os lados se uniram e criaram um reino para manterem a Harmonia: O Reino de Ellarion.
— Quer que eu escreva agora? — Max perguntou com calma.
— Pode ser — disse entregando as primeiras folhas do livro para ele.
A linhagem real de ambos os lados permaneceu intacta por milhares de anos até o dia em que ocorreu a Tragédia Real, como assim chamado pelas fadas. Após a morte do atual rei/rainha o(a) primogênito(a) deve assumir o trono, por isso, após a morte da antiga Rainha Mágica, sua filha mais velha, Ágata Luna Cristal, assumiu o trono. Sua beleza e gentileza trazia alegria para todo o povo e durante seus dois anos de reinado, tudo estava em equilíbrio, principalmente em sua vida. Mesmo com o peso da coroa, ela conseguiu amar, se casar e engravidar.
No dia do nascimento do bebê, ocorreu a Tragédia. A Rainha Cristal morreu durante o parto e o bebê não possuía vida. Como a história conta, seu marido, o Rei, morreu no mesmo dia por tamanha angústia que sentia. Assim, com a coroa repleta de dor, a irmã de Cristal, Catarina Luna Obsidiana, assumiu o Trono Mágico.
— E alguns anos depois... — Scarletty disse.
— Eu preciso escrever o próximo capítulo e trabalhar depois.
— Eu sei, mas espere mais um pouco, pedacinho de carne — ela me fez flutuar da cadeira com magia de vento e me deixou de cabeça para baixo. — Agora é minha vez de escrever — quando finalmente conseguiu o que queria me libertou.
Enquanto a nova Rainha conquistava seu trono e as pessoas à sua volta, duas crianças opostas cresceram em lados opostos do reino: uma fada de uma casa simples na parte oeste do lado da magia e um menino, sobrinho do rei, no castelo do lado humano, cercado por florestas ao oeste e o povo humano pelo norte, leste e sul.
A fada se chamava Scarletty Rubi filha de Elmo Hematita. Antes de conhecer a fada pela qual ele se apaixonou, trabalhou durante muito tempo para a Guarda Real, mas, após perder metade da perna esquerda, decidiu viver distante de outras fadas, no oeste, apenas com sua filha Scarletty, com uma esposa que partiu desta vida. Com a necessidade financeira, iniciou seu trabalho como garimpeiro, uma função muito importante e exercida por muitas fadas do reino, mas não muito valorizada.
O menino se chamava Max Angellus, filho de Malkiur Angellus, com um cavanhaque acentuando seu queixo, sua marca, era irmão do atual rei dos humanos, Hadrian Angellus. Por ser o mais velho, Hadrian já havia assumido o trono cinco anos antes de seu sobrinho nascer. A mãe de Max, assim como ocorreu com a Rainha Cristal, havia morrido no parto, uma pequena piada drástica da harmonia ao deixar partir uma rainha e uma princesa, mantendo o equilíbrio das linhagens.
O pequeno Max vivia no Castelo, consequentemente aprendeu tudo que um príncipe e talvez futuro Rei, já que seu tio não possuía descendentes, devesse saber. Ele era considerado príncipe por muitos e odiava quando alguém não o aceitava como tal.
— Você usou pequeno Max, mas não usou pequena Scarletty? — Max questionou intrigado — E eu não era tão teimoso quanto a títulos.
— Você ficava nervoso sempre! E naquela época você era bem baixinho — disse rindo.
— Que bom que você disse naquela época — provocou escondendo o riso com as mãos, que logo cessou quando lancei um olhar furioso.
Depois de um silêncio para que pensasse no que escrever, Max abriu a boca e soltou:
— Posso começar o segundo capítulo? Acho que não há mais nada para informar.
— Tem certeza?
— Bom, a não ser que queira falar sobre como eu cresci e me tornei...
— Convencido demais. E não fale sobre isso no seu capítulo! Há muitas tragédias para contarmos.
— Vou deixar esse prazer para você. Agora, eu vou começar o verdadeiro conto de fadas.
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Espadas e Magia
FantasyEm Espadas e Magia, nós, Scarletty e Max, escrevemos como revelamos o passado e mudamos o Reino de Ellarion. A Harmonia é a base da existência dos seres humanos e mágicos de Ellarion. Depois que a Tragédia Real ocorre com a Rainha Cristal durant...
