Nossos sapatos e camisas estavam na areia enquanto nossos esforços se concentravam em nadar, nadar e nadar. O sangue que estava secando em meu corpo se dissolvia na água gelada de um mar agitado, sem enxergar a areia abaixo de mim. Eu me negava a sentir o cansaço do meu corpo e a dor que a ferida causava cada vez que esticava meu braço, me concentrava em nadar e evitar pensar nas minhas preocupações com Scarletty. Minha espada não me ajudava a nadar, mas precisava segurá-la para me defender.
— Max! Sky pediu para chamarmos alguém, você lembra? — Anthone gritava, mais pela força que fazia para nadar do que pela distância entre nós.
— Amélia? — sugeri.
— Mélia! — ele olhou para trás e percebeu algo que o deixou mais agitado — Max! Nade rápido!
Ao olhar para trás notei dois homens fadas vindo em nossa direção, estendendo suas asas ainda na areia, e prontos para nos arrancarem do mar. Com mil pensamentos voltados pra Scaretty, fiz o oposto do que Anthone ordenou, parei e observei se ela estava bem. Tão rápido quanto as ondas, Scarletty voou e praticamente enterrou um dos homens próximos dela na areia, que revidou com fogo.
— Mélia! Mélia! — Anthone gritava — Max, continue! — eu fingia não escutar, então ele colocou as mãos no meu rosto e puxou minha cabeça para perto — Você pode ser o príncipe, mas agora você obedece às minhas ordens, se você ficar parado, a luta da Sky vai ser por nada, então continue a nadar!
Olhei fixamente para seus olhos com raiva, então, olhei para o lado com a intenção de ver onde Scarletty estava, entretanto, me deparei com um dos fadas descendo para nos pegar.
— ABAIXA! — gritei assustado e em seguida prendi a respiração. Por sorte, Anthone fez o mesmo e não nos pegaram.
Com os olhos abertos embaixo da água, observamos por poucos segundos até o momento que Anthone sinalizou para subirmos. Assim que saímos, escutei um grito agudo, de Scarletty provavelmente, fechei os olhos, me virei para a linha do horizonte e retornei a abri-los, tinha que nadar, seguir em frente sem rumo. Os fadas voavam alto e Anthone permanecia gritando pelo nome de Mélia enquanto enfrentávamos ondas um pouco mais altas, comecei a duvidar de sua existência.
— NÃO! — gritei sendo suspenso do mar por um dos fadas, que ria enquanto eu me debatia sem parar e tentava usar minha espada.
— MAX! MÉLIA! MÉLIA! — Anthone gritava olhando para cima estendendo os braços e se defendendo com sua espada contra outro fada que tentava segurá-lo. Senti que os gritos para Mélia foram para Scarletty.
Ele prendia meus braços como uma corda firme, não adiantava lutar contra, mas, em um pequeno vacilo, ele me jogou para o alto a fim de brincar comigo ou tentar retirar minha espada. Sabia que se o atingisse cairia metros de altura, mas o ataquei. Ainda que ele tenha conseguido desviar, cortei um pedaço de sua asa, bem no canto, deixando-o desequilibrado e forçando o outro a ajudá-lo.
Caí por poucos metros gritando alto, tentei me colocar em uma posição que ao menos me ajudasse a cair na água sem doer tanto, por mais improvável que isso fosse acontecer. Pensamentos rápidos em minha mente lembraram-me de minha mãe e meu pai, porém logo sumiram quando, magicamente, uma espécie de galho me segurou. Gritei de dor ao me pegar, sentindo uma forte dor na barriga, mas manti firme a espada em minha mão. Olhei para os lados e notei que eles vinham do fundo do mar, logo imaginei que era Scarletty, então olhei para o outro lado a fim de vê-la. Ela lutava lançando golpes e magia em três fadas que a cercavam em cima do oceano. Ela parecia cansada, eles começaram a acertá-la com suas armas. Assim como me salvou, outros galhos esverdeados saíram do mar para ajudá-la, enquanto os que me envolviam, devolviam-me ao mar.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Espadas e Magia
FantasiaEm Espadas e Magia, nós, Scarletty e Max, escrevemos como revelamos o passado e mudamos o Reino de Ellarion. A Harmonia é a base da existência dos seres humanos e mágicos de Ellarion. Depois que a Tragédia Real ocorre com a Rainha Cristal durant...
