Parte II

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        Vanil estava decidida, não iria permitir que sua visão se realizasse, mas não sabia que Dukem também tinha uma visão do futuro muito semelhante a dela, a diferença era que na sua Vanil estaria ao seu lado os apoiando.

        Ludu era seu herdeiro e como chefe da Nação Barbat ele precisava garantir que seu sucessor estivesse à altura de manter seu legado, por isso já havia traçado todo o plano para o futuro de Ludu.

        “Um espírito forte precisa ser quebrado por uma mão forte para tomar sua verdadeira forma.”

        Era o que seu pai sempre o dizia, por causa disso Dukem se tornou ainda mais forte do que o esperado e era exatamente o que desejava para seu filho.

        A noite ventava muito o que fazia as chamas da fogueira no centro da sala soltar pequenas fagulhas que desapareciam no ar. Dukem analisava alguns de seus mapas quando ouviu passos vindo em sua direção, cogitou por um instante que poderia ser Vanil, mas sabia que sua esposa era orgulhosa demais para ir até ele depois do que havia acontecido logo cedo, então descartou a possibilidade. Imaginou que quando ela chegasse iria direto para o quarto do menino dormir com ele.

        — Ocupado, irmão? — A presença de Eduim ali não foi uma surpresa, aquilo queria dizer que ele havia acompanhado Vanil.

        A amizade de Eduim e Vanil para Dukem não era algo novo, os dois se deram muito bem no instante em que Dukem a trouxe para a Nação Barbat e mesmo notando o interesse do irmão pela mulher sabia que ele nunca a teria. Vanil era dele assim como ele era dela e só a morte mudaria isso.

        — Vanil? — Perguntou Dukem enquanto continuou estudando um dos mapas que levou até a mesa.

        — Está com o menino. — A postura de Eduim era rígida, o que contradizia sua expressão relaxada.

        — E você? — Ele lançou um olhar curioso para o irmão que não se deixou afetar. — O que faz aqui?

        — Vim trazer notícias dos Cinco Reinos. — Dukem então sinalizou para que Eduim tomasse seu lugar à mesa.

        Eduim espalhou diversos papéis na língua que era completamente estranha para Dukem e passou a ler o conteúdo de cada um deles. Não era novidade para ninguém que Eduim era o irmão versado, seus estudos iam muito além de Barbat Central e Kalon e após a chegada de Vanil seu interesse pelos Cinco Reinos, que já era grande, ficou ainda maior. Ela o ensinou mais sobre as terras onde nasceu e lhe ensinou Nirverinn, a língua de lá, o que foi de extrema utilidade para o rapaz e para muitas missões realizadas, assim quando Dukem assumiu como o chefe da Nação Barbat, Eduim foi atribuído como seu conselheiro. Seu irmão era muito capaz e Dukem sabia disso, mas o que ele não sabia era o quanto ele era leal e a cada dia ao lado de sua esposa essa se tornou uma dúvida recorrente.

        Após passar todas as novidades de seus espiões para Dukem, Eduim se esticou e agarrou uma garrafa e dois copos em uma bandeja na mesa. Se serviu e ofereceu para Dukem que aceitou e que logo foi surpreendido por um brinde sem aviso.

        — A sua bela e forte esposa, meu irmão. — Eduim bebeu muito lentamente o analisando.

        — As mulheres fortes. — Dukem por sua vez bebeu em apenas um gole todo o seu drink e bateu o copo com força na mesa.

        Ele sabia todo o significado que as palavras de seu irmão traziam. Ficou imaginando Vanil naquele momento deitada junto ao seu filho dormindo tranquilamente. A mulher mais linda que já vira em sua vida e a mais corajosa também, as coisas que Vanil já havia feito e os obstáculos que cruzou para ter o que queria não eram reconhecidos por todos, mas ele a admirava. A única pessoa ali que teria a coragem e a audácia de desafiá-lo era ela, não importava seu poder ou posição, desde que a conheceu ela cuidou dele porque o amava e fazia pouco de seu status que o fazia ser tão orgulhoso. Uma palavra que não se encaixava com sua esposa era submissa, política sim, mas submissa nunca e infelizmente Dukem estava encarando os problemas que isso o trazia.

        Depois de muito tempo conversando, Eduim se foi e Dukem resolveu sair caminhando pelas ruas da Nação até que o sol aparecesse, voltou para casa e foi até o quarto de seu filho e apenas o menino estava lá, então andou até o grande salão onde já colocavam a comida na mesa. Pediu para uma das mulheres acordar seu filho e perguntou por Vanil que já havia saído. Quando Ludu se sentou à mesa, uma das mulheres foi ajudá-lo a por seu prato.

        — Deixe-o fazer. — A mulher se afastou e saiu do lugar. Ludu, que pareceu não se importar com a interrupção de seu pai, ficou de pé na cadeira para apanhar tudo aquilo que não estava ao seu alcance. — Você precisa que ela volte? — A criança, que era um retrato em menores dimensões do chefe, olhou inexpressivo para ele que lhe lançava um olhar divertido e desafiador. Por fim o menino voltou sua atenção para o que fazia e depois se sentou. — E então?

        — Não vê que já consegui, meu pai? — Disse o pequenino. Um sorriso quase imperceptível surgiu nos lábios de Dukem antes que continuasse.

        — Temos que ir à arena assim que terminarmos. — Em nenhum momento o menino desviou sua atenção de sua comida enquanto falava com o pai. — Novos guerreiros estão sendo preparados e quero que você faça uma demonstração.

        — Com quem irei treinar hoje?

        — Veremos quando chegarmos lá. Apresse-se. — Dukem já havia terminado e apenas observava Ludu.

        — Iremos quando terminarmos, os outros não podem esperar? — Ele deteve o movimento repetitivo que fazia com uma pequena faca em seus dedos e olhou para o menino.

        Ele podia enxergar a si mesmo quando jovem em seu filho, a pompa, a soberba, o narcisismo, o orgulho e a ciência de sua superioridade eram óbvios, mas ainda sim Ludu era muito mais inteligente que ele naquela época e os méritos disso o próprio Dukem atribuía com orgulho a sua esposa. Dukem sabia que melhor do que ele seu filho saberia como tirar proveito dessa personalidade.

        — É claro. — Disse finalmente.

 — Disse finalmente

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Continua...

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