E de repente todo encanto acaba e você nota que o paraíso não é nada mais que uma ilusão. Essa passou a ser a realidade fria e dolorosa de Vanil.
Restava a ela duas opções: abaixar a cabeça e torcer por tempos melhores ou lutar.
Ela escolheu...
Enquanto Vanil procurava por aparatos que ajudariam no parto, Ludu ficou encarregado de cuidar de sua tia que estava deitada em uma mesa de madeira. Ele pegou seu livro dentro de sua sacola e estendeu para ela.
— Aqui está seu livro. — Vaessa não entendeu de início e o tomou em suas mãos. — Eu vi seu nome nele, minha mãe disse que era seu.
— Era sim, nossa mãe me deu de presente e eu dei a sua mãe quando ela se foi. — Ela olhou para ele e sorriu com uma feição cansada enquanto tentava disfarçar a dor. — Ela deu a você? — Ele assentiu. — Então eu vou aceitá-lo, será seu presente para o bebê, o que acha? — Ludu respondeu com um sorriso, então sua mãe e sua avó chegaram para preparar tudo. — Guarde até que o bebê venha. — Então ele se afastou abrindo espaço.
Não demorou para que nascesse e em pouco tempo estava Vanil esperando que sua mãe lhe trouxesse um pano para embalar o pequeno bebê. Era uma linda menina com minúsculos fios ruivos grudados em sua cabeça, mal se podia ouvir a criança o que deixou Vaessa apreensiva, mas Vanil a tranquilizou quando a entregou a irmã que chorou beijando sua pequena cabecinha. Ludu que escrevia algo se aproximou para entregar o livro.
— Veja querida, seu primeiro presente.
— Não sei qual o nome colocar. — Logo abaixo de duas dedicatórias já antigas com os nomes de sua mãe e sua tia Ludu escreveu a sua própria que terminava com a incógnita de um nome.
— Pensei em chamá-la de Luma. O que acha? — Ludu assentiu sorrindo novamente.
— Precisamos sair daqui. — Disse Eva que foi até a porta para ver como estavam as coisas do lado de fora.
— Ludu, pegue suas coisas. — Ele foi sem demora, levando o livro para terminar de escrever. — Vaessa, tente se levantar aos pouc... — Antes que pudesse terminar a frase, Vanil ouviu o grito de sua mãe seguido de um estrondo.
A porta havia sido derrubada pelo pequeno grupo de selvagens que entraram ali assustando a todos. Ludu que estava afastado se escondeu em um canto quando sua mãe fez sinal para que ele não saísse, enquanto ela e Eva tomaram a frente tentando manter a distância entre sua irmã e os homens, Vanil não vacilou nem titubeou até que Dukem surgiu na porta. Sentiu como se seu coração martelasse em seu peito, era doloroso tanto para ela quanto para ele.
Os olhos de Dukem reluziam ao vê-la ali, ele estava com tanta raiva que emanava por todo o espaço, não conseguia se conter, com passos rápidos e pesados foi até Vanil e a puxou para si. Ter sua esposa em seus braços se contorcendo o irritou ainda mais, ele estava profundamente magoado com ela que parecia não entender o que havia causado, a sacudiu intensamente enquanto gritava a acusando de tê-lo traído. Eva tentou se meter na discussão entre os dois pedindo para que ele a deixasse, mas de nada adiantou.
Profundamente atordoada pela ira e por outros sentimentos que mal podia identificar, Vanil respondeu Dukem esbravejando suas próprias queixas sem demonstrar medo algum. Ambos estavam cansados.
— VOCÊS VOLTARÃO COMIGO PARA CASA.. — Falou cortando a fala de quem quer que se metesse.
— AQUELE LUGAR NÃO É MAIS NOSSA CASA.. — Dukem olhou por cima dos ombros dela e viu Ludu que se esticou para ver melhor o que estava acontecendo. Vanil acompanhou seus olhos e o empurrou gritando. — FIQUE LONGE DELE. — Ela tentou correr para perto de seu filho, mas Dukem a agarrou e a puxou novamente, o que fez Ludu sair de onde estava para enfrentar seu pai como já havia feito, mas se deteve pois Vanil o ordenou que não se aproximasse.
Dukem não queria mais prolongar aquela situação infernal, ouvia os gritos de Eva, Vaessa e até mesmo do bebê que não parou de chorar desde que ele havia entrado, tudo aquilo já havia ido longe demais, então ele sinalizou para seus homens virem buscar seu filho e sua esposa para que fossem embora, enquanto eles se aproximavam Vaessa começou a gritar pedindo a ajuda de sua irmã dizendo que algo estava errado. A recém nascida estava chorando sem parar, seu rosto estava vermelho e seus gritos eram tão altos que estavam deixando sua mãe assustada.
Vanil tentou se soltar do aperto de seu marido, mas parou imediatamente quando viu a cena mais aterrorizante inexplicável que já presenciou em toda sua vida.
Os gritos do bebê ficaram cada vez mais altos como se estivesse sentindo dor, Vaessa por sua vez seguiu gritando da mesma forma deixando todos confusos, até que sem qualquer explicação uma fumaça começou a se espalhar, e então o corpo de Vaessa entrou em combustão instantânea. Eva, horrorizada, não teve tempo de reagir e foi atingida pelas chamas que se espalharam a princípio como uma onda atingindo todos que estivessem ao seu alcance.
Tudo aconteceu em milésimos de segundos, mas aos olhos de Vanil se passou uma eternidade, ver sua mãe e sua irmã em chamas gritando por suas vidas lhe deixou estática, por um instante ela simplesmente não sentiu nada e sentiu tudo ao mesmo tempo, era um novo nível de desespero. Em um estalo, ela despertou da cena quando viu que o fogo se aproximava, não pensou duas vezes e se atirou na direção de Ludu tentando proteger o menino que estava parado apertando seu livro contra o peito esperando pelo o que aconteceria, mas ela não foi a única.
Dukem correu na mesma direção que ela e envolveu sua esposa e seu filho enquanto escutava os gritos de seus homens que estavam sendo atingidos por rajadas de fogo. Ele apertou ainda mais forte sua família em seus braços, não podia perdê-los novamente. Não demorou para que seus gritos de dor se juntassem aos de seus homens e ao de Eva que rolavam no chão tentando de alguma forma apagar o fogo, mas já era tarde, também podia ouvir os gritos de Vanil e Ludu bem abaixo dele até que só restou silêncio.
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Continua...
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