Parte VI

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Ela questionou como eles haviam chegado até ali já que os túneis estavam fechados, mas aquilo não era importante. Precisava sair dali com seu filho, não podia deixar ser capturada. Estava prestes a correr em qualquer direção quando pensou em sua família, a casa de seus pais seria onde Dukem a procuraria e caso não a encontrasse quem estivesse lá pagaria por isso, mas se ela chegasse rápido poderiam todos escapar a tempo e mesmo sem saber com certeza se eles ainda estariam ali ela prosseguiu.
À medida que corria ouvia os gritos das pessoas dizendo que os "selvagens" haviam invadido, em todos os Cinco Reinos era assim que os cidadãos da Nação Barbat eram chamados, mas depois de tanto tempo para ela era estranho ouvir alguém dizer isso.

Sua antiga casa não ficava muito longe da feira, era próximo ao campo de cultivo norte pelos quais seus pais eram responsáveis na época quando morava ali. Ela chegou rapidamente desacelerando à medida que ia na direção da soleira da porta, seu corpo pareceu mais pesado por causa da culpa que sentia por tudo o que havia feito. Respirou fundo tentando se acalmar e ao entrar sabia que estava em casa.

Soltou Ludu o deixando ao lado da porta e caminho pelo lugar, reconheceu desde a decoração aos cheiros. Sobre a lareira estava uma grande pintura da família na época em que ela era criança, mãe, pai e filhas, toda a família parecia feliz. Ela sorriu com a lembrança do dia em que posaram para o quadro, mas não durou, seu sorriso desapareceu quando viu que bem ao lado havia uma pintura de seu pai com tons de vermelho e marrom e escrito na pintura estava um pequeno texto de tributo o que queria dizer que ele já havia falecido. Seus olhos marejaram pela saudade que nunca poderia matar de seu pai tão querido e amoroso, ela nunca poderia lhe pedir perdão, nunca poderia dizer que havia voltado para casa.

Ela apoiou as mãos perto da imagem tentando recuperar o fôlego e se recompor. Secou as lágrimas rapidamente quando ouviu passos apressados vindo das escadas, endireitou as costas e se virou já recuperada para encarar sua mãe que ficou pasma ao vê-la.

Eva estava exatamente como sua filha lembrava, apenas seus cabelos que já exibiam fios brancos por toda parte. Ambas pareciam ter entrado em uma espécie de transe enquanto se olhavam sem saber o que fazer. Vanil tomou a iniciativa tentando balbuciar um comprimento simples, mas foi interrompida pelo abraço repentino de sua mãe que chorava como uma criança. Eva tremia de euforia, suas mãos passeavam pelo rosto de Vanill e depois a puxavam novamente para outro abraço.

Ouvindo os barulhos vindo do andar de baixo mais uma integrante da família desceu às pressas para ver do que se tratava. Vaessa, irmã mais velha de Vanil surgiu com uma linda e redonda barriga. Assim como sua mãe, ela não pode reagir de imediato, mas não demorou para que se juntasse ao abraço chorando pela volta da irmã. Ali no canto, olhando tudo em silêncio estava Ludu, admirado com a semelhança entre as três mulheres. Vanil o chamou para que conhecesse sua avó e tia, o que fez Eva cair aos prantos novamente enquanto abraçava o menino. É justo dizer que eles estavam tão envolvidos no reencontro que não ouviram de início os gritos e sons que vinham do lado de fora que finalmente as despertaram para a situação.

Vanil exasperada explicou o que estava acontecendo e que precisavam sair o mais depressa possível dali.
Sem demora elas deixaram a casa pelos fundos, Eva as guiava pela estrada na direção dos portões para o centro de Mardan onde os selvagens não poderiam segui-las. Enquanto corriam, Vaessa começou a ficar para trás, Vanil então voltou para ajudar sua irmã enquanto Eva seguia com Ludu na frente.

— Vanil, pare, eu não vou conseguir, estou com muita dor. — Vaessa mal podia se sustentar de pé, suas roupas molhadas fizeram Vanil entender que sua irmã estava dando a luz.

— Mãe, precisamos parar.

Pensando rápido, Eva as levou até o lugar mais próximo onde poderiam se esconder. Era um celeiro pequeno, mas seria o bastante para que o bebê pudesse nascer. Enquanto corria para dentro Vanil pode ver ao fundo um relance das pessoas correndo ali perto, também viu Aliança mergulhar no caos e temeu pela vida de todos ali.

Em meio àquele tumulto estava Dukem que seguia para a antiga casa da família que há muito tempo havia lhe estendido a mão e salvo sua vida. Ele precisava ser rápido porque sabia que não tardaría até as tropas de Mardan serem enviadas até a aldeia, deixou para trás uma parte de seus homens destruindo tudo o que viam na intenção deles retardarem os soldados que viriam garantindo uma vantagem.

O Estopim

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O Estopim

(Degustação)

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