e no final da noite
eu reconheço que
sou apenas vazia
que cada passo
esfria, nem morno
nem quente, o eco
se cria
e dentro de cada canto
de cada pedaço de mim
há solidão e tristeza
fria, oca, vazia
tento colorir cada parte
de mim
correr pelos campos
e sentir os ventos de felicidade
tentar ao menos falar
o que eu sinto
mas eu não tenho mais
forças pra dizer
que eu não sou nada
enquanto eu choro
sem querer, mais uma vez
aqui dentro o balanço grita
há tanto dentro de mim
mas eu não consigo colocar
os pés nos chão
e deixar o balanço explodir
sigo na incerteza de não saber
o que eu quero e o que eu sou
o que eu tenho o que eu penso
quando eu quero e quando
eu dispenso
não quero mais tentar entender
o porquê de agora
eu estar aqui
tentando não me destruir
em mais pedaços
e tentar me encontrar
nessa bagunça que eu mesma deixei
antes de sair
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por onde andei?
Puisidor, melancolia e combustão em poemas. todos de minha autoria.
