Harry decidiu conversar com a esposa sobre as memórias de Tom Riddle, ele não citou o nome do bruxo. Apenas contou a história de um pobre garoto órfão que se apaixonou e perdeu a única família que ele tinha. Gina concordou que era uma situação difícil, mas nada justifica que o garoto saísse matando pessoas. Ele iria se odiar depois, mas naquele momento pensou que ela provavelmente não entendia o que é estar sozinho.
O bruxo foi para o escritório mais cedo tentar adiantar tudo o que deixou para trás no dia anterior, mas ao invés disso ele pegou outro frasco e despejou na penseira. Desta vez Tom estava na biblioteca estudando quando Avery chegou correndo por trás dele.
"Tom... Lizie..." O menino tentou dizer enquanto se apoiava nos joelhos e tentava respirar.
Tom colocou a pena de volta no tinteiro e se virou par ao amigo.
"O que tem ela?" Ele perguntou seco, aparentemente não gostava de falar com outras pessoas sobre o relacionamento dos dois.
"Ouvi umas garotas do segundo ano dizendo que ela desmaiou na aula de feitiços e foi levada para a enfermaria." O menino conseguiu dizer depois de respirar fundo várias vezes.
"Eu vim te dizer assim que..." Tom não esperou para ouvir o que o menino ia dizer.
"Leve o meu material." Foi a única ordem que ele deu antes de sair correndo da biblioteca em direção a Ala Hospitalar.
O garoto parou na porta e bateu, esperando que a enfermeira viesse abrir. Não passou pela cabeça dele até aquele momento que Avery poderia estar enganado.
"Bom dia, em que posso ajuda-lo senhor Riddle?" A moça perguntou, olhando-o de cima a baixo.
Seria extremamente embaraçoso se ele estivesse enganado, porém preferia que fosse esse o caso.
"Bom dia, disseram-me que Elizabeth Harris foi trazida para cá." Tom respondeu ainda um pouco ofegante.
"Ela ainda não acordou, vocês são amigos?" A enfermeira perguntou curiosa.
Harry viu a cor se esvaindo do rosto do menino.
"Ela é minha namorada, ela está bem?" Por um momento o rapaz sempre composto e no controle da situação desapareceu, deixando apenas o menino de treze anos preocupado.
A enfermeira parece surpresa, assim como Tom, por ter admitido que Lizie é sua namorada para alguém.
"Amanhã ela estará novinha em folha, é só um resfriado. As noites tem estado muito frias ultimamente e vocês jovens não tem o costume de se agasalhar adequadamente." A enfermeira respondeu sorrindo.
"Posso ficar com ela?" Tom perguntou.
"Eu não sei quando ela vai acordar, mas você pode esperar durante o horário de visitas." Ela deu um passo para o lado permitindo que Tom entrasse na enfermaria.
Harry foi atrás dele e viu que as coisas não mudaram muito ao longo do tempo. Lizie estava em uma das primeiras camas, os olhos dela estavam fechados como se estivesse dormindo, o único movimento era o das cobertas que subiam e desciam com a respiração dela. Tom andou até o lado da cama e passou os dedos pelo rosto vermelho da menina. A enfermeira conjurou uma cadeira para ele.
"Pode sentar-se aqui, vou fechar a enfermaria as 21 horas, você é bem-vindo a ficar até lá." A enfermeira avisou, mas depois que se sentou Tom parece ter parado de ouvir porque toda a sua atenção estava direcionada para Lizie.
Em algum momento a moça se retirou deixando os dois sozinhos, os lábios de Tom estavam espremidos em uma linha reta de preocupação e sua testa estava franzida. Harry continuava acompanhando o menino e podia jurar que os olhos dele estavam brilhando, ele se perguntou se Tom estava com medo.
Lizie se mexeu na cama e abriu um pouco os olhos, quando eles pararam em Tom ela abriu-os um pouco mais, parecendo desperta.
"Tom."
"Sim, sou eu, você está na Ala Hospitalar. Lembra-se do que aconteceu?" Ele perguntou, sua voz estava baixa e calma, mas seu rosto ainda demonstrava preocupação.
"Eu me senti mal na aula de feitiços." Lizie respondeu devagar.
"Você não devia ter ido a aula se estava se sentindo mal." Tom repreendeu, mas sem alterar o tom de voz.
"Eu sinto muito, pensei que pudesse aguentar até o fim do dia." Ela respondeu e estendeu a mão por baixo dos cobertores para que ele segurasse.
"Você tem ideia do quanto me assuntou?" Tom perguntou segurando a mão da menina.
"Eu pensei... pensei que ia perder você também." Harry não percebeu que o menino estava chorando até um pequeno soluço escapar de seus lábios, não era um choro exagerado, mas lágrimas escorriam pelo rosto do menino.
"É claro que não Tom, eu estou bem aqui." A menina passou o polegar pelas costas da mão de Tom até que ele se acalmasse e parasse de chorar.
"Desculpe, eu não deveria ficar tão emocional, não sei o que deu em mim. Nem consigo lembrar a última vez que chorei." Tom limpou o rosto na manga das vestes e respirou fundo.
"Não tem problema, só eu vi e sempre vou guardar seus segredos Tom." Lizie respondeu sorrindo.
"Talvez isso signifique que você tem um coração aí dentro." Ela continua.
"Por favor, até parece que isso é possível." Tom responde sorrindo de volta para a menina.
"A enfermeira disse que você estará bem amanhã. Preciso voltar para o Salão Comunal, mas eu venho aqui amanhã antes da aula para ver como você está." Ele se levantou e soltou a mão da menina para que ela pudesse se aconchegar novamente nas cobertas.
"Agora volte a dormir, você precisa descansar." Ele se inclinou para beija-la delicadamente antes de ir embora.
Logo depois que Tom cruzou a entrada da enfermaria Harry foi trazido de volta para a realidade. Ele olhou no relógio e se impressionou com a quantidade de tempo que havia passado dentro da memória.
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As memórias de Riddle
FanfictionTodos temos algo que queremos esquecer, mas Tom Riddle foi mais longe. Ele a apagou completamente de sua memória. Só assim poderia continuar com o seu plano. Só assim poderia se tornar aquele que não deve ser nomeado. Dez anos após a morte definitiv...
