Capítulo 4 - Verdades Atrasadas

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Addison instruiu a garota a almoçar com ela no dia seguinte, em um pequeno restaurante mexicano da cidade. Era conveniente para ambas. Avisou Meredith para chegar cedo — afinal, não suportava atrasos. Ainda assim, a filha da puta ociosa da garota atrasou-se de propósito, apenas para manter a mulher esperando mais do que pretendia.

Quando Meredith finalmente chegou, quase quarenta minutos depois, Addison estava furiosa — espumando pela boca, para ser mais exata. Seu rosto carregava aquela expressão azeda à qual Meredith começava a se acostumar.

Ela a cumprimentou com um sorriso.

Você acha isso engraçado? — perguntou Addison.

Meredith fingiu arrependimento, fazendo um biquinho provocador.

Não... na verdade, foi uma honra ter feito você esperar — respondeu, rindo ao notar as bochechas coradas da mulher.

Olhares afiados pareciam queimar sua pele, mas a garota os ignorou.

Nada nunca foi tão grande, pensou.

Apenas relaxe, meritíssima. Não foi nada demais, eu só me atrasei.

Surpresa com o olhar frio e inexpressivo que recebeu em vez de raiva, Meredith pegou o cardápio e baixou os olhos para ele. Não queria encarar Addison naquele estado — tão escura, tão fechada.

Você já terminou? — perguntou Addison.

Meredith deu de ombros.

O que você acha que eu faço da vida, Srta. Grey? Acha que eu sento e espero adultos delinquentes aparecerem para discutir questões pessoais?

Meredith franziu a testa. O tom estridente e a expressão da mulher soaram condescendentes, então ela revirou os olhos.

Me desculpa por ter feito você esperar, Addison. Eu sinto muito.

A mulher mais velha franziu o cenho ainda mais.

Qual é o seu problema? Estou aqui tentando ajudá-la, e você está agindo como uma criança insolente — sibilou.

Meredith a encarou em silêncio por um longo momento.

Por que você está tão nervosa com isso? Eu disse que sentia muito — murmurou, por fim.

Meredith, você me deixou esperando aqui sabendo que eu tenho um trabalho. Tudo o que você fez foi brincar com isso, em vez de agir como uma adulta madura e se desculpar de forma genuína.

Eu pedi desculpas! Tipo, duas vezes! — exclamou.

Enquanto falava, seus olhos se perderam nas sobrancelhas franzidas da mulher. Eram bem feitas. Bonitas. Addison era bonita — mas sua atitude era enlouquecedora.

Como você pretende me pagar o dinheiro com o qual eu te salvei ontem à noite? — perguntou Addison.

A pergunta assustou Meredith, que se atrapalhou nas palavras.

E-eu não sei... mas eu vou. Eu prometo.

Sério? E como pretende fazer isso sem emprego?

Olha, eu não sei como, mas vou dar um jeito, ok? Isso é o que importa agora.

Entendo. — Addison a observou por um instante. — O que foi que você fez com aquela garota, a Sadie? Roubou algo dela? Pegou dinheiro emprestado? Ou fez outra coisa igualmente estúpida, mas muito parecida com você?

Nenhuma dessas coisas — mentiu Meredith.

Ela percebeu que Addison não acreditou. O olhar da mulher atravessou seus olhos, sua alma, ultrapassou as muralhas que ela havia erguido para se proteger, cavando fundo demais. O escrutínio intenso a deixou desconfortável.

Então você está sendo incriminada sem motivo aparente? Duvido.

Como eu disse ontem à noite, Sadie está com inveja de mim. Foi por isso que ela fez isso. Ela me armou com aquela arma. Eu posso fazer um monte de coisas estúpidas, mas não brinco com armas.

Ok. — Addison suspirou, recolhendo calmamente suas coisas da mesa. — Quando você estiver pronta para me dizer a verdade, entre em contato comigo diretamente.

Ela estendeu a mão, deixando um cartão à frente de Meredith, antes de se levantar.

Espere... p-para onde você está indo? Achei que ainda tínhamos coisas para discutir.

Temos, sim. Mas até que você esteja pronta para ser franca comigo, não há mais nada que eu possa fazer além de trabalhar — afirmou, vestindo o blazer e pegando a bolsa.

Espero que você aja rápido. Você pode não ter muito tempo para continuar ociosa. Esta é uma situação séria. Você terá que comparecer ao tribunal novamente em poucos dias. Tome cuidado. Tenha um ótimo dia, Srta. Grey.

Addison se afastou, deixando Meredith observando sua silhueta perfeita desaparecer.

A garota pegou o cartão e o analisou, girando-o entre os dedos enquanto mordia o lábio inferior. O nome e o número de Addison estavam impressos em letras elegantes no papel, e Meredith passou o polegar sobre a superfície lisa.

Ela não queria envolver aquela mulher em seus problemas, mas estava desesperada. Era apenas uma questão de tempo até que todos ao seu redor fossem arrastados para o caos que a cercava. Honestamente, era um risco que estava disposta a correr se isso significasse se livrar daquilo.

Addison tinha escolha. Ajudar... ou não.

E, ao que tudo indicava, já havia tomado sua decisão.

Continua...

𝚄𝚖𝚊 𝚂𝚞𝚋 𝙿𝚎𝚛𝚒𝚐𝚘𝚜𝚊 - 𝐌𝐞𝐝𝐝𝐢𝐬𝐨𝐧Onde histórias criam vida. Descubra agora