Capítulo 5 - O Peso do Silêncio

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Por vários dias, a juíza não estava com a cabeça no lugar. Emoções e pensamentos se espalhavam em todas as direções. Ela tentava se ocupar com inúmeras tarefas, qualquer coisa que a impedisse de pensar naquela garota teimosa e estranhamente bonita. Mas, sempre que acreditava tê-la expulsado de sua mente, percebia o quanto isso era falso. Não importava quantos livros estudasse ou quantos processos analisasse: Meredith sempre encontrava um caminho de volta aos seus pensamentos.

Addison não estava obcecada — ao menos era o que dizia a si mesma. Estava curiosa. E precisava de alguma forma alimentar essa curiosidade, tropeçando "sem querer" nas redes sociais da jovem. Tudo o que queria era vê-la, mesmo que fosse a pessoa mais estranha que já conhecera. Apesar de saber que Meredith não era boa companhia, ainda assim não conseguia parar de desejá-la. Ela tinha uma queda inegável por garotas malcriadas.

Com o passar dos dias, Addison se viu desapontada — quase com o coração partido — quando Meredith não entrou em contato. Esperava que ela aproveitasse a oportunidade e recorresse a ela, mas a garota a surpreendeu. Talvez não fosse uma oportunista. Talvez não fosse nada do que fingia ser. Ainda assim, algo parecia errado. Meredith estava em apuros... mas o que a impedia de voltar?

O zumbido do telefone sobre sua mesa a arrancou dos pensamentos, irritando-a.

April? — atendeu, ouvindo a voz doce de sua assistente ecoar do outro lado da linha.

Meritíssima, há uma garota histérica querendo falar com a senhora. Ela pediu para avisar que o nome é Meredith... disse que você saberia quem é.

Transfira a ligação — respondeu imediatamente, sentindo a preocupação beliscar sua pele. Por que Meredith estaria histérica?

Assim que a chamada foi conectada, Addison não perdeu tempo:

Meredith, está tudo bem?

Addison não era uma mulher fria como pedra, tampouco excessivamente emocional, mas seu coração afundou no instante em que ouviu a garota fungar do outro lado da linha.

Meredith... você está bem? — perguntou, agora em um tom mais baixo.

Estou... estou bem — respondeu a garota, ainda fungando.

Então por que você está chorando?

Eu não posso falar sobre isso agora. Você pode me encontrar em meia hora, no mesmo restaurante de ontem, por favor?

Claro que estarei lá — respondeu Addison sem hesitar. — Você promete me contar o que te deixou assim?

Prometo. Só me encontre lá, ok?

Meredith desligou.

A juíza guardou suas coisas rapidamente, pegou a bolsa e, antes que percebesse, já estava fora do escritório.

Quando chegou ao restaurante, encontrou Meredith em um estado que apertou seu peito. Havia uma contusão no canto do lábio inferior, aparentemente recente. Olheiras suaves, porém evidentes, denunciavam uma noite difícil. Arranhões leves ao lado das bochechas indicavam uma briga — possivelmente com a outra garota. Sadie?

Meredith falou pouco desde a chegada de Addison. A juíza esperou pacientemente, dando espaço para que ela se sentisse confortável o suficiente para contar o que havia acontecido. Era estranho vê-la tão quieta; uma mudança drástica em comparação às últimas vinte e quatro horas. Meredith parecia genuinamente abatida e, embora Addison soubesse o quanto ela podia ser problemática, sentiu pena.

Meredith... — sussurrou, estendendo a mão para apertar a dela.

A reação da garota fez Addison recuar de imediato. Meredith se encolheu ao contato, como se esperasse dor. Olhos grandes e brilhantes se ergueram para encarar o rosto sereno da juíza.

Desculpa se te assustei. Prometo não te tocar de novo — disse Addison com suavidade. — Mas, por favor, você precisa me contar o que aconteceu.

Foi ela — Meredith afirmou, após um minuto de silêncio.

Addison assentiu, a conclusão já formada.

Quando?

Hoje de madrugada... por volta das quatro da manhã.

Addison franziu a testa.

Por que você demorou tanto para falar? Você foi à polícia?

Você sabe muito bem que a polícia não vai me ajudar. Se eu entrar em uma delegacia, vão procurar algo para me acusar em vez de ouvir o que eu tenho a dizer.

Meredith, isso não é verdade.

A garota soltou uma risada seca.

É fácil falar quando você não é julgada antes mesmo de abrir a boca.

Talvez — admitiu Addison. — Mas você tem evidências físicas. Eles teriam te ouvido.

Tá... mas você não pode me ajudar?

Ela levantou os olhos e os fixou profundamente nos de Addison. A juíza suspirou, coçando o lado do rosto enquanto pensava no que dizer.

Posso te ajudar, sim. Sem dúvida. Mas registrar um boletim de ocorrência contra essa garota tornaria tudo muito mais fácil para nós duas.

Eu não posso fazer isso — afirmou Meredith, com firmeza.

Seu rosto estava inundado de tristeza. O cabelo despenteado, ainda assim atraente, caía em volta do rosto. Vestia uma camiseta de um personagem de desenho que Addison não reconheceu e um jeans gasto. Olhando além da aparência, a juíza tentou encontrar o bloqueio que a impedia de falar livremente — mas não conseguiu.

Por que você não pode denunciá-la?

Porque eu roubei dinheiro da Sadie — confessou. — É por isso que ela está atrás de mim. Eu não consigo devolver.

Addison não quis dizer que já suspeitava, mas sabia. Pelo tipo de pessoa que Meredith era, aquilo não chegava a ser um choque. A garota acumulava uma lista considerável de erros; aquele era apenas um dos mais graves.

Quanto você roubou? — perguntou em voz baixa, sem ameaça.

Cinco mil.

Os olhos de Addison se arregalaram.

O quê? Por que você roubaria essa quantia? Como conseguiu esse dinheiro? E para quê?

Não é óbvio? — Meredith murmurou.

Ela se recostou na cadeira, permitindo que os olhos de Addison recaíssem sobre ela por inteiro.

Drogas.

Continua...

𝚄𝚖𝚊 𝚂𝚞𝚋 𝙿𝚎𝚛𝚒𝚐𝚘𝚜𝚊 - 𝐌𝐞𝐝𝐝𝐢𝐬𝐨𝐧Histórias para pegar e não largar. Descubra agora