No dia seguinte...
— Eu sei, não se preocupe, eu vou limpar isso agora — Meredith falou, tentando tranquilizar a mulher mais velha depois que ela ficou em silêncio ao ver a bagunça no apartamento. Ela prometeu que aquilo desapareceria em minutos — e manteve a promessa.
Agitando-se pela cozinha, jogando caixas no lixo, descartando latas de refrigerante e colocando os pratos que havia usado na lava-louças, Meredith transpirava como se tivesse corrido uma maratona.
— Bom — Addison demorou a responder.
A mulher julgava a tentativa patética da garota de limpar a bagunça. Meredith se afastou, ficando em silêncio, irradiando um orgulho que não deveria ter. Com um suspiro exasperado, Addison decidiu seguir com o silêncio. Arregaçou as mangas da camisa branca até os cotovelos e começou a consertar a tentativa malfeita da garota.
Os únicos sons no apartamento eram os saltos da mulher e, ocasionalmente, algo sendo jogado no lixo. Minutos depois, o local estava restaurado à sua limpeza impecável. Meredith teve que admitir: Addison fazia aquilo muito melhor do que ela jamais conseguiu. Tudo estava perfeito.
Finalmente, Addison encarou a garota. O olhar fez Meredith engolir em seco. Será que ela ainda estava irritada com a ligação da noite anterior?
— É assim que espero encontrar este lugar: sem lixo no chão, sem louça na pia, sem sapatos espalhados. Entendeu?
— Sim, eu entendi. Eu ia limpar — Meredith respondeu calmamente.
— Se entendeu o tempo todo, por que encontrei o apartamento daquele jeito?
— Porque eu sou um pouco lenta quando se trata de limpeza.
— Se é lenta, por que não começou mais cedo? Você teve a manhã inteira — rebateu Addison.
— Sinto muito.
A mulher não viu arrependimento genuíno, e isso a fez franzir o cenho.
— Você leu todo o contrato? — perguntou, sentando-se em um banquinho.
— Sim.
— E assinou?
— Não. E não vou assinar.
As palavras despertaram imediatamente o interesse da juíza.
— E por que não?
— Eu não sou propriedade de ninguém. Só porque você está me ajudando não significa que pode me controlar. Eu não posso concordar com o que está escrito ali.
— Eu pensei que tínhamos um acordo. Eu ajudaria você a pagar o dinheiro que roubou, e você assinaria o contrato.
— Isso foi antes de eu saber o que ele continha. Se você quer me foder, tudo bem, mas toda essa retórica chique que no fim se resume a eu ser incapaz de negar coisas... isso parece ilegal.
A raiva em seu tom refletia a da noite anterior. Havia algo mais ali — medo — e Addison percebeu.
— O que foi que te assustou? — perguntou.
— Nada me assustou. Eu só não quero ser a embarcação que você usa para "desabafar".
— Tecnicamente, não é isso. Não sou privada sexualmente, mas pode evoluir para sexo, dado o tempo que passarmos juntas.
— Então não é só sobre sexo?
— Não. É sobre disciplina, compreensão, gratificação, elogios e atenção. Eu quero isso para nós duas.
— E é só isso? — Meredith perguntou, aproximando-se.
— Você tem dúvidas? Preocupações?
— Tenho. Eu não curto o aspecto de disciplina e escravidão.
— Você não tem motivos para ter medo — Addison disse calmamente.
Meredith riu.
— Eu tenho todo o direito de ter. O que você espera de mim não é algo simples. É um estilo de vida intenso.
— Como você sabe disso?
— Porque tive uma amiga que era submissa de um cara que eu devia dinheiro. Ela me contou tudo o que ele fez com ela. Isso não é algo que eu queira pra mim.
— Então ela foi abusada — respondeu Addison. — No BDSM, nada deve causar dano ou trauma. A submissa é quem está no controle. Se não houve consentimento, foi abuso — e não é isso que eu quero.
Meredith ficou pasma.
— O que você quer dizer com a submissa estar no controle?
— Ela pode interromper tudo a qualquer momento. Nada acontece sem pedido ou permissão.
A garota ficou pensativa.
— E eu tenho que te chamar por nomes específicos?
— Sim. É parte do acordo.
— Assim que eu assinar, você me dá o dinheiro para pagar a Sadie?
— É o que prometi.
— Tudo bem... eu vou assinar.
Ela buscou os papéis e a caneta, assinando página por página.
— Pronto. E agora?
Addison se levantou e se aproximou, empurrando o contrato para fora do alcance. Seus olhos queimaram nos dela.
— Agora que tenho você à minha disposição, posso fazer o que quiser — sussurrou, inclinando-se até ficarem a centímetros de distância.
Meredith não recuou.
Addison ergueu a mão, deixando os dedos pairarem sobre a bochecha da garota. A respiração de Meredith ficou tensa.
— Estaria tudo bem se eu tocasse em você?
— Sim, você pode me tocar.
No segundo em que as palavras saíram de sua boca, os lábios da mulher tocaram os dela.
Meredith nunca sentira lábios tão macios e firmes. O gosto de menta misturado à língua da juíza a fez gemer baixo. Não havia agressividade, apenas uma lentidão embriagante.
Addison rodou a língua na dela, e ambas suspiraram. Era um beijo profundo, quente, controlado. Quando os dedos da mulher alcançaram o cabelo da garota, ela se afastou.
A respiração das duas estava acelerada.
— Eu poderia pedir qualquer coisa agora — disse Addison —, mas não vou. Só há uma coisa em mente... e você vai aprender a amar ou odiar.
VOCÊ ESTÁ LENDO
𝚄𝚖𝚊 𝚂𝚞𝚋 𝙿𝚎𝚛𝚒𝚐𝚘𝚜𝚊 - 𝐌𝐞𝐝𝐝𝐢𝐬𝐨𝐧
Fanfiction[CONCLUÍDA] Quando uma juíza respeitável, acostumada ao controle, à moral e às próprias regras, cruza o caminho de uma jovem impulsiva e envolta em problemas, nada permanece intacto. O que começa como um simples ato de responsabilidade se transforma...
