Capítulo 2 - Três Meses Depois

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A mulher correu para atender o celular quando ele começou a tocar ao fundo. O quarto estava excepcionalmente escuro, mas ainda assim ela conseguiu se virar o melhor que pôde. O sono a consumia, e ela passou alguns segundos esfregando os olhos, tentando se situar. Quem estaria ligando àquela hora?

Amaldiçoando baixinho depois de trombar no balcão e bater o quadril, Addison pegou o telefone.

A-alô... — a voz saiu áspera, pesada de sono. Ela tinha certeza de que sua irritação era evidente.

É a juíza Addison Montgomery?

Sim, com quem falo? — ela respondeu, esfregando a testa enquanto abafava um bocejo.

Aqui é o policial Cruz, da delegacia do centro da cidade. Alguns minutos atrás, prendemos uma jovem chamada Meredith Grey, que afirma ser sua parente. Ela solicitou que entrássemos em contato com a senhora, e gostaríamos apenas de confirmar se ela é, de fato, sua sobrinha, meritíssima.

Que filha d... — murmurou baixinho, interrompendo a si mesma. Devia haver algum engano. Addison tentou se lembrar se tinha alguma sobrinha com aquele nome, mas tinha absoluta certeza de que não.

Eu não sei do que o senhor está falando — respondeu, confusa.

Sua sobrinha, senhora. Ela está aqui para interrogatório, por envolvimento em um delito relacionado a armas. Foi ela quem pediu que fizéssemos contato com a senhora — explicou o oficial.

Não admira que o nome lhe soasse vagamente familiar. Aquela pirralha.

Addison suspirou ao desligar.

Ela já ligou para o advogado dela?

Não, senhora. Até o momento, a única solicitação foi que entrássemos em contato com a senhora.

Certo. Estarei aí em cerca de meia hora — respondeu, encerrando a ligação com um suspiro mais áspero.

O quê?

Quem era? — perguntou Derek, surgindo atrás dela e a fazendo se virar de sobressalto. A voz dele carregava o mesmo tom aborrecido que a dela no início da ligação.

Uma amiga minha. A filha dela foi presa, e ela pediu que eu fosse até a delegacia com eles.

Addison, é uma hora da manhã. Isso não pode esperar até amanhã? — questionou, coçando a barba grisalha.

Tecnicamente, já é de manhã — rebateu, encarando-o. — E espero que você não ache que eu vou ficar de braços cruzados enquanto alguém que eu conheço precisa de ajuda.

As palavras o silenciaram. Addison o ignorou, voltando para o quarto e seguindo até o armário em busca de uma muda de roupa.

Derek ficou apenas observando a silhueta da mulher se afastar.

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Eles a mantiveram em uma cela na delegacia, e, surpreendentemente, ela era a única detida quando a ruiva chegou. Meredith estava deitada de costas no colchão fino, as mãos apoiadas sob a cabeça, os olhos fechados. A casualidade da garota fez o sangue de Addison ferver.

O som dos saltos ecoando pelo chão chamou a atenção de Meredith, que se sentou imediatamente. Os olhos atentos vasculharam o rosto da juíza conforme ela se aproximava. A admiração que Addison sentira meses antes retornou com força enquanto a observava.

Ela não havia mudado quase nada — exceto pelo cabelo, agora um pouco mais curto, logo acima dos ombros. Addison não podia negar: Meredith continuava deslumbrante. Um pesadelo impressionante, talvez.

O que há de errado com você? — perguntou Addison, o tom estridente enquanto encarava a garota mais baixa dentro da cela.

Meredith caminhou em sua direção e então Addison percebeu: os olhos dela eram de um verde profundo, muito semelhante ao seu.

Meredith sorriu. Addison franziu a testa, xingando-a mentalmente.

Eu não esperava que você viesse — disse Meredith.

Addison arqueou uma sobrancelha; sua raiva era palpável.

Quem você pensa que é para fazer a polícia me ligar no meio da noite, fingindo ser minha sobrinha?

Então... sobre isso — Meredith parou, coçando a nuca. — Sinto muito, mas eu precisava da sua ajuda.

E por que eu deveria ajudar você?

Porque estão me incriminando. Eu não fiz nada do que estão dizendo, e preciso da sua ajuda.

Por que está me dizendo isso? Chame seu advogado e deixe que ele cuide disso. Eu não posso fazer nada.

Por favor, você não entende... — chamou Meredith, quando Addison já se virava para ir embora. O medo era evidente em sua voz.

Honestamente, eu não entendo mesmo. E também não me importo. Você não tinha o direito de me ligar. Você não é da minha conta, e não vejo motivo algum para ajudar você.

Por favor, Addison... eu preciso da sua ajuda.

Lágrimas se acumularam nos olhos brilhantes da garota. Addison queria ser fria, dura como pedra, mas o medo estampado ali a atingiu em cheio. Algo apertou em seu peito, puxando-a para mais perto. A fachada insensível que sustentava começou a ruir.

Suspirando, revirou os olhos e olhou ao redor, esquadrinhando a delegacia em busca de um policial com quem pudesse falar.

Eu vou ajudar você — disse, por fim. — Mas nunca mais tente algo assim de novo. Entendeu? Eu não sou sua parente, muito menos sua amiga.

Sim... eu entendi — Meredith suspirou, limpando os olhos e o nariz.

Ótimo. Então comece a explicar. O que aconteceu? Como você se meteu nessa bagunça? — O tom de Addison voltou a ser severo, assim como sua expressão.

Continua...

𝚄𝚖𝚊 𝚂𝚞𝚋 𝙿𝚎𝚛𝚒𝚐𝚘𝚜𝚊 - 𝐌𝐞𝐝𝐝𝐢𝐬𝐨𝐧Histórias para pegar e não largar. Descubra agora