A mulher correu para atender o celular quando ele começou a tocar ao fundo. O quarto estava excepcionalmente escuro, mas ainda assim ela conseguiu se virar o melhor que pôde. O sono a consumia, e ela passou alguns segundos esfregando os olhos, tentando se situar. Quem estaria ligando àquela hora?
Amaldiçoando baixinho depois de trombar no balcão e bater o quadril, Addison pegou o telefone.
— A-alô... — a voz saiu áspera, pesada de sono. Ela tinha certeza de que sua irritação era evidente.
— É a juíza Addison Montgomery?
— Sim, com quem falo? — ela respondeu, esfregando a testa enquanto abafava um bocejo.
— Aqui é o policial Cruz, da delegacia do centro da cidade. Alguns minutos atrás, prendemos uma jovem chamada Meredith Grey, que afirma ser sua parente. Ela solicitou que entrássemos em contato com a senhora, e gostaríamos apenas de confirmar se ela é, de fato, sua sobrinha, meritíssima.
— Que filha d... — murmurou baixinho, interrompendo a si mesma. Devia haver algum engano. Addison tentou se lembrar se tinha alguma sobrinha com aquele nome, mas tinha absoluta certeza de que não.
— Eu não sei do que o senhor está falando — respondeu, confusa.
— Sua sobrinha, senhora. Ela está aqui para interrogatório, por envolvimento em um delito relacionado a armas. Foi ela quem pediu que fizéssemos contato com a senhora — explicou o oficial.
Não admira que o nome lhe soasse vagamente familiar. Aquela pirralha.
Addison suspirou ao desligar.
— Ela já ligou para o advogado dela?
— Não, senhora. Até o momento, a única solicitação foi que entrássemos em contato com a senhora.
— Certo. Estarei aí em cerca de meia hora — respondeu, encerrando a ligação com um suspiro mais áspero.
— O quê?
— Quem era? — perguntou Derek, surgindo atrás dela e a fazendo se virar de sobressalto. A voz dele carregava o mesmo tom aborrecido que a dela no início da ligação.
— Uma amiga minha. A filha dela foi presa, e ela pediu que eu fosse até a delegacia com eles.
— Addison, é uma hora da manhã. Isso não pode esperar até amanhã? — questionou, coçando a barba grisalha.
— Tecnicamente, já é de manhã — rebateu, encarando-o. — E espero que você não ache que eu vou ficar de braços cruzados enquanto alguém que eu conheço precisa de ajuda.
As palavras o silenciaram. Addison o ignorou, voltando para o quarto e seguindo até o armário em busca de uma muda de roupa.
Derek ficou apenas observando a silhueta da mulher se afastar.
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Eles a mantiveram em uma cela na delegacia, e, surpreendentemente, ela era a única detida quando a ruiva chegou. Meredith estava deitada de costas no colchão fino, as mãos apoiadas sob a cabeça, os olhos fechados. A casualidade da garota fez o sangue de Addison ferver.
O som dos saltos ecoando pelo chão chamou a atenção de Meredith, que se sentou imediatamente. Os olhos atentos vasculharam o rosto da juíza conforme ela se aproximava. A admiração que Addison sentira meses antes retornou com força enquanto a observava.
Ela não havia mudado quase nada — exceto pelo cabelo, agora um pouco mais curto, logo acima dos ombros. Addison não podia negar: Meredith continuava deslumbrante. Um pesadelo impressionante, talvez.
— O que há de errado com você? — perguntou Addison, o tom estridente enquanto encarava a garota mais baixa dentro da cela.
Meredith caminhou em sua direção e então Addison percebeu: os olhos dela eram de um verde profundo, muito semelhante ao seu.
Meredith sorriu. Addison franziu a testa, xingando-a mentalmente.
— Eu não esperava que você viesse — disse Meredith.
Addison arqueou uma sobrancelha; sua raiva era palpável.
— Quem você pensa que é para fazer a polícia me ligar no meio da noite, fingindo ser minha sobrinha?
— Então... sobre isso — Meredith parou, coçando a nuca. — Sinto muito, mas eu precisava da sua ajuda.
— E por que eu deveria ajudar você?
— Porque estão me incriminando. Eu não fiz nada do que estão dizendo, e preciso da sua ajuda.
— Por que está me dizendo isso? Chame seu advogado e deixe que ele cuide disso. Eu não posso fazer nada.
— Por favor, você não entende... — chamou Meredith, quando Addison já se virava para ir embora. O medo era evidente em sua voz.
— Honestamente, eu não entendo mesmo. E também não me importo. Você não tinha o direito de me ligar. Você não é da minha conta, e não vejo motivo algum para ajudar você.
— Por favor, Addison... eu preciso da sua ajuda.
Lágrimas se acumularam nos olhos brilhantes da garota. Addison queria ser fria, dura como pedra, mas o medo estampado ali a atingiu em cheio. Algo apertou em seu peito, puxando-a para mais perto. A fachada insensível que sustentava começou a ruir.
Suspirando, revirou os olhos e olhou ao redor, esquadrinhando a delegacia em busca de um policial com quem pudesse falar.
— Eu vou ajudar você — disse, por fim. — Mas nunca mais tente algo assim de novo. Entendeu? Eu não sou sua parente, muito menos sua amiga.
— Sim... eu entendi — Meredith suspirou, limpando os olhos e o nariz.
— Ótimo. Então comece a explicar. O que aconteceu? Como você se meteu nessa bagunça? — O tom de Addison voltou a ser severo, assim como sua expressão.
Continua...
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𝚄𝚖𝚊 𝚂𝚞𝚋 𝙿𝚎𝚛𝚒𝚐𝚘𝚜𝚊 - 𝐌𝐞𝐝𝐝𝐢𝐬𝐨𝐧
Fanfiction[CONCLUÍDA] Quando uma juíza respeitável, acostumada ao controle, à moral e às próprias regras, cruza o caminho de uma jovem impulsiva e envolta em problemas, nada permanece intacto. O que começa como um simples ato de responsabilidade se transforma...
