Traição

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"Ah, lutarei com uma deusa da guerra."

Shao me beijou lascivamente e tive que empurrá-lo para que ele mantivesse a compostura perto dos generais.

Em seguida ele fez um discurso de motivação para as tropas. Empunhamos nossas armas e marchamos, eu via tudo aquilo como uma oportunidade para descontar minhas frustrações em escórias como o Nakanadianos.

De dia eu era a "deusa da guerra" de Shao Kahn, o apoiava no campo de batalha. À noite, eu e a embaixadora Tanya tentávamos minimizar os estragos da guerra e acolhíamos refugiados. Porém Shao sempre descobria os esconderijos e eu nunca sabia como.

Até que numa noite aproveitei que ele dormia e olhei seus mapas. Em um deles estavam pontos dourados nos campos onde eu escondia os refugiados. Depois vasculhei as correspondências dele e encontrei cartas de Tanya. E descobri o pior, Tanya havia me traído e estava entregando todos os abrigos  a Shao Kahn, como um presente para cair nas graças dele. Aquela maldita assassina! Furiosa, eu dei soco na mesa e a quebrei, cortando minha mão. Shao acordou. Eu escondi tudo rapidamente.

"O que foi isso, esposa?" Ele perguntou ainda sonolento.

"Não é nada, querido. Só aquele período mensal, de novo." Eu disse enxugando minhas lágrimas de ódio. Ele voltou a dormir, indiferente.

Aquilo não iria ficar assim, Tanya iria pagar por ter me enganado e enganado a tantos Endenianos. Forjei uma carta com a letra idêntica à de Shao Kahn e marquei um encontro secreto com ela às escondidas, assim que eu voltasse para o palácio.

Voltei a dormir imaginando Tanya morrendo em mil cenários diferentes.

A campanha terminou logo e voltamos ao palácio. Quando chegamos tive uma triste surpresa. Minha doce Kitana havia começado seu treinamento de assassina. Seus olhos estavam apáticos quando me viu. Comecei uma briga com Shao Kahn por isso ter acontecido sem eu saber, ele argumentava que aquilo seria para a própria segurança dela, uma vez que tínhamos muitos inimigos.

"Você é quem tem inimigos, pois é um inconsequente!"

Shao não aceitava critícas e ameaçou me trancar no calabouço e jogar a chave fora. Eu disse a ele que poderia jogar, pois meus apoiadores não aceitariam tal coisa. Ele riu. E então constatei que eu não tinha mais apoiadores. Tanya, assim como tantos outros, já haviam caído nas "desgraças" dele. Eu estava sozinha. Eu já era prisioneira dele de qualquer forma. A diferença era a apenas a qualidade da gaiola.

"Cancele o treinamento se quiser, tanto faz. Só cale a boca e me deixe descansar." Ele removeu a armadura e entrou numa banheira de água quente.

Claro, para ele tanto fazia não é mesmo? Kitana já havia matado. Acho que passei o resto da tarde com ela. Ela me contou tudo o que aconteceu.

"Ele era um menino... mais novo do que eu, mãe." Kitana suspirou "Nos deram facas e nos mandaram lutar até a morte. Antes de morrer ele chamou pela mãe dele. Eu juro que não queria machucá-lo, mãe! Só tentei me defender, mas o corte foi mortal." Ela se pôs a chorar.

"Eu acredito em você filha. Está tudo bem. Só quero que se lembre que sempre temos uma escolha. Não importa o que aconteça, não importa as circunstâncias, a escolha está sempre lá. Este treinamento será interrompido. Quando você for mais velha vai escolher se quer isso ou não."

E passei o resto do dia com minha princesinha.

À noite, entrei no meu quarto para me trocar. Encontrei alguns presentes como vestidos e jóias, além de Shao Kahn. Eu o olhei friamente e ignorei todo o resto. Peguei algumas roupas e estava saindo quando ele me parou.

"Aonde vai?"

"Pra onde você quiser que eu vá, querido." Eu disse sarcástica.

"Pare com isso, Sindel." Ele disse manso, o tom de voz era o oposto de quando chegamos. "Não me ignore assim."

"Você me ignorou quando foi educar a minha filha."

"Ela é nossa filha agora."

"Não é!"

"Sim, e é o nosso reino."

"Se é o nosso reino porque minha opinião não é válida, então? Você me faz de concubina enquanto governa, ou melhor, enquanto destrói tudo o que eu e Jerrod levamos milênios para construir!"

"Cuidado, Sindel."

"Olhe ao redor, nesses anos que você esteve aqui tudo se resume a cinzas, guerra e escravidão. Miséria! Você transformou Edenia numa completa miséria! Me jogue ao calabouço se quiser, pelo menos não testemunharei toda a merda que você faz!"

Saí do quarto e bati a porta com violência. Ele saiu, me pegou pelos pulsos e me jogou na cama com força. Eu me levantei e deferi vários socos em seu rosto. Gritei como uma banshee mas ele tapou minha boca e me forçou contra a parede. Eu não reagi mais. Todos aqueles anos lutando contra a maré em vão. Não consegui salvar ninguém. Eu estava completamente derrotada e à mercê daquele homem. Me limitei a chorar. Ele me soltou.

"Tudo o que eu faço, Sindel, é por você. Eu prometo que nunca mais farei algo com Kitana sem você saber. Eu governo Edenia mas é você quem me governa. Me peça qualquer coisa e eu farei. Pra mim é um castigo ver você sofrer."

"Eu quero uma trégua. Chega de guerras sem sentido."

"Esta bem."

E logo começaram as carícias ardentes de novo. Parecia que tudo sempre acabava nisso, era a única coisa que nós dois concordávamos e fazíamos bem juntos.

O cheiro do quarto era adocicado e a cama estava forrada com peças de seda e jóias. Começamos a nos beijar mas eu estava com raiva e mordi seu lábio. Ele se afastou e voltou a me beijar de novo, o mordi com mais força ainda. Se sentindo provocado, ele me jogou na cama e me esmagou com o corpo dele, mordendo meu pescoço e tirando meu vestido. Eu rasguei suas roupas e belisquei seus mamilos. Dei-lhe um tapa forte no rosto, o virei e  envolvi minhas pernas nos seus quadris. Ele sugou meus seios com vontade, às vezes mordiscando a pele mais delicada, meu corpo arqueava de prazer enquanto ficávamos mais quentes a cada segundo.

Suas mãos apertaram minhas nádegas com força, me espremendo contra o membro enrijecido dele. Fui tomada por uma agitação insuportável, arranquei o resto de nossas roupas e montei sobre ele. Ele me deu uma estocada forte enquanto puxava meus cabelos para trás, me lembro de fincar as unhas nele até tirar sangue. O agarrei pelo pescoço enquanto cavalgava nele. Continuei num ritmo animalesco, desesperado, nossos gritos e ruídos de prazer preenchiam o quarto até que cheguei na minha resolução. Em seguida ele nos levantou e me empurrou contra a parede, continuou até se dar por satisfeito, com um grunhido horrível.

Quando nos deitamos meus cabelos estavam grudados no suor dele. Quase que instantaneamente ele caiu num sono profundo agarrado a mim. Me libertei dele com muito cuidado. Para Shao aquele dia havia terminado, mas para mim não. Eu ainda ia me encontrar com Tanya.

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