Capítulo 18: A carta

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Algumas semanas antes do começo do torneio:

O clima no Reino das Trevas está cada vez mais tenso, apesar de poderosa a rainha não pode desafiar seu marido, o rei daquele reino sombrio, por isso ela e sua filha mais nova estão sendo torturadas pelo rei. A condição do monarca para parar com tudo era que o príncipe herdeiro se infiltrasse no torneio da princesa do Reino da Luz e matasse a herdeira do trono, depois voltasse para casa, apenas assim o sofrimento da mãe e da irmã do herdeiro daquele reino sombrio acabaria.

A rainha estava escrevendo uma carta para o filho, ela suplicava para que matasse Ariana Aruna, dizia que aquela era a única forma de o príncipe ficar seguro e voltar para casa. Eleonora não falou sobre os abusos que sofria, não falou sobre a tortura que a filha mais nova sofria não queria que o filho fosse impulsivo e tomasse decisões precipitadas pelo bem dos outros, queria que Tanith tomasse as próprias decisões. A rainha quer que o filho volte para casa por vontade própria e não por pressão.

O maior medo de Eleonora é que seu filho não volte para casa, mesmo que seu maior sonho sempre tenha sido tirá-los de lá, livra-los do enorme fardo de terem nascido naquela terrível família, a rainha temia pelas vidas dos filhos, não pela sua vida, mas pelas vidas deles. Em algum momento aquele rei asqueroso perderia a paciência, tudo o que ele quer e precisa é conseguir plantar sua semente dentro dela para fabricar outra criança e, se for menino, mandará caçar e matar Tanith onde quer que ele esteja. Contudo, a rainha não deseja outro filho daquele homem, nunca em sua vida se deitou com ele por decisão própria sempre foi de forma forçada, e desde que o príncipe herdeiro fugiu essas torturas eram mais frequentes, maus de uma vez no dia.

O maldito rei pretende engravidá-la, quer outro menino para herdar o trono e dessa vez ele moldará a criança ao seu bel prazer para que seja tão cruel e repugnante quanto ele. A mulher teme que isso aconteça, teme por seus filhos e pelo resto do mundo, teme o poder que o rei pode ter se uma criança tão poderosa quanto seus filhos virar sua marionete.

Mesmo que a força de Luna, sua filha mais nova, seja equiparada a de seu irmão, o príncipe herdeiro, o rei não tem interesse em nada que tenha ligação com a menina, considera a princesa uma falha em sua masculinidade, repugna todos os dias de sua existência, quando a menina nasceu ele ficou de luto. A força de Luna nunca importou, não importa o quanto treine e se destaque ela sempre será uma garota e isso nunca foi do interesse do rei.

A rainha ficou menos tensa por um tempo, achando que sua filha estava livre das importunações do rei, mas agora ela teme que se o rei não conseguir o que quer com ela comece a usar a própria filha, por isso Eleonora se mantém forte, tenta proteger os dois, Tanith e Luna, com todas as suas forças. Por enquanto e, apenas, por enquanto Luna estava tão segura quanto uma pessoa que faz parte daquela família poderia estar.

Eleonora faz tudo o que pode para receber os golpes e castigos no lugar de Luna, a princesa é ingênua de mais e mesmo sendo desprezada e ameaçada ainda ama o pai, mas idolatra a mãe o que faz a rainha temer o que pode acontecer se Luna descobrir todo o emaranhado de intrigas e dores que está acontecendo. Para a princesa seu irmão foi viajar o mundo, com a permissão do pais, e sua mãe treinava até a exaustão para aplacar a fúria sombria em seu interior, por isso estava sempre tão cansada, abatida e machucada. Sempre que ela própria era espancada pensava que havia feito algo errado, algo que deixou seu pai com rainha e por isso tinha que pagar.

A princesa do reino das Trevas foi criada dentro de uma bolha, mas a bolha estava prestes a estourar.

O Despertar do Destino - Ecos do PoderOnde histórias criam vida. Descubra agora