Acontecia uma tempestade torrencial naquela madrugada. Em meio a relâmpagos e aos sons estrondosos dos trovões, Giyuu acordou ofegante e sentiu uma dor aguda na barriga, quase insuportável. Enquanto suava frio e abraçava seu ventre, ele logo percebeu que estava endurecido e contraído. O príncipe sentou-se com dificuldade na cama. Tomioka tentou controlar sua respiração ofegante e as batidas aceleradas do coração até encontrar forças para se levantar. O ômega apoiou as mãos na cama para dar impulso, porém não esperava sentir sua cama molhada com um líquido gosmento.
Infelizmente ou felizmente, o ambiente estava escuro demais para ver o porquê dos lençóis estarem molhados. A única coisa que ainda clareava um pouco o ambiente eram os relâmpagos, que podiam ser vistos pela fresta da enorme janela que havia ali. Mesmo assim, não era possível visualizar do que se tratava o líquido, apesar de Giyuu já ter uma ideia.
Tomioka dormia em seu próprio quarto, pois não era incomum que casais da realeza tivessem seus quartos privativos, afinal o casamento para eles não era fruto do amor. Então, ninguém estranhou quando Obanai e Giyuu passaram a dormir sozinhos. E naquele momento, o ômega desejou que o alfa estivesse ali, para que ele não estivesse passando por uma situação tão difícil sozinho no meio da noite.
Naquela escuridão e em meio aos trovões assustadores que dava a sensação que o mundo estava acabando, o príncipe levantou-se. Sua intenção era ir em direção a porta e encontrar algum guarda, que provavelmente estaria na porta, pelo lado de fora. Giyuu cambaleou, suou muito e sentiu pontadas fortes na barriga antes de chegar à entrada. Ele quase tropeçou e soltou um grito de dor, o que assustou o guarda real que ali estava fazendo seu trabalho de vigia.
Após isso, o ômega despencou de joelhos no chão. Ele não conseguia assimilar o que acontecia ao seu redor. De repente, vários servos surgiram, o segurando e o ajudaram. Eles trocaram os lençóis sujos de sangue por novos e trouxeram toalhas e água quente. Giyuu foi colocado de volta na cama com cuidado, enquanto todos ali presentes estavam em uma correria confusa que o príncipe não conseguia distinguir bem.
Foi quando, pela porta de entrada, viu Obanai e Mitsuri no corredor com semblantes preocupados e aquilo acalmou um pouco seu coração. Ambos foram impedidos de entrar no ambiente, pois aquele era um trabalho dos ômegas. Mesmo com a insistência de Obanai em convencer o servo de que deveria entrar, tudo foi em vão. E essa foi a última coisa que o ômega viu antes de fecharem a porta de vez.
Giyuu foi orientado a fazer força e não apenas gritar devido às contrações insuportáveis na parte inferior do abdômen e nas costas. O ômega estava sentindo muita dor, suando muito e ficando zonzo. Aquilo estava demorando mais do que o necessário, o que preocupava as parteiras. No entanto, Giyuu estava feliz por finalmente o dia do parto ter chegado e agora poder ver o rosto de seu filho ou filha.
Sua visão estava embaçada e desfocada, como se tudo estivesse muito ao longe. Ainda haviam ecos. Ele escutou o som distante de um choro de criança. Após tanta dor e devido ao cansaço, o rosto de Giyuu parecia mármore, quase inexpressivo e apático. No entanto, o príncipe conseguiu esboçar um sorriso assim que viu uma das parteiras trazer cuidadosamente o recém-nascido enrolado em um lençol branco, para que ele pudesse ver seu pequeno rosto.
Tomioka o admirou por alguns instantes: sua pele estava avermelhada e suja de sangue, seu cabelo era liso e preto, e seus olhinhos estavam fechados e inchados. O bebê se movia de forma inquieta, como se estivesse incomodado com alguma coisa.
— Ele é adorável, meu senhor. — elogiou a parteira com emoção e certa preocupação com o estado do príncipe. — É um garoto beta adorável.
— Vou chamá-lo de Takeo. — nomeou Giyuu aproximando seu dedo indicador com certa dificuldade da mão do recém nascido, que quase segurou.
— O senhor deseja segurá-lo? — Ela perguntou preocupada.
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Our destiny
FanfictionDesde o seu nascimento, o príncipe Giyuu Tomioka, sendo o único homem ômega da sua família, foi prometido em casamento a um príncipe de outro reino. Ele já havia aceitado seu destino, casaria pelo bem de seu povo, contudo, o pequeno Giyuu criança nã...
