Sob águas cristalinas

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"Eu me vi em completo escuro e desespero, pois meus amigos estavam feridos e precisavam da minha ajuda, mas eu estava preso aqui, enquanto eles lutam bravamente por suas vidas. Me senti sozinho e inútil como nunca" — Giyuu leu o final do penúltimo capítulo do livro com sua voz calma, mas que, ao mesmo tempo, transmitia toda a carga emocional que a cena precisava. O príncipe terminou o parágrafo, fechou o livro e admirou o rosto do alfa que estava em completa paz

Tanjiro estava com a cabeça no colo do ômega, as pálpebras fechadas imaginando todas as cenas descritas e sensações, enquanto Giyuu acariciava o cabelo carmesim. Os dedos longos de Tomioka percorriam pela pele levemente enrugada da cicatriz do plebeu, o qual havia lhe contado que a conseguiu quando criança em uma brincadeira infantil. Eles queriam que aquele momento durasse para sempre. Giyuu se preocupou em observar todos os detalhes para eternizar em sua memória: o cheiro de pão quentinho, a brisa suave balançando seus cabelos, o som dos pássaros cantando ao longe e o alfa Tanjiro Kamado com as bochechas sujas de fuligem.

Havia se tornado rotina. Um mês havia passado e eles se aproximaram mais e mais. Sempre na mesma hora, um capítulo era lido, depois se despediam e voltavam às suas obrigações. Era como escapar da realidade. Era um segredo que eles queriam ter e não abririam mão.

— Acabou? — perguntou Tanjiro ao notar que o outro não havia dito mais nada.

— Sim.

— Poxa... Foi muito rápido dessa vez. — lamentou tristonho e se levantou para sentar ao lado do príncipe. Ele também brincava com um cascalho entre os dedos. — Queria ouvir mais.

— Amanhã termino o livro, eu prometo. — respondeu e Tanjiro sorriu, jogando a pedrinha para longe. Tomioka guardou o livro e tirou um lenço branco. — Você precisa tomar mais cuidado.

Giyuu limpou o carvão das bochechas de Tanjiro, que corou com o ato.

— Obrigado, Giyuu, vou ser cuidadoso.

Envergonhado, ele pegou o lenço das mãos do ômega e o viu se levantar e se distanciar. Eles se despediram, já estavam ansiosos pelo encontro no dia seguinte. Tanjiro ficou um tempo olhando com um sorriso bobo nos lábios o local por onde o príncipe havia ido embora, depois pegou o carvão e foi para a cidade. Enquanto isso, Tomioka pressionava o livro contra o peito, sentindo a estranheza das borboletas no estômago. Giyuu só queria voltar a vê-lo, só queria ficar ao seu lado o quanto pudesse e esquecer que estava prometido a outro alfa.

[...]

No dia seguinte, os dois se encontraram novamente para terminar o livro. Giyuu percebeu que Tanjiro não havia trazido a cesta de carvão, nem a bolsa tiracolo e suas bochechas estavam limpinhas dessa vez. Tomioka ficou feliz com isso, pois achava o alfa bonito demais para ficar escondido atrás da fuligem.

Tanjiro deitou sua cabeça no colo de Tomioka e o príncipe iniciou a leitura. Narrou como o herói conseguiu sair de onde estava preso e foi salvar seus amigos do vilão; uma batalha época se iniciou. O Kamado estava atento nas reviravoltas da batalha, ansioso para o final feliz do herói alfa e que ficasse com a heroína ômega.

"Peguei em sua mão e convidei-a para nadar comigo. Aquele era o momento perfeito para finalmente encontrar coragem para declarar meus sentimentos a ela e pedir sua mão em casamento. Poder finalmente dizer que é a minha ômega, marcá-la como prova do nosso amor, ter nossos filhotes e criá-los juntos como sempre sonhamos." — Giyuu concluiu o último parágrafo e olhou o alfa em seu colo.

— Acabou assim? Queria ver a vida depois disso. — Tanjiro disse desgostoso, pois gostou tanto do casal que queria que o final fosse mais recompensador, porém não deixava de ser um bom final.

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