Cabelo Carmesim

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Ficar enfurnado no castelo não era apenas entediante, como também beirava o insuportável. Contudo, deveria admitir que já havia se acostumado com a solidão. Pelo menos, poderia ir para o castelo de veraneio da família respirar novos ares. Ele tinha essa chance uma vez ao ano. Giyuu, o jovem príncipe com seus recém formados dezoito anos, amava aquele lugar, pois era onde se sentia mais livre, visto que era distante de vilas e próximo ao mar. Haviam menos empregados, menos regras desnecessárias e excessivamente protetoras naquele lugar. Tantas normas chegavam a ser sufocantes. O rei era um pai coruja e isso irritava Tomioka, pois ele não sabia dizer o porquê dele não ser igualmente exigente com o irmão mais velho. Talvez fosse o fato de Giyuu ser ômega. Isso era tão injusto.

Naquele momento, Giyuu estava na carruagem no caminho de volta para o castelo principal. Estava com a cara fechada, pois sabia que ficaria enfurnado por mais algum tempo até ter seu primeiro cio para poder se casar. Ele só desejava que tivesse alguma coisa interessante acontecendo do lado de fora, ao invés de ter que suportar sua dama de companhia, Makomo Urokodaki, que tentava quebrar o silêncio inutilmente com assuntos desinteressantes demais.

— Você precisa sorrir! — aconselhou a garota. — Ômegas precisam sorrir! Você tem um rosto tão bonito. Assim não vai conquistar seu futuro marido.

O príncipe lançou para Makomo o olhar mais gélido e indiferente possível. Não que não gostasse dela. Na verdade, ele a adorava e acabou escolhendo-a como sua dama de companhia, apesar de preferir ficar só. O fato era que aquela conversa o irritava profundamente.

— Não irei sorrir se não sinto vontade. — respondeu indiferente. Makomo calou-se e apenas pode-se ouvir o som do balançar da carruagem e o trote dos cavalos.

O príncipe tinha as feições belas: pele alva e macia, rosto pequeno e delicado como porcelana. No entanto, raramente um sorriso se formava no rosto dele. Giyuu já foi uma criança muito alegre e inocente, mas o passar dos anos o deixou com a personalidade mais centrada, reservada e um tanto fria. Se não fosse pelo cheiro adocicado característico dos ômegas, ele passaria facilmente por um alfa ou um beta.

Sinceramente, se não fosse melhorar as condições de vida de seus súditos, Giyuu não daria a mínima para esse casamento, já que dezoito anos haviam se passado e ele nunca chegou a conhecer o seu prometido. Ele afastou a cortina vermelha da pequena janela para ter alguma noção de onde estavam. Enfim a viagem cansativa de duas horas teria fim.

— Eu queria comer algo. — disse Giyuu, enquanto olhava através da janela.

— Quando chegar ao castelo... — Começou Makomo, mas foi interrompida.

— Não quero a comida do castelo. Queria comer uma maçã comprada dos súditos, em vez daquelas que vêm da macieira que temos.

— Mas as maçãs de lá são muito boas! São de alta qualidade!

— Eu quero as daqui. — O rosto de Giyuu era tão imaculado e sério, que faria qualquer pessoa tremer diante do seu olhar gélido.

Makomo fez uma expressão pensativa e receosa. Que mal faria parar e comprar algumas maçãs? O príncipe estaria seguro, sequer sairia da carruagem.

— Cocheiro, pare em uma barraca de maçãs. — Ela ordenou.

Pouco tempo depois, a carruagem chamativa parou em frente a uma barraca simples, atraindo olhares curiosos, pois todos sabiam que era alguém da realeza. Makomo saiu segurando a saia do vestido azul-real para não tropeçar e sendo ajudada pelo cocheiro. Compraria rapidamente e voltaria. Este seria o plano inicial, se Giyuu não tivesse escapulido rapidamente.

— Meu senhor, você ficará mais seguro lá dentro. — disse Makomo.

— Poupe-me dos seus cuidados excessivos. Estes não são meus súditos? Que mal há em ficar aqui um tempo e ver a situação deles?

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