A minha segunda série foi incrível durante todo o ano, eu aprendi, eu vivi, observei detalhes de tudo, mas um detalhe me deixava triste, as outras crianças estavam, meio que me olhando de alguma forma diferente, não somente na escola mas também nas ruas, outro dia eu estava indo em direção a cozinha e percebi a luz do quarto do meus pais e a porta entreaberta e comecei a espiar, eles falavam a alguma coisa sobre, eu ser apenas diferente e isso não significar nada, e também tinha uma palavra que eu não sabia o significado: ''homossexual", naquela época eu não sabia o que realmente significa, mas do jeito que eles falavam parecia algo horrendo e grotesco mas não me deixei levar por causa de uma conversa entre pais e fui finalmente até a cozinha Tomar alguma coisa e pisando levemente no piso de madeira já gelado para não fazer qualquer barulho, voltei para o quarto, sentindo um orgulho tremendo já que eu me senti um ninja com a minha agilidade em não fazer barulho e dormi.
No outro dia eu e Estela conversamos muito, eu simplesmente ficava olhando o jeito como ela mexia os braços e não se deixava envergonhar pela risada horrorosa dela que mais parecia um grito. Nós passávamos o intervalo, a aula somente conversando sobre coisas aleatórias, mas que no fundo era de grande importância.
Quando chegou o final de ano, quando faltava uma semana mais ou menos para as aulas acabarem, ela me deu uma notícia que fez meu mundo se partir em milhões de pedacinhos.
- Eu estou indo embora! - Ela disse de uma forma que quase chorou.
- Isso não tem graça Estela, pare com isso agora.
- Me desculpa Bruno! - E agora ela chorou.
Suas lágrimas refletidas na Luz eram como pequenos diamantes partidos e recheados de tristeza. - Eu não posso ficar, meus pais estão voltando para Portugal, não há ninguém que possa ficar comigo, ninguém.
- O que você vai fazer ?
- Vou ter de ir embora !
Eu estava tentando demostrar força, mas diante de tais circunstâncias era impossível. Me imaginei sozinho de novo, em um canto solitário.
E então quando bateu o sino, não voltamos para a classe, e nos escondemos atrás do Jardim, onde havia várias árvores e nós não poderiamos ser vistos.
Bolamos um plano que se um dia ela voltasse e tivesse mudado para outra casa eu enterraria um papel com o endereço para onde eu havia me mudado, o papel estaria enterrado no cantinho do Quintal.
Depois de bolar esse plano tão engenhoso, conversamos por mais ou menos uma hora até bater o sino, e quando bateu eu fui conversando com ela até o portão, e estávamos apenas á alguns metros de nossos pais e então pela primeira vez nos nos abraçamos, em um ano essa foi a primeira vez, e eu não tenho exatas palavras para descrever, mas eu me senti no céu, no céu azul, no doce céu azul, incrível, incostante e feliz céu azul.
No caminho de casa me surpreendeu o fato de minha mãe falar comigo.
- Quem era aquela garota, Bruno ?
- Uma amiga. Há algum problema?
- Não, só queria saber mesmo.
- Ok.O restante do dia foi normal, mas triste, muito triste mesmo, eu não queria jogar, assistir televisão ou brincar, só comer, chorar e dormir para tentar passar o tempo.
Uma vez ouvi uma mulher dizer que crianças não tem sentimentos, ma aquela não era a verdade, essa é a verdade.

VOCÊ ESTÁ LENDO
CÉU AZUL
RomancePessoas são cruéis e na maioria das vezes idiotas. No caso de Bruno essas pessoas eram a maioria de sua família. Ele foi adotado e é visto de forma negativa em seu família. assim ele acaba se tornando uma pessoa um pouco amarga. Mas o que é um pouc...