Sete/Três

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Faltando alguns dias para a grande mudança mamãe veio até o meu quarto,ela parecia triste.
Ela olhou em volta de tudo e disse:
- Como vão, as caixas ainda parecem meio... Hum... Sem coisas?
-Vou começar a arrumar tudo agora, mas toda ajuda é bem vinda.- eu disse.
-Tá Bom - Ela disse com um sorrisinho.
Qual o motivo de todos falarem assim comigo? Isso é Até chato, parece que quem fala comigo acha que eu vou sacar uma arma e começar a atirar... Talvez um dia eu descubra o motivo.
Começamos guardar as coisas, mamãe estava dobrando as roupas ( por que ela é uma mãe e ninguém dobra roupas melhor que as mães) e eu fui guardando tudo que havia nas prateleiras, livros enfeites, brinquedos.
Achei que ela não fosse falar nada, mas ela falou.
- Você não está zangado com a gente ? Não é ? - parecia que ela iria chorar.
- Não mãe, nem um pouco zangado - o que era verdade, já que eu não gostava da cidade nem da escola.
- Que bom, parecia que estava.
- Só parecia.
- É que... Bom, eu não quero que você se afaste de nós, nós te amamos muito, e não é fácil pra gente ter que superar isso.
- Mas eu não estou me afastando. - O que era mentira.
Ela suspirou como se o ar fosse lhe dar coragem. E então disse:
- Quando nós fomos ao orfanato, você estavá lá, aquele bebezinho chorão, pelo qual sentimos amor na mesma hora, não pensávamos em nada, nada além de nós amarmos você, nós o adotamos, te trazemos pra casa, cuidamos de você, e tudo mais- ela fez uma pausa e respirou fundo e continuou - Mas ai você cresceu e quando você fez seus cinco anos, quando nós lhe contamos que era adotado sua reação foi nula na hora, mas depois você ficou bravo. Começou a nos menosprezar, e nos ignorar, você se afastou de tudo, até Chegamos achar que você tinha depressão.
- Eu sei,o Henrique me falou disso. - Me lembrei quando ela mencionou a palavra "Depressão".
- E por esse e por outros motivos estamos de mudança, quem sabe, se lá você faz amizade, já que aqui é uma cidade pequena.
Apenas assenti.
Quando ela terminou de dobrar as roupa eu disse que assumiria por ali.
Ela saiu do quarto e eu terminei o resto, tirei todos os quadros, guardei tudo e desci pra comer, não havia ninguém na cozinha, e então deduzi que os dois estavam na parte de cima da casa.
Preparei o mesmo lanche de sempre pão de leite com queijo cheddar e um copo de leite com muito achocolatado e sem açúcar, incrivelmente perfeito.
Abro a porta da cozinha e me deparo com meu pai em baixo da grande árvore que cobria uma grande mesa de madeira com bancos de nadeira, eles estavam sentados um ao lado do outro conversado sabe Deus o que.
Não queria ser a pessoa chata que estraga o momento e por isso fui pra sala ver televisão, tinha muitos desenhos então escolhi o tradicional gato caça rato de sempre.

CÉU AZULOnde histórias criam vida. Descubra agora