Sim, é clichê eu falar que o amor doi, e eu não digo por experiência própria e sim pela dor que vejo minha mãe sentir. Não quero ser o culpado, mas no fim das contas eu sou, sou absolutamente culpado, talvez não por tudo, mas grande parte.
Quando eles me contaram, nós estávamos na sala de casa, tínhamos acabado de voltar de uma lanchonete e parecia o dia perfeito, estava tudo caminhando certo, parecia tudo planejado, mas ai, quando chegamos em casa e eu fui pro meu quarto, eu estava trocando de roupa em frente ao espelho e meu pai me chamou. Quando desci as escadas apressadamente eu vi os dois sentados no sofá, de frente um pro outro, pulei o último degrau, o que fez um pouco de barulho, eles olharam pra mim e me mandaram sentar de frente pra eles.
- Bruno! - disse meu pai um pouco angustiado - Nós queremos falar uma coisa pra você, mas você não deve se preocupar. Tá?
- Umhum - eu disse.
- ok.
E ele passou a bola pra minha mãe. Ele apenas desse "Rosie" e olhou pra ela como se pudessem ler a mente um do outro.
- Bruno, saiba que nós te amamos, e que apesar de tudo você é nosso filho.
- Tá mãe, e o que tem isso a ver ? - eu disse.
- Bom quer dizer que... Nós...Hum... Quer dizer que nós fomos presenteados com você.
- E ?
Eu já estava agoniado, pra que todo esse entrelaçar de palavras?
- Quer dizer que você foi adotado Bruno. - disse meu pai.
Minha mãe cobriu os olhos com o dedo polegar e o indicador, deu um soluço e se debrulhou em lágrimas, meu pai a abraçou e disse que tudo estava bem. E eu, estava vendo àquilo, me sentindo culpado pelas lágrimas que ela derramava.
Não queria mais ver àquilo, não podia mais, então fui novamente pro quarto, cada degrau era um sacrifício, parecia que a escada não ia acabar nunca, mas acabou e eu cheguei a porta do quatro, parei diante dela e olhei para a maçaneta da porta, àquela porta branca com uma maçaneta de um prata relusente, abri a porta com tal força, uma força um pouco exagerada, deitei na minha cama de barriga pra cima, olhando pra luz. E naquela mesma tarde, um tempo depois meu pai veio ao meu quarto e disse que estava tudo bem, me acalentou em um abraço e disse que tudo estava bem, também disse que minha mãe esta muito triste e que depois ela viria pra falar comigo, mas ela não veio, não naquela tarde, nem naquela noite.
E todas essas lembranças, me atingindo como uma maré de maus sentimentos, como agulhas vindo em minha direção, como se eu fosse um grande imã.
E agora, estou olhando pela janela desse avião, olhando as nuvenzinhas brancas no céu perfeitamente azul, a caminho de uma nova cidade, de uma nova casa, de um novo bairro, de novos amigos e de uma nova escola.A aeromoça nos serviu e eu já estava ficando entediado então fui ler. Fazer mais o que nesse avião.
As horas passaram rápido e de repente estávamos a dez minutos do aeroporto, desembarcamos pegamos um táxi e fomos para a lanchonete mais próximas dalí.
Pedi uma pizza com refrigerante.
Meu pais sorriram, olharam pra mim e me perguntaram:
- O que você está achando da cidade ? - disse minha mãe.
- Bem, é linda, disso eu não posso discordar.- eu disse.
- Que bom - houve uma pequena pausa e ela continuou dizendo - bem... Eu...nós - ela se corrigiu - Achamos que como você se comportou bem esse mês, já que não houve brigas nem muitas discussões, então nós vamos lhe dar uma mesada normal.
Olhei pra eles, mamãe estava sorrindo e papai estava terminando seu pastel.
- Sério? Que ótimo - disse eu animado - quanto vai ser a mesada normal?
Eles nunca me deram uma mesada normal, pois como eu disse ,eu "quase" nunca me comporto bem.
-Uns... Quatrocentos eu acho. - disse papai com a boca cheia.
- Uau - eu disse tentando disfarçar a surpresa - Isso parece muito.
- Bem, pra você é muito.
Meu pai sorriu e bagunçou me cabelo com as mãos e disse:
- Vamos pra casa ?
E eu apenas assenti.
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CÉU AZUL
RomancePessoas são cruéis e na maioria das vezes idiotas. No caso de Bruno essas pessoas eram a maioria de sua família. Ele foi adotado e é visto de forma negativa em seu família. assim ele acaba se tornando uma pessoa um pouco amarga. Mas o que é um pouc...