DOIS

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ZOE


Faz dois dias que cheguei a Austin e a única coisa que consegui foi passar mal de calor. O suor escorria pela minha nuca, me deixando cada vez mais desconfortável. Sou acostumada com o sol, mas esse calor parecia castigar minha pele de um jeito cruel.

Estava hospedada num hotel barato, onde o ar condicionado mal funcionava — infelizmente, não podia me dar ao luxo de gastar demais agora.

Almocei num restaurante caseiro onde a comida era divina. Notei que as pessoas daqui adoram um bife suculento, coisa bem diferente da minha dieta usual.

— O que vai querer? — a garçonete perguntou com uma voz arrastada, quase sem ânimo.

— Uma salada mista com filé de frango grelhado — respondi, tentando parecer mais confiante do que realmente me sentia.

— Para beber?

— Suco de laranja, por favor.

Ela sorriu um pouco, e sua animação foi tão contagiante que me deu até sono, ou talvez fosse o tédio insistente que carregava.

Não demorou para meu prato chegar, e o tempero era tão maravilhoso que devorei tudo em minutos.

Depois do almoço, decidi caminhar pela cidade, esperando achar algum lugar que estivesse contratando — não importava se não exigissem experiência, eu não tinha nenhuma mesmo.

Caminhei por um bom tempo, mas não vi nenhuma placa de "precisa-se". A frustração foi crescendo dentro de mim, misturada com uma pontada de decepção.

Avisto um bar com a porta aberta e, cansada e sedenta, resolvo entrar para beber algo e me refrescar.

— Posso te ajudar? — uma mulher com grandes cabelos pretos se aproxima, com um sorriso meio debochado.

— Vim beber algo — respondo, meio sem graça.

— Querida, acho que você está um pouco perdida. — ela solta uma risadinha que me faz franzir a testa.

— Como assim?

— Você não é daqui, né?

— Não.

— Imaginei.

— Qual o problema?

— Aqui é um clube de stripper, ninguém entra só pra beber. As mulheres trabalham, os homens vêm para se divertir — ela explica, olhando para mim como se eu fosse ingênua.

— Eu não sabia — digo, sentindo o rosto esquentar. — A porta estava aberta, então entrei sem pensar.

— Deveria ter prestado atenção na placa.

— Sim, deveria.

— Sou Miranda, e você?

— Zoe.

— Então, Zoe, o que te trouxe até aqui?

— Novos ares.

— Fugindo?

— Não.

— Claro, meninas fugidas aparecem por aqui o tempo todo.

— Eu não disse que sou uma delas.

— Mas eu sei.

— Você nem me conhece para falar assim.

— Não conheço mesmo.

— Melhor eu ir.

— Você é muito bonita — Miranda comenta de repente, me olhando da cabeça aos pés.

MINHA OBSESSÃO ( DEGUSTAÇÃO )Histórias para pegar e não largar. Descubra agora