QUATRO

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ZOE


Na manhã seguinte, eu tomava meu café da manhã quando as lembranças da noite passada invadiram minha mente — tudo parecia meio surreal.

Quem diria que eu dançaria num clube de strip, e que... eu iria gostar? Mas não posso negar que a melhor parte veio depois: a transa com Santiago. Aquele homem sabe exatamente o que faz — e, droga, eu quero mais. Pena que foi embora rápido demais.

Passei a noite inteira pensando nele, no toque das mãos dele, no gosto da pele, no peso do seu corpo sobre o meu. Não consegui dormir direito, meu corpo ainda implorava por mais... por ele.

— Você está aqui — a voz de Miranda corta meus pensamentos.

— Bom dia!

— Se o Santiago aparecer de novo, não transe com ele. — Ela vai direto ao ponto, sem rodeios.

— E por que não? — pergunto, sem entender onde ela quer chegar.

— Menina, ele não é o que você pensa.

— Como assim?

— Ele não vai vir aqui te trazendo flores e chocolates. Vai aparecer só pra trepar com você.

— E se for isso mesmo que eu quero? — rebato sem hesitar.

— Você não aguentaria.

— Ontem eu aguentei bem.

— Ontem ele estava controlado. — Ela me encara séria. — Você ainda não conheceu o verdadeiro Santiago na cama.

— Mas você conhece? — provoco, só pra ver até onde ela iria.

— Sim. Eu conheço. — Ela afirma sem desviar os olhos. — E falo isso para o seu próprio bem. Se ele te procurar, recuse.

Mas Miranda não me engana. Não é preocupação, é ciúmes. Ela não quer me proteger. Ela quer ele. Só que... ele veio até mim.

— Como todos gostaram do seu show ontem, hoje você entra no mesmo horário — avisa.

— Sozinha?

— Sim.

— Okay.

Termino meu café, limpo a bagunça e saio do clube. Com o dinheiro que ganhei ontem, já dá pra comprar roupas novas, talvez algumas lingeries provocantes. Eu mereço.

Eu sei que não deveria... mas gostei dos olhares ontem à noite. Vi desejo. Vi fome. Eles me cobiçaram. E por mais errado que pareça, quero ver aquilo de novo.

Pensar que, quando voltarem para casa e deitarem com suas esposas, será em mim que vão pensar. No meu corpo. Na forma como rebolo. Talvez até levem outras meninas do clube... mas serei eu que vai assombrar seus pensamentos.

**

Me movo devagar pelo palco, rebolando até o chão como se o mundo inteiro estivesse assistindo. Engatinho até a beirada do palco, meus dedos passeando lentamente pelo meu corpo, explorando curvas que aprendi a exibir como arte.

Vejo alguns homens se remexendo desconfortáveis, ajeitando a frente das calças — sorrio, satisfeita.

Me levanto, me inclino para frente, aperto os seios com as duas mãos. Passo a língua pelos lábios e encaro o público. Provocação pura.

A música da Doja Cat chega ao fim.

Antes de sair do palco, olho discretamente em volta, procurando aquele olhar. O homem que me fodeu uma única vez e ainda assim conseguiu bagunçar a porra da minha cabeça.

MINHA OBSESSÃO ( DEGUSTAÇÃO )Histórias para pegar e não largar. Descubra agora