SEIS

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ZOE


Acabo com meu vinho, sentindo o líquido quente e doce escorrer pela garganta, e antes que eu peça, Santiago já preenche minha taça novamente. Levanto o copo e tomo um gole generoso, deixando o sabor intenso e encorpado me envolver. A confusão mistura-se com uma excitação quase palpável dentro de mim — uma vontade contraditória de fugir dali e, ao mesmo tempo, de me lançar de cabeça naquele mistério que ele representa.

— O que mais preciso saber? — pergunto, a voz trêmula, carregada de uma insegurança disfarçada, enquanto tento decifrar cada gesto seu.

— Você não será a única moradora aqui. — Ele me olha fixamente, com um brilho indecifrável nos olhos, como quem desafia minha reação.

Franzo a testa, a dúvida crescendo como uma sombra no meu peito. — Como assim? — questiono, a voz vacilando um pouco. — Quem mais mora aqui?

— Já tenho duas submissas vivendo no apartamento. — responde com a mesma naturalidade de quem fala sobre o tempo, como se aquilo fosse algo simples e corriqueiro.

O nome Miranda surge com força na minha mente, sua voz ecoando com aquela certeza: você nunca será a única. Sinto um arrepio frio subir pela minha espinha.

— E onde elas estão agora? — tento manter o controle, a respiração ficando mais lenta para não demonstrar o choque que me invade.

— Lá em cima, cada uma em seu quarto, respeitando seu espaço e privacidade. — Ele diz isso como se fosse um fato incontestável.

— Então, vou ter um quarto só para mim? — pergunto, como se isso pudesse trazer alguma segurança em meio àquela loucura.

— Claro que sim. — responde, com um sorriso que mistura arrogância e promessa.

Sinto meus olhos revirarem, a tentativa de racionalizar aquela insanidade quase me vence. — Mas por que me quer, se já tem duas? — desafio, querendo entender o que há de tão especial em mim.

— Por que não? — responde simples, como se fosse óbvio demais para precisar explicar.

— Não respondeu. — insisto, cruzando os braços, pedindo a verdade nua e crua.

— Sou um homem que não se satisfaz facilmente. Você veio para completar o que elas não podem. — Ele fala baixo, como quem revela um segredo obscuro. — Há coisas que elas não suportam.

Sinto meu corpo se arrepiar, a noção do que aquilo significava se instalando dentro de mim. — Então quer dizer que, quando não estiver satisfeito com uma, vai procurar a outra? — encaro-o, buscando nos seus olhos alguma hesitação.

— Sim. — diz, firme e sem rodeios.

Engulo em seco. — Por que eu aceitaria isso? — minha voz soa pequena diante do peso da proposta.

— Porque consigo ver o desejo e a curiosidade que você tenta esconder. — Ele aperta minha mão, segurando firme, como se quisesse me convencer de que aquilo era mais que um jogo.

— Isso não significa que eu vá aceitar sua proposta. — respondo, dando outro gole no vinho para ganhar coragem.

— Mas você quer. — insiste, a voz baixa, carregada de uma certeza que me arrepia.

— Talvez. Mas é tudo loucura. — dou um riso nervoso, tentando disfarçar o turbilhão dentro de mim.

— Eu quero você. — ele aperta minha mão com força, olhos intensos. — Mas não vou forçar nada.

— Posso pensar? — pergunto, sabendo que se eu disser não agora, talvez ele desapareça da minha vida para sempre.

— Claro. Quero sua resposta até o final do jantar. — ele é direto, querendo ter o controle da situação.

MINHA OBSESSÃO ( DEGUSTAÇÃO )Histórias para pegar e não largar. Descubra agora