SETE

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ZOE


Acordo no meu quarto novo, um espaço tão luxuoso quanto estranho, mas meu corpo parece pesar uma tonelada e minha mente, um turbilhão de dúvidas. A vontade de levantar simplesmente não existe. Estou tomada por uma mistura sufocante de ansiedade e receio — não sei se estou pronta para encontrar as outras meninas, nem como será essa convivência. Será que elas me aceitarão? Ou me olharão como uma intrusa?

Depois de alguns minutos me debatendo com esses pensamentos, finalmente me arrasto para fora da cama. Meus olhos pousam nas minhas coisas cuidadosamente deixadas no sofá — não percebi quando alguém entrou no quarto para trazê-las. Pego uma roupa com mãos trêmulas e a coloco sobre a cama.

Vou ao banheiro, desejando um banho longo e quente que lave não só o corpo, mas também essa angústia que me corrói. Por um instante, quase me entrego à ideia de me afundar na banheira, mas algo me prende — talvez o medo do silêncio ou das minhas próprias emoções. Decido então tomar um banho rápido.

Envolvo-me na toalha, me visto e começo a secar o cabelo devagar, quase mecanicamente, enquanto minha mente não para de martelar dúvidas e incertezas.

O som súbito de um celular tocando corta o silêncio da manhã. Procuro apressada e encontro o aparelho sobre a poltrona próxima à cama.

— Oi! — atendo, reconhecendo a voz firme e quase ríspida de Santiago.

— Como passou a noite? — a pergunta soa quase um desafio.

— Bem. — respondo com a voz curta, tentando esconder a irritação que cresce dentro de mim.

— Parece irritada.

— Não estou. — Tento manter a voz neutra, embora saiba que não convenço nem a mim mesma.

— Desça e tome café.

— Elas estão lá embaixo? — minha voz vacila, traindo o nervosismo.

— Sim. Estão esperando você para comer.

— E se eu não quiser ir?

— Elas também não comem. Entenda, vocês três terão algumas refeições juntas — o café da manhã é uma delas. Não vai querer começar criando inimizades, não é?

Suspiro, resignada, sentindo o peso da inevitabilidade.

— Já estou indo.

— Ótimo.

— Você vem hoje?

— Ainda não sei.

— Certo.

— Se eu for, você ficará sabendo.

— Tá bom.

— Tenha um ótimo dia, Zoe.

— Obrigada.

Sem qualquer entusiasmo, levanto e desço as escadas. Lá embaixo, duas mulheres arrumam a mesa, cada movimento carregado de uma tensão palpável.

— Olá. — falo baixo, com a voz quase sumindo diante do silêncio pesado.

— Oi, como está? — a loira responde com um sorriso que parece forçado demais para ser genuíno. — Dormiu bem?

— Estou bem, consegui dormir, sim.

— Sou Lana.

— Zoe.

— O senhor disse que você é bonita.

— Obrigada.

Lana era realmente linda: loira, curvas suaves e delicadas, não muito mais alta que eu. Mas seu sorriso doce não chegava aos olhos, e eu percebia uma sombra de descontentamento nela.

MINHA OBSESSÃO ( DEGUSTAÇÃO )Histórias para pegar e não largar. Descubra agora