ZOE
— Você está pronta? — Marina pergunta ao meu lado, com um sorriso gentil no rosto.
— Sim. — murmuro, quase sem voz.
— Então, vamos lá, querida. — Ela segura minhas mãos por um instante, me dando forças.
Acompanho Marina até a sala de espera, onde meus pais me esperam.
Faz um ano desde que decidiram me internar numa clínica psiquiátrica, depois do incidente na cozinha. Onde feri minha mãe, deixando cicatrizes na pele dela. Não muitas, mas o suficiente para serem vistas.
Não me opus à internação; no fundo, sabia que era para o meu bem.
Hoje estou tendo alta, e não sei bem o que vai acontecer quando sair. Durante esse ano, quase não falei com meus pais. Eles vinham com certa frequência, mas eu não queria vê-los. Doía demais saber que causei aquela sequela na minha própria mãe. Chorei por dias, me culpando sem parar.
— Você tem meu número. Se as coisas ficarem difíceis, me ligue o mais rápido que puder. — Marina aperta minha mão direita.
Ela é uma das psicólogas da clínica e me ajudou muito durante esse tempo. Suas conversas fizeram eu repensar minha vida.
— Eu ligo. — respondo, dando um sorriso tímido.
— Não tenha medo.
— É difícil não ter. — sussurro.
Seus olhos transmitem compreensão.
— Seus pais estão ansiosos para te ver.
— Não tenho certeza disso.
— Sei que estão.
Chegamos à sala de espera. Vejo meus pais sentados no pequeno sofá de couro preto, no canto esquerdo da parede.
— Olá. — digo baixinho.
— Filha! — papai é o primeiro a se levantar e me abraçar. Seus braços trazem um conforto imediato.
— Como você está? — mamãe pergunta, abraçando-me rapidamente antes de se afastar.
— Bem.
— Vamos para casa? — ela pergunta, olhando diretamente para papai. Sei que está difícil encarar a mim.
Mamãe entrelaça os dedos com os dele e o puxa para andar. Respiro fundo para conter a raiva que ameaça surgir.
Não posso demonstrar que não gostei, ou vou acabar ficando aqui por mais tempo.
— Obrigada por tudo. — digo para Marina.
— Ligue se precisar. Lembre-se das aulas de ioga, podem ajudar.
— Pode deixar. Adeus.
— Adeus, querida.
Sigo meus pais até a saída. Entramos no carro. O silêncio reina. Papai olha para trás de tempos em tempos, com olhos que escondem forças silenciosas.
Chegamos em casa, pego minha mala e vou direto para o meu quarto. Me jogo na cama, fecho os olhos, e inspiro fundo — o cheiro de roupa limpa invade meu nariz, me trazendo uma sensação estranha de conforto e vazio ao mesmo tempo.
— Sei que você ficou fora por muito tempo, mas não precisa se sentir uma estranha na sua própria casa — ouço meu pai dizer, a voz calma tentando alcançar algum lugar dentro de mim.
— É meio difícil — respondo, sem abrir os olhos, sentindo o peso de tudo que ficou pra trás.
— Estamos aqui para o que você precisar.
— Obrigada — murmuro, querendo acreditar.
— Vou deixá-la sozinha. Quando o jantar estiver pronto, eu venho chamá-la.
— Okay.
Fico sozinha de novo. A ansiedade me domina, respiro fundo várias vezes até tentar me controlar, mas é como tentar segurar a tempestade que quer explodir por dentro.
Na hora do jantar, sentamos os três à mesa. Mamãe não ergue a cabeça em nenhum momento, com o olhar fixo na comida, como se tentasse afogar o que sente ali.
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MINHA OBSESSÃO ( DEGUSTAÇÃO )
RomanceSe você está esperando um romance bobinho... melhor parar por aqui. Essa não é uma história de flores e chocolates. É um pacote completo de insanidade - e prazer. O mocinho? Santiago Holloway. Intenso, caótico e perigosamente viciante. E a mocinha...
