Capítulo 3

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Chegou o dia de fazer compras.

Ir ao mercado quando eu era criança era uma das coisas que eu mais gostava.

As prateleiras com milhares de doces, o carrinho de supermercado que pra mim era um carro super veloz, as pessoas simpáticas e os iogurtes, aaa principalmente os iogurtes. O meu único objetivo era chorar para minha mãe comprar um iogurte diferente que eu nunca havia comido antes e que certamente não iria gostar, mas mesmo assim eu queria porque a embalagem me agradava.

Mimado? Talvez.

Mas agora é diferente, eu tenho 30 anos. E não posso comprar algo comestível só porque gostei de sua aparência, seria loucura e desperdício.

Pego minha carteira preta e a coloco no bolso do meu sobretudo bege que estou usando e saio de casa. Olho para direita e vejo um caminhão de mudanças, minha feição muda no mesmo instante, não acredito que vou ter que aturar um vizinho de agora em diante.

Será que eu devo o assustar de noite? Enviar uma carta o ameaçando?

Muito arriscado.

Balanço minha cabeça para os pensamentos irem embora.

☕︎☕︎☕︎

O mercado está bastante cheio. Há pessoas em todas as partes, a maioria delas estão usando roupas de inverno.

Vou até ao local que fica os vegetais e pego brócolis. Amo comer brócolis, ele combina com tudo, acho que todos deveriam come-lo.

Ando pelo mercado adicionando várias coisas em meu carinho.

Humm será que devo comprar chocolates?

Vou na área dos doces e, pego 10 chocolates 5 deles é chocolate branco.

Talvez eu tenha exagerado.

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Chego no meu portão e só penso lar doce lar.

Olho para direita e vejo que o caminhão de mudança já não está mais ali, e estranhamente não há nenhum barulho vindo da casa do meu novo vizinho.

Tomara que tenham desistido de morar aqui.

Confesso que amaria se isso fosse o caso.

Entro na minha casa e já sinto o cheiro familiar.

Minha cozinha americana, ela é tão venusta.

Suspiro.

Ponho as sacolas que estavam em minha mão no balcão branco da minha cozinha e, começo a retirar as coisas que comprei. Logo após organizei elas no meu armário preto.

Olho meu relógio e vejo que é 12:13. Está na hora do almoço, vou fazer lasanha de brócolis com molho branco.

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Estava realmente delicioso o almoço. Agora que terminei vou ler um livro.

"Pessoas normais". leio o nome do livro.

Parece ser bom, fala sobre dois jovens que vão enfrentar a eletricidade do primeiro amor em meio às sutilezas das classes sociais e dos problemas familiares.

— E lá vamos nós. – Falo em voz alta com entusiasmo.

"Janeiro de ...."

Uma música muito alta começa a tocar, e tira o meu foco. O que seria isso? Beatles?

QUEM OUVE BEATLES??

Por que esse vizinho insolente está ouvindo música a essa hora? ESTÁ DE TARDE! HORÁRIO QUE TODOS QUEREM PAZ!

POR QUE A MÚSICA ESTÁ TÃO ALTA?

— AAAAAAAAAAAA. – Grito tampando meus ouvidos com minhas mãos. — Vicino di merda! Persona di merda! Darò fuoco alla tua casa!

Levanto do sofá, abro a porta sem delicadeza e vou em direção a casa do vizinho, cada passo que dou a minha raiva aumenta, sinto minha pálpebra tremendo e isso me incomoda ainda mais. Em segundos fico frente a frente a porta, e começo a bater, descontando toda a minha raiva nela, em instantes a porta se abre revelando uma mulher de cabelos castanhos escuros com olheiras profundas e com um olhar confuso, seu cabelo está em um coque desarrumado e as suas roupas são simples, largas e tortas, parece uma mendiga.

— Você está louco? Por que está batendo na minha porta desse jeito? – Diz a vizinha com a voz exaltada.

— Hahaha. Agora eu sou o louco? - Solto uma risada com escárnio. – A senhora acha que é a única que mora aqui para colocar essa música tão alta?

— Primeiramente não sou senhora, segundamente eu não vi escrito em nenhum lugar que aqui não pode ouvir música alta, e terceiramente não vou abaixar a música. Passar bem! – Fala rudemente e logo após fecha a porta na minha cara.

A raiva que havia em mim duplicou eu poderia facilmente quebrar a porta de tanto ódio, mas eu não posso fazer isso.

— AAAAAAAAAA CAZZOOO. – Bato na porta e grito tentando amenizar a minha raiva. - PAZZO, ARROGANTE, RIDICOLO , MENDICANTE! TI FARÒ CAUSA!

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Idioma: Italiano

Tradução:

Vicino di merda! Persona di merda! Darò fuoco alla tua casa! = Vizinho de merda! Pessoa de merda! Vou colocar fogo na sua casa!

Cazzo = Porr*

Pazzo, arrogante, ridiculo, mendicante! Ti farò causa! = Louco, arrogante, ridículo, mendigo, vou te processar!

Glossário:

Venusta: É o feminino de venusto. O mesmo que: bonita, formosa, bela, graciosa, esbelta, airosa, garbosa, jeitosa.

Escárnio: Atitude ou manifestação ostensiva de desdém.

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