- Uma parte de sua jornada acabou e outra começa, a guerra chegou à Rohan, precisamos ir a Edoras o quanto antes. - Gandalf disse, enquanto nos conduzia por entre a floresta.
- Encontramos com alguns cavaleiros de Rohan em nosso caminho, liderados por Éomer, sobrinho do rei Théoden. - Eu disse - Suas notícias me preocuparam. Ele nos disse que o rei foi dominado por Saruman, não consegue mais distinguir seus aliados de seus inimigos. Nosso caminho é perigoso, não devemos esperar nenhuma hospitalidade em Rohan.
- Perigoso porém necessário. Rohan é conhecida por seus cavalos, os mais velozes de toda Terra Média. Não será fácil conseguir o apoio do rei Théoden, se as notícias são verdadeiras, mas mesmo assim esse é o nosso caminho. Se não pudermos conseguir aliados em Rohan, não teremos esperança em nossa guerra. - Gandalf respondeu.
- Ir à Edoras é uma longa viagem! - Gimli exclamou. - Então viemos até aqui para nada? Vamos abandonar aqueles pobres hobbits nesta floresta horrível, escura e infestada de árvores.
O tremor das árvores soou a nossa volta, fazendo com que Gimli pulasse com o susto.
- Quer dizer, encantadora! Floresta muito... encantadora. - Ele completou.
A sombra de um sorriso passou pelo rosto de Legolas, mas ele segurou a risada. Gandalf se virou.
- Não foi apenas o acaso que trouxe Merry e Pippin para Fangorn. Um poder imenso está adormecido aqui por muito anos. A vinda de Merry e Pippin será como o rolar de pequenas pedras que dão início a uma avalanche nas montanhas.
- Em uma coisa não mudou nada meu amigo. - Disse Aragorn - Continua falando em enigmas.
Os dois riram, mas eu me coloquei a pensar sobre as palavras de Gandalf. Podia sentir o grande poder do qual ele falava, as árvores de Fangorn, os Ents. Eram vivas, embora ao seu próprio modo. Possuíam sua própria língua e seu próprio tempo, não tinham relação com o resto do mundo. Mas algo na presença de Merry e Pippin as acordara, como a avalanche a qual Gandalf se referia. As árvores acordaram, e agora poderiam ter um importante papel em nossa guerra.
Sim, eu pensei. Gandalf sempre fala por enigmas. Mas por trás deles, há sempre palavras claras, sempre uma solução que nos parece óbvia depois que descoberta. O difícil é conseguir encontrá-la pela primeira vez.
- Algo está para acontecer, que não acontece há muito tempo. - Gandalf completou, o que só aumentou minha confiança em meu raciocínio. As árvores acordariam, depois de todo aquele tempo.
- Os Ents vão acordar. - Eu disse. Não era uma pergunta. Gandalf assentiu, com um sorriso.
- E descobrirão que são fortes. - Ele completou.
- Fortes? - Gimli repetiu, irônico - Oh, que ótimo.
- Não se preocupe mestre anão. Merry e Pippin estão seguros. Na verdade, estão mais seguros do que vocês estarão em breve. - Gandalf disse por fim, antes de se virar e voltar a andar.
- Esse novo Gandalf resmunga mais que o outro. - Gimli comentou, indo atrás do mago.
Eu sorri para o anão, e dei um tapinha em seu ombro.
- Que bom que já estamos acostumados não é mesmo? - Eu disse.
Me adiantei até Gandalf, que liderava o grupo. Abaixei minha voz até que apenas ele a pudesse escutar, e disse:
- Acho que me deve algumas explicações, Gandalf. - Eu disse, mantendo meu tom de voz leve, não querendo levá-lo a pensar que estava zangada - O anel.
- Ah, o que posso dizer que ainda não saiba? - Ele disse, num tom brincalhão - Caso ainda não tenha certeza, o que eu duvido, esse é Narya, o anel do fogo, um dos três anéis forjados por Sauron para os elfos. Eu o recebi de Círdan, um elfo Telerin, e venho portando-o desde então.
- Então o têm a muito tempo. Como nunca percebi? Durante todos esses anos...
- Essa é a magia do anel Aerin. Não vai percebê-lo a menos que o esteja procurando especificamente. O anel têm sua própria forma de proteção, mesmo que não muito útil contra aqueles que o cobiçam. Assim que decidi lhe mostrar, você se tornou capaz de vê-lo, assim como penso que provavelmente fez com alguns dos outros.
Eu assenti.
- As vezes pensei ter sentido que o anel exercia seu poder em mim. Parecia queimar em minha mão, não de forma desagradável. Mais como um aviso. Como se me desse forças para continuar, para prosseguir mesmo nos piores momentos.
- Ah sim, esse foi um dos motivos pelos quais lhe dei ele. Seus poderes são desconhecidos, mas me lembro claramente das palavras que Círdan disse ao entregá-lo a mim. "este é o Anel de Fogo, e com ele você poderá reacender corações num mundo que se esfria". E é o que realmente provou fazer. Tenho certeza que o anel merece parte do crédito em muitas de minhas façanhas, já que consegui convencer muitos a me escutarem. - Gandalf fez uma pausa, e eu continuei atenta a suas palavras - Mas esse não foi o único motivo pelo qual eu o entreguei a você. Como acredito que percebeu, eu já suspeitava da presença do Balrog nas minas de Moria. Sabia que o poder do anel poderia me ajudar em minha batalha, mas que ao mesmo tempo seria muito perigoso que caísse em mãos erradas. Por fim, decidi deixá-lo em segurança, e julguei que você seria a pessoa mais adequada para carregá-lo. E vejo que não me enganei.
- Isso é bom. - Eu disse - Mas me deixou com grandes dúvidas Gandalf. Não sabia o que deveria fazer com o anel quando pensei que tivesse morrido, e não me sentia no direito de mantê-lo para mim. Pensei em entregá-lo para a senhora Galadriel, mas ela me disse que ficasse com ele.
- Pelo contrário Aerin, se eu estivesse realmente morto, você teria todo o direito de ficar com ele. Quem mais adequado para carregar um dos três do que um elfo, especialmente um tão próximo de Elrond, portador de Vilya, o anel do ar?
- Bom, mas você não está morto, felizmente. - Eu ri - Apesar de ter me causado uma das piores dores pelas quais já passei, continuo o admirando tanto quanto sempre Gandalf. E agora que está de volta, acho que devo lhe devolver o anel. Fico feliz por ter cumprido meu propósito, e por poder tê-lo mantido em segurança.
- Agradeço seu favor Aerin, mas se não se importar, prefiro que continue com o anel. Algo me diz que precisa mais dele do que mim. Que ele não deixe seu coração fraquejar, minha cara. - Gandalf sorriu, e nesse momento senti como se ele pudesse ler minha mente.
Eu me lembrei do espelho de Galadriel, e de suas palavras naquela terrível noite.
- Tudo bem. Acho que posso carregá-lo por mais algum tempo. - Eu disse, agradecendo a Gandalf mentalmente.
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O Retorno do Anel #2
FantasíaA sociedade está separada. Aerin carrega um grande segredo, que além de cultivar seu medo, carrega seu destino iminente. Agora longe de Frodo e Sam, ela segue um caminho diferente na guerra do anel, partindo em busca de seus amigos capturados. Enqua...
