Nessa hora, os guardas postados nas paredes correram em nossa direção, suas espadas em punho. Aragorn não perdeu tempo, acertando o primeiro homem que se aproximou com um soco. Essas eram as únicas armas que tínhamos. Nossas próprias mãos.
Felizmente, os guardas não eram tão habilidosos, e foi fácil desviar de seus golpes, e acertá-los quando menos esperavam. Derrubei dois deles, e olhei em volta, procurando um novo alvo. Foi quando vi um guarda se aproximando correndo de Legolas por trás. Abri minha boca para avisá-lo, mas não foi preciso. O elfo ergueu seu punho, e acertou o guarda sem nem mesmo olhar para trás.
Sorri, e me virei para o único homem ainda de pé no meio da sala. O homem de cabelos negros que agora eu percebia se tratar de Gríma Língua de Cobra, de acordo com o homem que nos recebera na entrada. Acertei-o com um soco, e o derrubei ao chão facilmente. Ele claramente não era um lutador. Peguei uma espada de um dos guardas caídos, e apontei-a diretamente para ele, encostando a ponta afiada em seu pescoço. Por um momento senti como se já tivesse vivido esse momento, me lembrando de quando tinha feito exatamente a mesma coisa com Alfred na cidade do lago.
- Um movimento em falso, e será o seu último. - Eu disse rispidamente. O olhar no rosto de Gríma era de puro ódio, mas ele não se mexeu nem um centímetro.
- Théoden, filho de Thengel! - A voz de Gandalf reverberou pelo salão como se estivesse sendo amplificada. Eu me virei para vê-lo caminhando lentamente em direção ao rei Théoden, sem nem um segundo baixar a guarda sobre Gríma, ainda encolhido no chão.
- Há muito tempo está sentado nas trevas. - Gandalf continuou, parando em frente ao rei. - Escute-me! - Théoden virou seu olhar para Gandalf, um olhar vazio e oco, como se não houvesse nada de humano por trás de seus olhos. Estavam vazios, como se ele estivesse morto. - Eu o liberto do feitiço! - Gandalf disse, com a mão erguida em direção a ele, e os olhos fechados.
Théoden não se mexeu. Ao invés disso, começou a gargalhar, sua risada seca e sem vida ressoando pelo salão. Eu engoli em seco. De certa forma, o estado do rei me deixava perturbada.
- Você não tem poder aqui, Gandalf o Cinzento! - O rei disse, sem parar com sua risada enlouquecida nem por um segundo.
Foi então que Gandalf se livrou de seu casaco, revelando suas vestes brancas por baixo do disfarce cinzento. Théoden parou de rir, e seu olhar passou de confuso para temeroso em um segundo.
- Vou extraí-lo Saruman! - Gandalf disse, sua voz ainda mais alta - Como o veneno é extraído do ferimento!
Então ele apontou o cajado para Théoden. Ele pareceu ter um espasmo na cadeira, antes de começar a grunhir como um animal ferido. Ele encarou algo atrás de Gandalf. Vi uma figura passar correndo em direção ao rei, antes de Aragorn detê-la. Era uma mulher.
Théoden a encarou por um segundo, antes de voltar seu olhar para Gandalf,
- Se eu for. - Ele disse - Théoden morre. - Percebi naquele momento que era Saruman quem dizia aquelas palavras. Senti uma onda de desgosto, enquanto inconscientemente espetava a espada em minha mão mais fundo na garganta de Gríma. Senti ele vacilar por um segundo, mas continuou sem se mexer.
- Você não me matou. - Gandalf respondeu - Não vai matá-lo!
- Rohan é minha! - Saruman disse, mas eu percebia que sua voz ficava mais fraca, enquanto o feitiço de Gandalf ganhava força.
- Vá embora! - Gandalf ordenou, e foi quando num salto, o rei se levantou da cadeira, e com um urro correu na direção de Gandalf.
O mago não vacilou, e ergueu seu cajado uma última vez, lançando o rei para o chão. Nesse momento, Aragorn liberou a mulher, que correu até Théoden, se ajoelhando ao seu lado no chão. Observei fascinada, enquanto o rosto de Théoden mudava. Seus cabelos brancos encurtaram até a altura dos ombros, e se tornaram dourados como o sol poente. Seu rosto se transformou, se tornando mais jovem. Seus olhos voltaram a vida, tomando a cor de um castanho escuro. Mas a maior mudança foi em seu semblante. Onde antes parecia haver um homem entre a vida e a morte, agora havia o rosto de um governante forte e justo.
- Conheço seu rosto. - Ele disse, olhando para a mulher que sorria a sua frente. Sua voz era agora firme - Eowyn. - Ele disse, um sorriso se abrindo em seu rosto.
Ele então se virou para nós lentamente, como se tivesse vergonha em nos encarar.
- Gandalf. - Ele disse.
- Respire o ar da liberdade, meu amigo. - O mago respondeu, a sombra de um sorriso passando por seu rosto. Théoden se levantou.
- Sonhos terríveis eu tenho tido. - Ele disse. Então olhou para a própria mão, como se ainda estivesse tentando entender o que acontecera.
- Seus dedos se lembrariam melhor de sua força de outrora, se pegassem em sua espada. - Gandalf disse.
O guarda que nos recebera na entrada estendeu a bainha de uma espada para Théoden. Ele estendeu a mão para a arma, e a ergueu lentamente, admirando o brilho dela. Nesse momento, senti Gríma se mexer, e soube imediatamente o que passava por sua cabeça. Pisei em seu peito com força, fazendo-o cair de volta ao chão com um grunhido. Percebi que de seu pescoço, saía uma fina linha vermelha, onde eu havia espetado a espada em seu pescoço.
- Nem pense nisso. - Eu sibilei.
Théoden caminhou até mim, com a espada em mãos. Ele olhou para mim, e depois para Gríma com um olhar sugestivo. Eu assenti, tirando meu pé de cima dele, e o agarrando pelo colarinho, obrigando-o a se levantar. Théoden imediatamente o agarrou, e começou a arrastá-lo para o lado de fora. Eu ergui as sobrancelhas, e o segui para fora junto com os outros.
O rei jogou Gríma nas escadas em frente ao palácio. O homem rolou alguns degraus, indo se espatifar no chão embaixo.
- Eu servi somente ao senhor, meu rei! - Ele gritou, em desespero.
- Seus feitiços me teriam deixado rastejando como um animal! - Théoden disse, sua voz repleta de raiva.
- Não me envie para longe do senhor! - Gríma implorou, se arrastando cada vez para mais longe do rei, que caminhava em sua direção com um olhar decidido.
Mas não era isso que Théoden tinha em mente, eu percebi assim que o rei ergueu sua espada acima de sua cabeça. E ele estava prestes a descê-la sobre Gríma quando foi impedido por Aragorn.
- Não meu senhor! - Ele disse. - Deixe-o ir. Já houve muito sangue derramado por causa dele. - Aragorn estendeu sua mão para Gríma, mas ele cuspiu e se levantou sozinho. Então imediatamente se virou, e saiu correndo para longe.
- Ele vai atrás de Saruman. - Eu disse - Como um cachorrinho atrás de seu dono.
Legolas assentiu ao meu lado.
- E não será bem recebido. - ele disse.
Eu virei meu olhar para a multidão que se reunia do lado de fora do palácio, todos olhando com admiração para o rei.
- Salve Théoden rei! - Eles gritaram, enquanto um por um se ajoelhavam a frente dele.
Théoden olhou em volta, seu olhar parecia procurar por algo.
- Onde está Théodred? - Ele perguntou, seu olhar vidrado - Onde está meu filho?
Vi o semblante de Eowyn se fechar, e nesse momento senti um aperto frio em meu coração.
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O Retorno do Anel #2
FantasyA sociedade está separada. Aerin carrega um grande segredo, que além de cultivar seu medo, carrega seu destino iminente. Agora longe de Frodo e Sam, ela segue um caminho diferente na guerra do anel, partindo em busca de seus amigos capturados. Enqua...
