Pov Rosé
Cansada, essa era a palavra que me definia.
Acho que estou sempre cansada, já deve ter virado hábito falar isso.
Comprei um café e corri para a floricultura.
Ontem fiz um show, e hoje novamente tenho outro, quase não dormi, e estou aqui chegando para trabalhar.
Abri a floricultura com a mão tremendo, quase não acerto o buraco da fechadura.
Ouvi latido de um cachorro, olhei para trás, vi Lalisa correndo em minha direção, com dois cachorros.
Literalmente correndo, ela estava com roupas de educação física. Um short curtinho preto de Tactel, um top, tênis com meia até a canela. Gente bonita, que sabe que é bonita.
— Arrumou outro cachorro?
Sorri para o bichinho peludo, lambendo meus pés.
— Meio que achei ele ontem na rua. Ainda nem dei um nome a ele, na real, acho que vou doar ele a alguém.
Me agachei, alisei a cabeça dos dois que implorava por minha atenção.
— Posso dar um nome a ele?
— Ah... Claro! É estranho chamar ele de pulguinha.
Comecei a rir de Lisa.
— Não consigo acreditar que você chama o cachorro da sua irmã de pulguento, e um cachorro de rua de pulguinha, criativa.
— Então, como chamo ele?
Lisa tinha as duas mãos na cintura. Observei uma gota de suor escorrendo pela barriga dela. Misericórdia. Mudei a atenção para os cachorros de novo.
— Hank, vamos chamar ele de Hank. – O cachorro no mesmo momento soltou um latido, e pulou em cima de mim, como se tivesse entendido.
Cai deitada no chão com Hank e Kuma em cima de mim.
— Parece que ele gostou de você afinal.
— Você vai doar ele, Lisa?
— Se você quiser... Ele é seu. Bom que não perco contato com ele.
— Sério? – Falei empolgada.
Faz tanto tempo que queria um cachorro.
— Ele está fazendo um tratamento, amanhã tem consulta com veterinário de novo. Passo aqui para o pegar.
— É muito caro o tratamento dele?
— Não se preocupe, eu vou arcar com o tratamento dele. Só preciso de um lar para ele, pois não tenho como cuidar de um cachorro.
— Viu Hank? Você agora é meu animalzinho!
Hank soltou um latido, Lisa ficou rindo.
— Você vai querer flores hoje?
— Sim, quero margaridas.
Entrei na floricultura, olhei logo se estava tudo certo, e fui montar o buquê de flores para Lisa.
Hank e Kuma corriam pela floricultura, enquanto Lisa estava sempre ao meu lado fiscalizando tudo que eu fazia.
Terminei o buquê, passei o cartão dela, quando fui entregar as flores ela não aceitou.
— São para você, acho que não tenho nenhuma amizade real, a maioria das pessoas que se aproximam de mim é por eu ser uma princesa, talvez você seja o mais perto de uma amizade, nunca se importa com títulos que possuo, e sempre me tratou como alguém comum, eu gosto disso. As margaridas representam amizade, pureza, sensibilidade e também inocência.
Fiquei sem palavras, apenas sorri para ela e aceite as flores. Realmente deve ser difícil para ela, por mais que ela ame esse título e a fama, deve ser cansativo não ter ninguém de confiança ao seu lado.
— Obrigada Lalisa, é muito honesto da sua parte. Por mais irritante que você seja com esse ego, você é uma boa companhia.
Ela sorriu e se aproximou de mim.
— Posso te dar um abraço?
Engoli em seco com a pergunta inesperada e principalmente a pergunta. Depois de Suzy nenhuma mulher me abraçou.
— Você quer... Me abraçar?
— Tudo bem se você não quiser... É que... Sei lá... Deu vontade de te abraçar. Sabe? Pra... É... Pra selar a amizade... – Ela coçou a nuca nervosa. — A que bobagem, deixa isso para lá.
Lisa já ia saindo, eu ri alto e a puxei pelo braço.
Nossa alturas era bem parecidas, deu um encaixe perfeito no abraço, minha cabeça na curva do pescoço dela e a dela na curva do meu, nossas corações estavam na mesma altura. É... Não foi tão ruim abraçar novamente uma pessoa.
— Você está bem nojenta, toda suada, princesa Lalisa.
Lisa riu, meus ouvidos amaram ainda mais aquele som de tão perto.
— Que azar o seu, acho que é a primeira pessoa que me abraça nessas condições.
Nos separamos, Lisa deixou um beijo na minha testa.
— Até amanhã Roseanne.
— Amanhã é domingo, floricultura não abre. Nem costumo abrir nos sábados, hoje foi uma excessão.
— Ah... Qual é? Amanhã não vou comprar flores?
— Até segunda Lalisa...
— Até segunda Roseanne... – Ela já ia saindo, parou e se virou. — Você poderia me dar o seu número? Sabe, te dei um cachorro, queria saber notícias dele sempre...
Sorri com a desculpa dela, peguei um papel e rabisquei meu número.
Lisa enfiou o papel no bolso do shorts e saiu com Kuma, deixando Hank comigo.
— Agora é nós dois carinha...
Passei o dia inteiro na companhia de Hank, vendi mais três buquês de flores o que se resumiu a um dia de bom rendimento.
Depois do meu expediente, fui para casa com Hank nos braços, assim que entramos no apartamento ele soltou um latido, Jimin sentou rapidamente no sofá.
— Caraca que susto, de onde veio esse animal?
— É meu.
— Seu? Onde tu achou esse cachorro?
— Meio que ganhei...
— De quem?
Jimin levantou e pegou Hank no colo, já foi brincando com ele e virando melhores amigos.
— Am... Uma cliente.
— Uma cliente te doou um cachorro do nada? Nem é um filhote Roseanne.
— Ela achou ele na rua, precisava de um lar para ele, eu sempre quis um cachorro, você sabe.
— Tá, okay. Só por que amei ele.
Fui no meu quarto tomar um banho, vesti uma camisa preta de banda bem larga, coloquei um shortinho por baixo e um tênis branco, quando terminei de me arrumar, peguei meu violão e coloquei na capa.
Vamos lá para mais uma noite amigão, dessa vez em um barzinho de classe alta.
Primeira vez que vou nesse lugar, expectativas altas, e o cachê é ótimo também. Preciso dar meu melhor para ser chamada outras vezes.
— Jimin tô saindo!
— Cuidado viu princesa?
— Te amo Jimini, não abra a porta pra estranhos e cuide do meu cachorro.
— Beijo!
Fechei a porta e sai para mais uma noite, vamos lá fazer o que a gente gosta Roseanne.
(.) (.)
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Princesa Da Tailândia
FanfictionPrincesas ainda existem? Rosé passou a vida inteira em busca do seu príncipe encantando, e quando ela menos esperava, quem esbarrou com ela foi uma princesa. Princesa essa bem diferente de como Rosé desenhava uma. Lalisa chegou com sua arrogância...