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Vinícius Jr.
Depois do jogo não fiquei muito tempo no estádio e vim direto pra casa, tava cansado e só queria tomar banho e relaxar. Mas, muito pelo contrário.
Richarlisson me enviou uma mensagem estranha "sinto muito irmão, o que você quiser fazer com esse pau no cu, tô aqui!", respondi com uma interrogação e ele me enviou um link do jornal da Espanha.
Enquanto lia aquela merda, cada músculo do meu corpo foi tensionado e minha mente voou para minha época de pivete, quando todos aqueles comentários me afetavam por dias, e eu jurei que jamais iria acontecer novamente.
Pelo menos eu achei que não iria. É estranho está nessa situação e não poder ir até a pessoa e bater nela até que todos os dentes estejam fora da boca. É uma merda não ter o que fazer.
Meu celular começou a apitar sem parar, eram inúmeras mensagens no Whatsapp e SMS. Minha mãe tentou me ligar umas 5 vezes e depois parou. O presidente do clube me mandou mensagem e mais incontáveis secretários. Não quero responder ninguém.
Levantei da cama e joguei o celular nos travesseiros, nem depois de colocar no silencioso, parou de fazer barulho, estava me irritando. TUDO, estava me irritando.
Tirei a roupa e decidi tomar outro banho. Dessa vez gelado, preciso esquecer disso, tenho que esquecer daquelas palavras, não é justo!
Chorei!
Depois da tentativa falha de esfriar a cabeça, sentei na cama ainda de toalha e peguei no celular mais uma vez, inúmeras mensagens na minha barra de notificação, mas um contato me chamou atenção.
Laurinha Brasileirinha. "Oi Vini, sei que é uma pergunta idiota, mas vc tá bem?? Tá a fim de conversar?"
Obrigado por tentar me tirar dessa atmosfera. Respondi um sim e ela me chamou pra ir na casa dela.
Vesti a roupa e passei perfume e desodorante, não quero chegar lá fedido, vai que ela me abraça?
Sai de casa trancando tudo e olhando o celular mais uma vez pra colocar o endereço no gps.
Madrid já estava esfriando, em comparação ao calor infernal que estava fazendo, tudo estava indicando o final do EuroSummer. A casa dela não era longe da minha, faço esse trajeto todos os dias, pra dar carona a dondoca.
Cheguei e ela estava na varandinha me esperando, jogou as chaves e eu entrei. Era a primeira que estava no interior do prédio dela.
***
- Acho que amanhã você terá muito trabalho - Falei olhando pra ela encostada no sofá e comendo o yakisoba.
- Ah, meu trabalho, pode deixar que o Real Madrid vai tomar todas as medidas judiciais cabíveis, isso o clube tem jeito. O que me preocupa é que infelizmente não vai ser a primeira vez - Sentou me olhando.
- Infelizmente mesmo! Não tenho nada mais que fazer, além de tomar medidas judiciais e apelar nas redes para que isso pare. - Tocou no meu ombro.
- Tô aqui com você, o que você quiser fazer, estou aqui! - Peguei a mão dela e dei um beijo.
O clima mudou, isso ficou óbvio. Ela corou ainda em transe em resposta a minha reação.
Burro! Burro!
- É... - Tentei mudar o assunto.
- Você já foi? - Olhou pra TV.
- Pra PodCast? - Ela balançou a cabeça. - Nunca, tenho vontade mas a agenda nunca bate com o PodPah. Quem sabe um dia.
- Seria tudo, você que ama falar, seria incrível - Rimos.
- Não sou muito de entrevista, nem coletiva de imprensa, mas acho que me sentiria confortável com eles. - Sorri.
- Deve ser o astral, sei lá, a intimidade sabe?! - Concordei.
- Você daria uma boa jornalista. Nunca pensou em fazer jornalismo? - Ela negou.
- Apesar das pessoas sempre me associarem, eu nunca tive vontade, acho muito complexo e exposto, você faz uma coluna, tem seu nome, faz uma entrevista tem sua cara lá, gosto do meu trabalho porque eu nunca apareço.
- Acho que somos opostos, eu sempre pensei no prazer de jogar num estádio lotado gritando "Vini" - Dei os ombros.
- E olha só, realizou, joga no melhor do mundo, deve ser muito bom esse reconhecimento, né?!
- Sim! Melhor ainda sabendo que inspiro crianças da favela que eu vim.