Az usou um lençol para cobrir Helion melhor, deu um beijo carinhoso em sua testa e se afastou. Dormia tão tranquilamente que não quis acordá-lo e também não queria dizer para onde estava indo. Verificou as armas que levava e deu uma última olhada no parceiro antes de atravessar em direção à área sob a montanha.
Não conseguia atravessar uma distância tão longa de uma vez, então atravessou até uma parte desabitada da corte Crepuscular e voou o resto do caminho. Haviam combinado de se encontrarem em um local neutro e isolado para não levantar suspeitas e não serem interrompidos. Assim que Az chegou fez uma vistoria na floresta afim de checar se era realmente seguro e confirmar se Eris não havia quebrado sua parte no acordo. Quando o Feérico chegou, parecia abatido. Tinha um semblante tempestuoso, pensativo... Az sentiu que estava algo errado.
— E pensar que um dia você entraria em contato comigo... o que aconteceu com o antigo Az ? — Eris disse com deboche.
— Não estou aqui para brincar — respondeu tenso.
Estava de bom humor quando deixou Helion, mas os resquícios dessa sensação estavam começaram a se esvair. Eris fungou descontente e colocou as mãos nos bolsos. Az notou que até sua postura pareceu menos confiante.
— Sempre tão rigoroso e rígido — se encostou contra uma árvore — sabia que se ficar com a cara amarrada assim o deixa menos atraente — falou fatigado.
O encarou, se sentia desconfortável em estar ali. Sabia que estavam sozinhos, mas ainda sim se sentiu observado, inqueito. Eris pareceu notar e suspirou, cansado.
— Foi aqui que tudo começou... foi aqui que seu Grão-Senhor passou cinquenta anos sendo a puta da Amarantha. Onde toda Prythian se curvou aos pés de uma vagabunda — disse com desgosto e com um olhar distante.
O Illyriano franziu o cenho com as palavras do outro, seu humor estava piorando.
— Eris — usou um tom de aviso.
— Eu sei, eu sei, se continuar a falar assim você vai me matar e vai fazer isso lentamente para que eu sofra e bla bla bla — disse abanando a mão e se afastando.
— Qual é a merda do teu problema ? — Az perguntou surpreso.
— Estou apenas dizendo — respondeu com um ar exasperado.
Az sentiu pela primeira vez em toda sua vida que estava vendo um lado honesto de Eris... não gostou da sensação.
— Já se foram séculos e ainda me odeiam, mas quando calha, sempre me pedem ajuda. Não confiamos uns nos outros e mal sabemos como conversar sem ser ameaças e intrigas... então, qual é o ponto de tudo isso ? Onde tudo isso vai levar ? — perguntou com sinceridade.
— Que porra você tá falando ? — Az rebateu sombrio.
— Eu sei que sou um cuzão e um grande merda, mas você não sabe nada do que aconteceu naquele dia, nunca soube e mesmo assim me odeia — Eris disse pensativo — outros também me odeiam e eu nem sei o motivo — riu amargo e ficou por alguns minutos em silêncio — às vezes eu desejei que me matasse, torci pra isso acontecer — falou mais para si do que para o outro — mas o mundo em que vivemos os impedem de me matar... ou melhor, nunca tiveram coragem o suficiente para fazer, então aqui estamos nós de novo, mesmo se odiando — suspirou e se virou para Az.
Az piscou, estava tão confuso e surpreso que não sabia muito bem como reagir. Não queria ter esse tipo de conversa com Eris. Não estava interessado nos pensamentos suicidas que esse bastardo tinha... pouco se importava se ele estivesse cansado ou solitário, merecia cada segundo de sofrimento que recebia.
— O que aconteceu com você ? Em algum momento dei a entender que somos aliados ou que ouviria você ? — perguntou inquisitivo e com repulsa.
Eris não reagiu, fechou os olhos, encostou a cabeça contra o tronco e riu com zombaria.
— Desabafando com o inimigo... o que eu me tornei — fechou os olhos — tem razão, seu querido Helion foi atacado por alguém da Corte Outonal e você precisa de informações, então desde que eu tenha respostas, não interessa o que acontece comigo — Eris cambaleou um pouco.
— Estou pouco me fodendo com o que acontece ou deixa de acontecer com você, por mim já tinha lhe matado a muito tempo, homens como você são apenas lixo — disse praticamente cuspindo as palavras. A esse ponto seu humor estava completamente arruinado — Não sei se foi drogado ou não, mas sei que está patético assim, se recomponha — disse indiferente.
Eris riu fracamente, ajeitou o casaco e passou as mãos pelos cabelos.
— Certo — respondeu de algum tempo.
Endireitou a postura e tentou adotar o mesmo ar de arrogância de sempre. Pareceu se arrepender de ter abaixado sua guarda e mostrado vulnerabilidade.
— O que você tem para me falar ? — Az perguntou sem rodeios.
Não queria estender essa situação ainda mais, se si sentia estranho antes, estava pior agora. Eris pareceu hesitar em responder quando disse com uma voz polida e controlada:
— Investiguei os nobres da minha Corte, mas nenhum deles parecem ter envolvimento.
Az enrugou a testa em descontentamento, mataria esse bastardo, jurou que se essa fosse toda a informação que tinha o mataria agora mesmo.
— Então por que marcou esse encontro ? — perguntou irritado.
— Bem, há alguém que possa saber de algo ou estar envolvido — disse resoluto — Ela vive isolada e apesar de ter muita riqueza, não se envolve com os assuntos da Corte. Meu pai parece respeitá-la e por isso não a incomoda.
— Como tenho acesso a ela ? — Az cruzou os braços.
— Não tem — Eris respondeu simples.
O Illyriano o olhou questionador — Ninguém sabe onde mora e ela também não é de sair... mas, para nossa sorte, aparentemente ela dá um baile todos os anos no mesmo dia, como se comemorasse algo.
— Me diga quando será o dia e onde será — se impertigou.
Dependendo de quando seria, teria pouco tempo para se preparar e agir, não podia perde muito tempo.
— Será daqui a quatro dias, me encontre aqui e iremos juntos — Az ergueu as sobrancelhas incrédulo e pensou que tinha ouvido errado.
— O quê ? — perguntou cético.
— Bem, não posso deixá-lo andar livremente em minha Corte e também estou curioso quanto a quem ela é — respondeu como se dissesse uma coisa óbvia — É um evento bem restrito e tive que usar todos meus privilégio para conseguir as informações e um convite — cruzou os braços com presunção.
— Não — Az disse seco — não irei a lugar nenhum com você — abaixou o tom de voz com asco.
— É isso ou acabamos por aqui — Eris rebateu desafiante — pode tentar se infiltrar e descobrir sozinho, mas acho que levará tempo até conseguir alguma coisa, e imagino que nem Rhys ou Helion saibam o que está fazendo —
Az travou a mandíbula e respirou fundo.
Quis protestar e mandar o outro a merda, mas seu lado racional lhe dizia que o macho estava certo e que teria que engolir seu orgulho. Se perguntou se teria como esse encontro piorar mais e suspirou em sinal de desistência.
— Se tentar qualquer coisa, eu te mato — disse ameaçador — e dessa vez é sério.
O Feérico abriu um sorriso felino e o olhou com ar vitorioso. O Encantador de Sombras teve vontade de socá-lo e tirar esse sorrisinho à força.
— Agora que estamos entendidos — fungou leve — teremos que ir disfarçados, então, nada de espadas e roupas de combate — indagou o olhando de cima a baixo — e venha de máscara. É um baile temático.
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O Deus do Sol (Hiatus)
FanfictionAz não tinha uma opinião formada a respeito do Grão-Senhor da Corte Diurna, mas uma noite pode mudar tudo. Se ele tivesse ouvido sua intuição, as coisas não teriam se tornado tão complicadas. Uma noite sem compromisso, um livro misterioso e desconhe...
