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-Não posso fazer isso.

Foi o que eu disse Jordan.

Jordan é o comandante dos esquadrões.Ele lidera os capitães, faz as regras do treinamento e organiza as missões.
Depois que Quinn chegou, tudo mudou.Jordan ficou receoso sobre ela, ele teme que ela faça mal a agência.
Não consigo enxergar o mesmo que ele, mal consigo enxergar quando estou perto dela.

-Está protegendo-a?-Ele pergunta, arqueando uma sobrancelha.

-Não.-Engulo em seco.-Só não quero que ela seja exposta tão rápido assim.Sei bem o que você planeja fazer...

-Sinto muito, Hacker.Isso acontece com todos, se não quer que aconteça com ela...Mande-a para a rua de novo.-Jordan se afastou, deu dois passos para trás e pegou um cartão preto.Era o cartão que abria a sala de treinamento.-Comece o treinamento depois do café da manhã.-Ele estendeu o cartão até mim.Vacilei um pouco em pegar.

Toda vez que alguém entrava na agência da mesma forma que ela, sendo convidada e sem experiência nenhuma.A pessoa é obrigada a fazer o dobro que os outros.
Foi assim com Fall, foi assim com Jordan e foi assim com meu pai.

A sala de café da manhã estava cheia.O cheiro dos alimentos fazia muito bem a todos.
Cora parou de comer quando me viu, ela sorriu um pouco e então cutucou Ben.
Cora e Ben eram meus únicos amigos aqui.Eles fizeram o mesmo teste para ser capitão, assim como eu.Nenhum dos dois passou...O pai de Cora bateu tanto nela que os seguranças da agência tiveram que intervir.
Ben foi dois níveis rebaixado.
Isso tudo porque os pais dele estão no alto escalão da CIA.

-Como foi?-Cora perguntou, limpando a a boca com o guardanapo.

-O de sempre.Ela vai ter treinamento rigoroso...-Respirei fundo.

A atenção de todos foi para a porta.Quinn estava entrando, com o olhar baixo e indefeso.
A cabeça baixa e os ombros encolhidos.
Fall estava atrás dela, a guiando pela mão que estava apoiada em seu ombro.
A calça moletom branca era grande demais, a camisa também.

Que tipo de garota coloca um conjunto moletom em vez de um vestido da Prada?

Cora riu um pouco ao vê-la, Ben apenas ficou vidrado nela.
Quinn não era Bonita, não tinha a mesma delicadeza que as outras meninas.
Seus olhos eram opacos, sem vida.Como se o verde da floresta tivesse passando por uma seca intensa.
As sobrancelhas quase sempre estavam franzidas, a boca quase sempre machucada e o nariz enrugado toda vez que ficava confusa.
Quinn era bonita.Talvez a garota mais bonita daqui.
Suas mãos tinham um aspecto áspero, os ombros e braços magros, a barriga engolida pra dentro e as pernas pareciam duas molas prontas para pular.

-Pelo menos é gostosa.-Ben sussurrou, levando um beliscão de Cora no mesmo segundo.

Fall se afastou dela, ela se ajeitou e sentou-se na cadeira mais longe o possível de mim.
Talvez eu tenha feito errado em levar comida para ela ontem, mas eu vi o estado daquela garota.
A vi encolhida  e com medo, com a barriga roncando e o corpo sem vida só vagando por um metrô.
A única diferença é que agora ela não está mais com fome.

Os pratos do café da manhã foram servidos.Asagohan, um café da manhã japonês simples, mas que se torna caro quando exportado para cá.
Jogo a cabeça um pouco para trás e atravesso as pessoas, observando Quin.Só para ver o que ela acha da comida.

Todos também estão olhando para ela.Alguns dão risadinhas por ela não saber segurar os hashis, outros apenas olham.
Será que algum deles sabem que tem pessoas passando fome lá fora?Que não é a maioria das pessoas que sabe usar hashis ou provar comidas exóticas.

-Posso trocar de lugar com você?-Pergunto a Jorg, que está sentando ao lado dela.Ele franzi o cenho, me olha um pouco estranho e então se levanta da cadeira.
Me levanto também.
Cora e Ben estão olhando meus movimentos.
Quinn me olha assim que fico do lado dela, seu nariz se enruga e as sobrancelhas franzem.

-Segure assim.-Sussurro, segurando o hashi nas mãos e passando o indicador entre ele.
Ela olha para os lados, olha para as minhas mãos e então para baixo.Seus dedo repetem meu movimento desajeitadamente, os hashis se desequilibram e então caem no chão.
Posso ouvi-la respirar fundo.
Duas risadas altas ressurgem pela mesa, elas chegam a fazer eco no salão.

Quinn segura o garfo e então o enfia no peixe, retirando um grande pedaço para colocar na boca.
Faço o mesmo no meu prato, pegando um pedaço ainda maior.
Olho para cima e vejo alguns supervisores olhando feio para mim.Eles balançam a cabeça negativamente e conversam entre eles.
Não me importo.

Quinn não me agradece por estar agindo assim só por conta dela, ela nem me olha pra falar a verdade.
Não me sinto mal por não receber nenhum agradecimento.

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