I will Always Love you

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Posso ouvir alguns barulhos, sussurros, gritos, choro e risadas.
Tudo está preenchido pela agonia e pelo desespero, todo o meu corpo está tomado pela exaustão.

Não sei se estou louca, se talvez um dos chutes que tomei na cabeça possa ter me deixado insuficiente. Não me importo com isso, já desejei sentir a sensação da morte hoje.
Quero senti-la amanhã e ontem.

Duas mãos me tocam, meu corpo se arrepia e me sinto como um animal silvestre, pronto para atacar.
O colchão se afunda assim que me levanto, dando um pulo para tentar me proteger, de qualquer modo, não foi eficaz.

Vincent está parado na minha frente, sei que é ele porque consigo sentir seus braços ao redor do meu corpo por um segundo.Não entendo se estou sonhando ou se ele simplesmente fez isso, só sei que é tarde demais quando me apresso para olhar, ele já está se afastando.
Tateio a cama, puxo o lençol até os ombros e desejo me enfiar em um buraco agora.

Minhas pernas se bambeiam ao lembrar do segundos que tive com Vincent, meu corpo todo paralisa e apenas meu cérebro funciona.
O sangue pulsa e pulsa, me lembrando da sensação de estar viva e de estar sendo observada.
Meu coração parece engolir meus ouvidos, fazendo as palpitações ecoarem entre meus ossos.

Deus, o corpo dele

Os lábios

Os braços

A barriga

As costas

Seu rosto.

Suspiro, tentando tirar todas essas memórias extravagantes da cabeça.

O quarto está afundado em breu. Não vejo nada e não ouço nada, mas tenho certeza de que alguém esteve aqui comigo.
Meus músculos doem para mexer, minhas costelas estão tão doloridas e machucadas que até para respirar doí, como se meu corpo estivesse dando seus últimos sinais.
Me ajeito na cama e fico sentada, colocando um travesseiro atrás das costas.

Não me lembro se tinha um abajur ao meu lado, mas me lembro de ter um criado mudo por algum lugar perto da cama.
Tateio o ar, mecho minhas mãos no nada até achar alguma superfície estável.
Encontro algo duro e gelado, uma camada de madeira endurecida como concreto.Passo as mãos pelo lugar, empurrando meus dedos até achar algo para puxar ou identificar o que é.
Pego alguma coisa.
O objeto escorrega dos dedos e escorrega com mais facilidade ainda na palma, demoram dois segundos para que eu ouça o barulho do baque no chão.
Fico parada, não sei no que encostei.

-Quinn?-Alguma coisa se mexe na parede, causando ruídos no chão.
Vincent está ali, sentado no chão, de frente para a cama e de costas para o mundo.

-Está acordada?-Escuto mais ruídos, sei que está de pé agora.Consigo enxergar sua forma dentre a escuridão.

Sua voz me faz arrepiar por inteira, minha respiração se desorganiza só de ouvi-lo se aproximar.
Odeio como me sinto, odeio o jeito que meu corpo reage a sua voz e ao seu cheiro, seu corpo, seu toque.
Quero bater minha cabeça em um vidro até que ele se estilhace e até que eu perca toda a minha memória.

Não quero responder, não quero saber como é lidar com alguém depois de quase beija-lo e depois de sentir suas mãos pelo meu corpo e então tudo se embaralha e eu viro uma multidão de átomos, sendo atraídos e puxados, torturados.

Quero fingir que estou dormindo, que nada que ele fez me afetou e que não estou pirando ao ouvir sua respiração se aproximar.

-Quinn...-Ele está sussurra, suspira e então caminha ou engatinha até mim.

The impossibleOnde histórias criam vida. Descubra agora