1.2 - Neve e Sangue - Parte 02

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Sangue

Já estávamos nas mais altas montanhas, quase virando estátuas para compor a decoração da casa dos ursos polares. Cassian nos guiava até a montanha que estava mais perto da tempestade, sabe-se lá onde isso seria, só tínhamos uma Nestha depois dele calada, Lynx em seguida reclamando sozinha a cada passo que dava, e eu que estava quase pulando daquelas montanhas e me matando.

Quando finalmente chegamos lá, estava uma ventania imensa, quase não conseguimos nos equilibrar. Depois que as meninas se prepararam, Cassian e eu começamos a nossa parte, que era fazer elas chegarem onde deviam.

Não foi fácil, não vou mentir, foi assustador. Eu e Lynx ficamos atrás de algumas pedras, para tentar ficarmos mais "presas", já Cassian e Nestha foram mais pra dentro do redemoinho, para redirecionar a magia por dentro, e Lynx finalizar por fora.

Quanto mais elas tentavam diminuir a ventania, ela parecia aumentar. De acordo com Lynx isso fazia parte do feitiço, mas eu não estava tão segura.

Teve uma hora que ficou tão forte, que ela quase voou, mas consegui segurá-la enquanto nos prendia a uma rocha, que estava acima de mim. Mas isso não durou muito tempo, uma parte da grande pedra se partiu, e foi em cima de nós duas, além de outras menores que caíram, nós prendendo alí.

Consegui empurrar Lynx para longe, mas ainda prendi meu braço esquerdo. Eu não conseguia sentir dor, só frio, e o peso da rocha aumentava, escutei Cassian gritando pela Lynx pra ela conter sua parte no feitiço, eles não conseguiam ver o que tinha acontecido. No fim consegui ver ela distante de mim, se arrastando tentando se segurar em algumas outras pedras.

Ela conseguiu chegar na minha frente, nessa hora eu já via meu sangue encharcando a neve. Ela se segurou na rocha grande que havia caído no chão, essa estava ao meu lado, e tentou empurrar a rocha do meu braço.

– Para! Termina o feitiço, ou eles vão se machucar

– Eu não consigo chegar lá! - já que as rochas cobriram a nossa visão da frente. Então puxei meu cinto com a mão direita, e mandei ela prender em seu tornozelo, assim a mesma conseguiu escalar, enquanto eu a segurava pra não voar.

Eu já não conseguia mexer nem meus dedos, só uma dor imensa me cobria, quanto mais eu segurava ela mais doía, parecia que eu iria me partir no meio. Eu não iria soltá-la, mas quanto mais eu segurava, eu estava perdendo minhas forças. Eu gritei o nome dela algumas vezes, eu só escutava a mesma falar Morrigan repetidas vezes em desespero.

Eu já estava vendo tudo embaçado, e não ouvia mais nada. Não soltei aquele cinto, mas senti o seu peso diminuir, o cinto se partiu, o impacto me prendeu mais, só pensei que Lynx não estava mais presa a mim, e no fim eu não vi mais nada.

Acordei um tempo depois, não estava com consciência. Só vi vultos que deduzi ser Cassian me carregando. Acho que desmaiei de novo, e depois só senti a luz ardendo meus olhos e vi que estávamos parados. Consegui virar o rosto e eu estava deitada no colo de Cassian, esse que estava sentado e me olhando assustado, percebi seus olhos vermelhos, ele havia chorado?

– Você acordou, graças a mãe. - Disse Cassian aliviado, e com a voz embargada.

– Lynx. - Sussurrei com todas minhas forças.

– Ela tá bem, fica tranquila.

– Onde - Consegui falar mais claro agora, e estava com consciência.
– Ela tá deitada no colo da Nestha, atrás de você. Não vai conseguir ver.

– Nestha tá bem?

– Eu tô bem aqui. - Falou Nestha aparecendo com o rosto pra perto de mim.

– Ainda bem, vocês se machucaram naquela hora?

Vermelho | MorriganOnde histórias criam vida. Descubra agora