Sinopse:
Aurora é estudante de história e da aulas em uma escola. De um tempo para cá tem achado estranho algumas falas de seus alunos, de Jaime principalmente. Por conta disso, um sentimento de curiosidade vem tomando a garota e ela começa a pesqui...
É sábado. A semana terminou e posso dizer que foi bem tranquila para mim, mas não para os alunos. Ajeito minha touca e continuo a observar a neve cair. A minha pesquisa está bem adiantada, mas parece que quanto mais procuro, mais dúvidas aparecem em minha mente. Estou adorando ler o diário de minha mãe e saber que ela acreditava em coisas que a sociedade enterra em um buraco e deixa a vida triste e monótona. Suspiro e encosto a cabeça no banco da praça. A neve está ficando mais frequente e não vou negar que gosto desse clima. Amo o natal. Fecho os olhos ao sentir flocos de neve tocar a minha pele e sorrio. O que Jaime me disse na segunda - Jack Frost quer falar com você - não sai da minha cabeça e não sei o que fazer. Ainda não aconteceu e, sinceramente, não sei se irá acontecer. Suspiro novamente e olho a tela do celular. 16:18. Ok, hora de voltar para casa, meu pai deve estar precisando de mim. Levanto do banco e bato a mão na roupa, tirando a neve do corpo. Caminho para casa e fico repassando algumas frases que li no diário de minha mãe.
¤
Abro o portão de casa e caminho até a porta de entrada. Antes de colocar a mão na maçaneta, escuto um barulho vindo das latas de lixo que ficam ao lado esquerdo. O que foi isso? Caminho até lá. Será que foi algum bicho? Continuo andando e chego até onde escutei o som. Olho ao redor e não vejo nada, nem uma pegada sequer. Balanço a cabeça e me viro para voltar até a porta, mas algo me detém. Será que foi o...? Eu só posso estar ficando doida, não é possível. Bato o pé para mim mesma antes de me virar novamente e andar em direção a lateral da casa, procurando seja lá o que for. Eu não sei o que estou fazendo da minha vida. Passo os olhos pelo local e não vejo nada, então decido ir até o fundo. Olho para ao redor e continuo sem ver nada, apenas a neve pintando tudo de branco. Caminho até o balanço que fica na árvore que foi plantada quando minha mãe estava grávida de mim, ou seja, há 22 anos atrás, e fico procurando, mas ainda não sei exatamente o quê. De uma hora para outra, começo a ver um brilho em frente aos meus olhos e pisco rapidamente várias vezes, mas não é incomodo, apenas fiquei assustada. Passo a mão em meu rosto e sinto o tecido da luva secar a neve de minha pele. Quando volto a abrir os olhos, é como se eu estivesse em um sonho. O mundo à minha volta se transforma. As cores estão mais vivas, mesmo a neve sendo branca, e consigo ver até os raios de sol em meio às nuvens. Vou girando meu corpo devagar, observando atentamente tudo o que está ao meu alcance. Abro um sorriso de orelha a orelha. Quando volto o olhar para o balanço, percebo que tem alguém atrás da árvore, aparentemente com um moletom azul. Começo a andar lentamente em sua direção e paro assim que vejo a pessoa sair de trás do tronco. Pela estrutura física, acredito que seja um rapaz. Ele retira o capuz, me mostrando seu rosto, e se apoia em seu cajado, olhando fixamente para mim com um sorriso torto nos lábios. Eu não acredito! É o Jack Frost! Coloco as mãos sobre a boca e dou passos para trás. — Me desculpe, não queria te assustar — diz ele, andando em minha direção lentamente e ergue a mão em frente ao corpo, buscando me tranquilizar. Balanço a cabeça, incrédula e olho para as janelas de minha casa, procurando meu pai, mas não o vejo. Deve estar tirando seu cochilo. Respiro fundo e volto para olhar o rapaz de cabelo branco, sem acreditar que ele está em minha frente, que realmente existe. — É Aurora, não é? — Jack Frost pergunta e respondo que sim, balançando minha cabeça. — Ouvi falar muito de você. Jaime e seus amigos te adoram... Um pequeno sorriso aparece em meus lábios e coloco a mão na testa. Como isso pode ser possível? Então é tudo verdade? Papai Noel, Coelho da Páscoa, Sandman, Fada do Dente... Breu. Espera. O Bicho Papão existiu mesmo? Então as crianças realmente participaram do combate que eles tiveram. Volto a olhar para ele e rio de nervoso. — Como isso pode ser real? — Bom, você está me vendo, não está? — Sinto um pouco de ironia em sua fala, mas ele logo sorri e percebo que é apenas o seu jeito mesmo, que não fez com má intenção. — Se quiser, pode tocar em mim para ter certeza — Jack se aproxima e ergue o braço.
Ops! Esta imagem não segue nossas diretrizes de conteúdo. Para continuar a publicação, tente removê-la ou carregar outra.
Fico paralisada e sem saber o que fazer. O encaro e sinto um arrepio. Aperto os lábios e balanço a cabeça, ainda incrédula. Olho para o braço dele estendido e, lentamente, coloco a mão sobre o moletom azul. Sim. Estou sentindo o tecido e, depois de apertar levemente, consigo perceber seu braço. Jack Frost é real. Retiro minha mão e volto a encará-lo. — Eu tenho tantas perguntas! — Começo a rir de nervoso, andar para lá e para cá. Ele tomba a cabeça de lado, sorrindo torto. — Desculpa, desculpa. Me empolguei — paro novamente e respiro fundo. — Tudo bem, não precisa pedir desculpas. As crianças me falaram que você ficou interessada quando te contaram o que aconteceu e, bom... descobriu sobre mim. — Sim, é verdade — resmungo, passando um filme em minha mente. — Meu pai também me deu o diário da minha mãe e ela acreditava em você. Bom... não só em você, é claro... no Papai Noel, Coelho da Páscoa... — olho para ele em algum momento e paro. — Estou falando muito, não é? — Não se preocupe, estou adorando te ouvir — Jack sorri e sinto minhas bochechas ficarem vermelhas e não é pelo frio. O meu celular vibra no bolso da calça e pego para ver quem está ligando. Meu pai. Atendo e digo a ele que estou quase chegando em casa. Volto a guardar o aparelho e sorrio para Jack. — Bom, nossa conversa terá que ficar para depois, meu pai precisa se mim agora — falo e aponto para a casa atrás de nós. — Ah, claro! Quem sabe na próxima — ele acena e começa a levitar. — Foi um prazer, Aurora — Jack pisca para mim e vai embora. Ele voa. Literalmente. Suspiro e balanço a cabeça. Ok, agora é impossível negar: ele é real. Sorrio de lado e dou a volta na casa, logo abro a porta da sala. Vejo meu pai sentado em sua poltrona, perto da lareira. Ele sorri ao me ver. — Papai, conheci Jack Front.