❝ 𝟎𝟒

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Keisuke saiu de trás do bar no momento em que a marcha nupcial começou e uma garotinha loira e linda entrou saltitando pelo corredor, jogando pétalas brancas de flores pelo ar

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Keisuke saiu de trás do bar no momento em que a marcha nupcial começou e uma garotinha loira e linda entrou saltitando pelo corredor, jogando pétalas brancas de flores pelo ar. Encantados, os convidados riram e admiraram a filha da namorada de Izana. Takeomi e Emma vieram logo depois, o Sano mais velho com a Sano mais nova. Emma colocou-se no lugar das madrinhas e Takeomi dirigiu-se ao centro, em preparação para oficializar a cerimônia.

Mais uma vez, Keisuke mal conseguia acreditar que esse dia havia chegado. Havia algumas coisas na vida com as quais ele sempre contara: A cerveja era sempre melhor quando tirada diretamente do barril; O pai dele nunca passara de um bêbado deplorável; os garotos Sano não subiriam ao altar num futuro próximo.

Ellen localizou-o e fez sinal para que tomasse seu lugar ao lado da madrinha a quem estava acompanhando. Ele ainda não fora apresentado a ela, mas esperava que Dahlia tivesse bom gosto para amigas. A essa altura, a única maneira de tirar Ailyn de seu pensamento, depois de um longo dia
juntos no casamento, era ter certeza de que terminaria a noite na cama com uma mulher maravilhosa que fosse o oposto dela. Estava quase chegando perto da madrinha quando seu coração e seus pés congelaram.

Que diabo aconteceu com Ailyn?

Keisuke piscou, tentando fixar o olhar, enquanto Ailyn e Sanzu davam a volta em uma fileira de vinhas e continuaram andando pelo corredor. Quando continuou a ver coisas minutos depois — coisas loucas, insanas — passou a mão sobre os olhos. Mas nada mudou o fato de Ailyn estar parecendo sexo sobre pernas, naquele vestido rosa escorregadio e saltos altos.

Ela com certeza não estava mais usando o suéter e a saia sobre os quais ele fizera um comentário tão grosseiro. No entanto, o vestido não era a única coisa diferente. O que tinha feito com o cabelo? E por que os olhos pareciam tão grandes, seus lábios tão vermelhos? O corpo de Keisuke reagiu àquela figura absolutamente sensual antes que pudesse impedir; todo o sangue que deveria alimentar seu cérebro para nunca olhar para Sano desse jeito, especialmente na frente dos seis irmãos dela, correu para baixo. A mão de Ellen em seu cotovelo assustou-o.

— Está quase na sua vez de entrar, Baji.

Ele ouviu o que ela disse, sabia que precisava se juntar ao resto do grupo, mas mesmo enquanto oferecia o braço à amiga de Dahlia — ele não entendeu o nome dela e não se deu ao trabalho de perguntar de novo — não conseguia tirar os olhos de Ailyn.

A visão dela por trás também não colaborava com a situação, que droga! Ailyn Sano tinha um traseiro perfeito e naquele exato momento estava exibindo-o para centenas de pessoas, naquele vestido que deslizava para cima e para baixo sobre suas curvas, tão justo que ele tinha certeza de que não havia a menor possibilidade de que ela estivesse usando alguma coisa por baixo.

De repente, Keisuke sentiu necessidade de tirá-la do casamento, afastá-la daqueles olhos famintos dos homens embevecidos, fazê-la vestir de volta suas roupas normais, roupas que a cobriam da maneira que deveriam cobri-la, e teve que se controlar para ignorar sua vontade. Não suportava saber que dezenas de caras entre os convidados estavam babando nesse momento, até mesmo os casados, e que não tinham nenhum direito de ter esse tipo de pensamento sobre a pequena Ailyn.

De qualquer forma... Ela não parecia exatamente jovem e inocente, não parecia tão intocável assim, parecia?

Ellen disse o nome dele de novo e Keisuke atendeu ao chamado para começar a andar. Izana e Odeliah, que se encontravam na frente dele, impediram a visão de Ailyn por alguns poucos segundos, e ele teve que virar o pescoço para continuar olhando para ela, enquanto Aylin tomava o lugar ao lado de Emma, embaixo dos arcos cobertos de rosas.

Um momento depois, Ailyn olhou para a frente e viu-o olhando fixamente para ela. Keisuke tentou olhar para o outro lado, mas não conseguiu. A mulher de braços dados com ele teve que puxá-lo para mantê-lo caminhando na direção certa. A última coisa que Keisuke viu antes de tomar seu lugar ao lado de Izana na fila foi a boca macia de Ailyn abrir um sorriso absolutamente sensual e feminino.

Ailyn sempre havia adorado casamentos e, apesar de estar nervosa, não teve como não se envolver no clima romântico. Claro, a vinícola Sano era possivelmente o lugar mais glorioso para uma cerimônia de casamento: folhas brotando das vinhas, flores de mostarda florescendo em cada pedaço livre de terra, colinas a perder de vista, céu azul brilhante, buquês de flores nos vasos e nos arranjos ao final de cada fileira de assentos — tudo isso eram complementos maravilhosos ao amor entre Wakasa e Dahlia.

Takeomi estava fazendo um trabalho magnífico oficializando o casamento de Wakasa. Ailyn podia perceber que ele estava tão emocionado quanto o restante dos convidados, mas sua voz permaneceu firme e clara quando perguntou a Wakasa e Dahlia se eles se amariam, se honrariam e confortariam um ao outro.

Ailyn procurou a mão de Emma e segurou-a com força enquanto esperava por aquele momento perfeito, quando o irmão declararia o amor pela noiva. Quando Wakasa virou-se e sorriu para Dahlia, foi como se o mundo tivesse parado. O nó no peito de Ailyn apertou-se diante do amor incondicional que emanava do irmão para a noiva. Ela se perguntou como seria ter um homem olhando para ela daquela maneira, como se fosse absolutamente tudo para ele.

Ao ouvir Wakasa dizer: "Amarei você para sempre, Dahlia", um leve suspiro saiu dos lábios de Ailyn ao mesmo tempo em que uma lágrima lhe escorria sobre a face. Momentos depois, quando Daglia fez o mesmo voto para Wakasa, mais lágrimas se derramaram, uma depois da outra. E, quando Takeomi os declarou marido e mulher, todos comemoraram, mas ninguém mais alto do que a silenciosa Ailyn Sano.

Keisuke nunca havia ligado para casamentos. Até onde ele sabia, casamentos tomavam tempo demais de um final de semana perfeitamente bom e eram um desperdício do dinheiro ganho a duras penas. Principalmente porque pelo menos metade das uniões terminava em divórcio. Porém, por alguma razão, esse casamento era diferente. Tinha passado tempo suficiente com Wakasa e Dahlia para achar que realmente tinham uma chance de fazer aquilo funcionar. Com um bebê a bordo, Keisuke certamente torcia para que o casamento desse certo. Na verdade, não que ele estivesse prestando muita atenção ao casamento que estava acontecendo... Oois não conseguia tirar os olhos da irmã do noivo.

Quando Ailyn caminhara pelo corredor, Keisuke ficara estupidamente abalado ao vê-la tão sexy naquele vestido. Quase não a reconhecera como a garotinha meiga grudada em seus calcanhares quando eram crianças. Mas, então, enquanto a observava durante a cerimônia, ela se transformara novamente. Ainda ridiculamente sexy, mas novamente meiga, ela abriu bem os olhos enquanto ouvia os votos matrimoniais, inclinada em direção aos noivos, como se quisesse fazer parte da felicidade deles. E, naquele momento, quando ela agarrou a mão de Emma, ele desejou, por um milésimo de segundo, que Ailyn tivesse procurado pela dele. E que fosse ele que tivesse segurado a mão dela.

Keisuke sentiu com se alguém tivesse lhe enfiado a mão no peito e lhe apertado o coração, espremendo- o até que não houvesse nada além de um emaranhado de sangue e veias. Nunca seria capaz de apagar da memória a esperança e o desejo nos olhos de Ailyn enquanto assistia a Wakasa e Dahlia jurarem amor um ao outro.

Antes que pudesse perceber, Ailyn estava pegando o braço de Sanzu e saindo pelo corredor, seu traseiro perfeito balançando no ritmo da música clássica que tocava.

— Alô, alô, Terra chamando Keisuke — Izana chamou, pegando-lhe no cotovelo um pouco antes de ir em direção a Odeliah, para acompanhá-la de volta pelo corredor que levava até as pessoas em volta de Wakasa e Dahlia. — Acabou. Hora de ir embora.

𝐒𝐎́ 𝐓𝐄𝐍𝐇𝐎 𝐎𝐋𝐇𝐎𝐒 𝐏𝐑𝐀 𝐕𝐎𝐂𝐄̂, 𝖪𝖾𝗂𝗌𝗎𝗄𝖾 𝖡𝖺𝗃𝗂.Onde histórias criam vida. Descubra agora