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Os números nas planilhas cobrindo a escrivaninha do home office se embaralhavam diante dos olhos de Keisuke. Assim como sempre tivera muita dificuldade para processar as palavras, sempre encontrara muita facilidade com os números.
Afastou-se da escrivaninha, sabendo que qualquer trabalho que fizesse agora teria que ser refeito pela manhã. A única razão para ter ficado em casa nesse dia era recuperar as forças por meio do trabalho. Mas, já que não estava conseguindo fazer nada, era melhor ficar em um dos pubs, trabalhando no balcão.
Pegou o celular sobre o balcão da cozinha e viu uma ligação perdida de Shinichiro Sano. Durante dez semanas, ele havia mudado de rumo para evitar os Sano. Não conseguia encarar Shinichiro nem Takeomi nem Wakasa nem Izana, sabendo o que tinha feito à irmã deles. Era o nível mais baixo a que tinha chegado, tão baixo que até agora não podia acreditar no que tinha feito.
Todos os dias esperava acordar e descobrir que tudo não passara de um sonho... mas, toda vez que tentava dormir, tudo o que conseguia ver era Ailyn e a expressão nos olhos dela quando dissera que o amava. Para sempre.
Sabia que não era bem assim; sabia que ela, na verdade, não poderia amá-lo. Ela amava a versão fantasiosa de Baji Keisuke, aquela que provavelmente havia descrito nos diários desde a infância, quando ainda era uma garotinha com vestido rosa e maria-chiquinha.
Ela nunca o perdoaria pelo que fizera e Keisuke sabia que não merecia nenhum perdão, assim como sabia que a melhor coisa era que ela se mantivesse bem longe dele a partir de agora. Pois, agora que conhecia o sabor e a maciez dela...
Precisava ir para o pub, onde o barulho e o movimento distrairiam seus pensamentos sobre ela. Enfiou o telefone no bolso, pegou as chaves do carro e abriu a porta da frente. Ailyn Sano estava parada nos degraus em frente à porta.
— Ah, oi. Já ia bater.
— Que diabo está fazendo aqui?
Exatamente a mesma coisa que perguntara a ela quando tinha aparecido na casa alugada em Napa. Ele sabia que tratá-la de forma tão agressiva não ajudaria a melhorar a situação, mas era o melhor que conseguia fazer, já que só olhar para Ailyn fazia as células de seu corpo se desmantelarem. Ela parecia insegura e pouco à vontade. E cansada; pelo menos tão cansada quanto ele se sentia.
— Posso entrar?
— Você não se lembra do que aconteceu da última vez? — Ele rosnou as palavras para ela, mas, mesmo ficando pálida e de olhos arregalados, Ailyn não fez um só movimento para ir embora.
— Sim. — ela respondeu baixinho. — É exatamente por isso que estou aqui para falar com você.
Keisuke não confiava em si mesmo perto dela. Como já esperava, só de olhar para ela de novo, um só olhar que fosse, e o desejo violento tomaria conta dele, a ponto de agarrá-la e prendê-la à sua cama. Deus, ele era doente, mesmo agora, pensando em todas as maneiras de seduzi-la.