"Estou feliz por você estar aqui"

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— Meus cumprimentos, senhora Kane. — Lucas sorriu de modo que poderia ser descrito como adorável para a cozinheira assim que a mesma, junto com mais duas empregadas, terminou de servir o café, e já ia se retirando da sala. — Foi uma refeição simplesmente maravilhosa.

— É muito gentil da sua parte, senhor Lucas. — a mulher rechonchuda de adoráveis cabelos cacheados, incrivelmente loiros, sorriu. — É bom tê-lo de volta à casa. — lançou um olhar simpático para Angelina. — Senhorita, seja bem-vinda.

— Obrigada, senhora Kane — a jovem sorriu agradecida.

Assim que as três mulheres saíram, os Schroeder deram início à uma conversa amena sobre os principais eventos festivos que aconteceriam nos próximos dias ali na cidade. A família parecia bem envolvida em causas humanitárias e isso agradou bastante a hóspede porque ela era do tipo de pessoa que acreditava que os mais afortunados deveriam mesmo ajudar os desfavorecidos sempre que possível e necessário.

— Aí está você. Novamente alheia à conversa.

Até o momento, ela estava tão absorta admirando a grande lareira no extremo esquerdo da sala que foi realmente um susto ouvir a voz de Liam tão perto.

— Perdão? — Angelina balbuciou encarando-o com o cenho franzido, ajeitando-se no sofá que dividia com Lucas, que também se remexeu desconfortável.

— Você parece meio perdida na conversa.

Não era de todo verdade, pois estava ouvindo muito bem eles falarem sobre a Brostt and Schroeder Fundation, que há quase vinte anos realizava e apadrinhava projetos de impactos positivos na vida de animais, crianças e famílias carentes, ganhando grande reconhecimento por sua forte atuação humanitária nos Estados Unidos.

Mas, Angelina não tinha realmente nada relevante a acrescentar, pois o cansaço físico, e principalmente psicológico estava cobrando sua conta. E não seria de se admirar que a qualquer momento ela desmaiasse de exaustão. Ela estava apostando que iria precisar de muitas horas de sono para se recompor, e muito provavelmente também iria necessitar de alguns dias de férias depois de sua estadia ali na mansão Schroeder.

— Na verdade, eu me sinto intimidada — falou com um sorriso fraco. — Ouvi-los falando tão animados sobre suas boas realizações, me faz perceber o quão pouco faço pelos demais. — e não era de todo mentira, afinal o que de bom ela fazia para melhorar o mundo a sua volta? Certamente, envolver numa farsa não poderia ser vista com bons olhos, ainda que o motivo fosse nobre.

— Lina... — Lucas a puxou para si, cochichando em seu ouvido: — Anime-se, você não está num velório.

Mas bem que poderia ser. Poderia ser o meu velório. Aliás, o nosso velório, caso sua família pelo menos desconfiasse que estamos ludibriando-os!

— Não, não. — a senhora Edna meneou a cabeça de modo veemente. — Por favor, não se sinta intimidada por nossas realizações, comparando-se a elas. Pois, certamente, à sua maneira você faz coisas boas. Por exemplo, você foi a grande responsável pela volta do meu filho para casa depois de tantos anos — a encarou de modo tão agradecido, terno e amoroso que Angelina sentiu-se pequena e asquerosa quanto qualquer animal ou inseto peçonhento.

— Por favor, senhora, não diga isso. — pediu quase chorosa, sendo repreendida por um aperto no ombro. — Não creio que eu seja realmente a responsável pela volta de Lucas. — encarou o amigo como se pedisse desculpas, recebendo como resposta um sorriso hesitante.

— Seja qual for o motivo, estamos todos felizes por Lucas está de volta. — o senhor Robert declarou com firmeza e sinceridade. — E também estamos satisfeitos em tê-la em nossa casa, senhorita Blogorodna. Sem dúvidas, teremos um Dia de Ação de Graças e um Natal realmente especiais — sorriu antes de tomar mais um gole de café.

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