29 - OS BRAÇOS DE UMA MÃE

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Capítulo 1
P.O.V[ S/N]


Abri meus olhos, mas rapidamente fechei-os por conta da claridade que eu não esperava. Era como se dois refletores estivessem bem em cima do meu rosto.

Os abri novamente, dessa vez mais acostumada com a claridade que ainda me incomodava. Olhei para o lado, vendo um aparelho que media meus sinais vitais, e que fazia um barulho insuportável. Olhei para meu braço esquerdo, vendo um curativo gigante nele, por causa do machucado.

Meus olhos vagaram por todo o quarto em que eu estava, até que encontrei meu pai deitado em uma poltrona um pouco distante de mim, dormindo.

-- Pai -- Chamei na tentativa de minha voz sair, mas quase que nem eu mesma ouvi. -- Pai.

Por um milagre, meu pai abriu os olhos e se levantou assustado ao me ver acordada.

-- Filha -- Disse se aproximando. -- Graças a Deus, você acordou.

-- Por quanto tempo eu dormi? -- Perguntei.

-- Uma semana e cinco dias -- Ele disse, me fazendo arregalar os olhos.

-- Por que tanto tempo?

-- Você acordava e dormia, filha. As enfermeiras disseram que foi por conta dos remédios -- Me explicou, fazendo com que eu assinta com a cabeça.

-- Trouxe seu café, am... -- Virgínia começou, entrando de costas por estar com dois copos de café nas mãos.
-- S/N! -- Gritou assim que se virou, me encontrando acordada.

-- Oi, Virgínia -- Digo, sorrindo o máximo que conseguia.

-- Como se sente, querida? -- Perguntou, se aproximando de mim junto do meu pai.

-- Cansada.

-- É compreensível -- Disse e se afastou para deixar os cafés sobre uma estante pequena.

-- E o Vincent? Ele está bem? -- Perguntei, vendo os mesmos se olharem aflitos.

Aconteceu algo? Será que ele está bem?

-- Preciso que você fique calma - Virgínia diz, enquanto eu surto mais um pouco.

-- Diz logo que porra tá acontecendo -- Praticamente grito. -- O Vincent morreu? É isso?

-- Não, filha -- Meu pai diz e segura uma de minhas mãos.

-- Então me digam o que está acontecendo -- Digo, já sentindo as lágrimas molharem meu rosto.

-- Tiveram algumas complicações na cirurgia do Vinnie -- Meu pai começou, passando uma das mãos nos meus cabelos, os afastando do meu rosto molhado pelas minhas lágrimas.

-- Os médicos disseram que ele bateu a cabeça durante a batida, e por isso infelizmente entrou em coma.

Os meus soluços cessaram.

Mas não era um sinal de que estava mais calma, pelo contrário. Eu senti todo medo e tristeza sendo distribuída sobre meu corpo de uma só vez. O aparelho ao meu lado começou a apitar com mais velocidade, fazendo meu pai apertar mais minha mão.

-- Se acalme, filha. Ele vai acordar -- Meu pai disse e me abraçou de lado.

Aos poucos, fui regulando minha respiração, fazendo o máximo possível para me acalmar. E na rapidez em que minhas lágrimas pararam de descer, elas vieram a tona, descendo em meu rosto como uma cachoeira sem fim.

Olhei novamente para meu pai e Virgínia, e vi ela negando com a cabeça para ele.

-- O que mais? -- Perguntei, fazendo ambas as atenções irem para mim.

𝐈𝐍𝐒𝐓𝐀𝐕𝐄𝐋||  ⱽⁱⁿⁿⁱᵉ ᴴ.Onde histórias criam vida. Descubra agora