Capítulo XIX - Final

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[...]

Northwind era, simplesmente, deslumbrante.

Ainda dentro da carruagem que os levava, Dominic observou a propriedade com os olhos admirados.

A casa enorme, porém, com um único andar, ficava no topo de um pequeno elevado, se destacando em meio à paisagem. Ao seu redor, erguia-se um jardim maravilhoso, cheio de pequenas árvores frutíferas e muitas, mas muitas flores, de variadas formas, cores e tamanhos. Havia um lago com água corrente, um poço para retirar água, animais corriam pelos campos esverdeados e, bem no fundo, Dominic podia enxergar a ponta do que ele achava ser um haras que se abria para um extenso campo gramado, onde os cavalos corriam soltos.

Não havia nenhum defeito. Aquilo era perfeito, o paraíso na terra. Eram tantas cores, tantos aromas... O ar era mais puro, o céu mais azul, a brisa de primavera mais fresca. Tudo era lindo e bem cuidado, porém sem a pompa da cidade grande, o que proporcionava um ar acolhedor à propriedade. Mesmo após horas e horas de viagem exaustiva, aquele lugar fazia uma empolgação sem explicação crescer em seu peito.

Podia entender o porquê de Annie ter lutado com unhas e dentes para manter a propriedade intocada. Mal havia chego e já não podia pensar em aristocratas interesseiros colocando as mãos e contaminando esse pedaço de céu com seus pensamentos e hábitos podres.

Depois que não tivesse mais obrigações com a fábrica e a loja, gostaria de passar o resto de seus dias num lugar calmo e aconchegante como esse.

– As terras arrendadas e a vila ficam mais ao norte.

A voz de sua esposa o despertou, fazendo Dominic olhá-la, surpreso.

Ela sorria. Um sorriso que parecia dizer "eu sei muito bem o que está pensando".

– Esse lugar... – mesmo que ela soubesse, precisava dizer – Uau. É lindo. Não sei o que dizer.

– Northwind é mágico: depois que conhece, jamais esquece.

Ele assentiu.

– Um lugar perfeito para criar nossos filhos.

As bochechas dela coraram graciosamente. Dominic teve vontade de beijá-la, mas apenas voltou seus olhos para a paisagem que passava por sua janela.

Com certeza um lugar difícil de deixar para trás, ainda mais quando sua linda esposa compunha a paisagem.

(...)

Uma semana passou voando.

Dominic conheceu melhor a propriedade, também se apresentou aos aldeões e visitou as terras plantadas com os mais variados tipos de uva. Todos o receberam muito bem, com palavras gentis e sorrisos amigáveis, mas era visível o quanto confiavam mais em Annie do que nele. O loiro nem mesmo se preocupava com isso, afinal, sua esposa era digna daquela confiança e também da lealdade daquelas pessoas. Ela havia feito de tudo por eles e por Northwind, e todos pareciam estar muito cientes disso, visto que a tratavam quase como uma santa.

Claro que os dias também foram tomados por paixão. Dominic e Annie, sempre que se viam sozinhos, aproveitavam a folga e cada canto disponível na propriedade para se amarem loucamente, visto que não podiam estar no mesmo ambiente sem que sentissem a necessidade latejante um do outro. Fizeram amor no quarto, na biblioteca, na sala de jantar, na chuva em meio à lama, no meio do campo tomado por flores, cada momento único trazendo uma sensação diferente, uma memória preciosa para gravar na mente e no coração.

Entretanto, infelizmente, os sete dias reservados por Dominic para permanecer junto de sua esposa haviam terminado. Ele precisava voltar para Londres enquanto ela precisaria estender sua estadia em Northwind por mais algumas semanas a fim de colocar tudo em ordem junto à Louise.

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