16-Abalar

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Muitos envelopes fluturam diante os olhos violetas.

- pode escolher qualquer carta dessa sala- e apontou para o baralho que voava e dançava no ar.

- que cartas são aquelas?- perguntou apontando para a parte escura da sala. Na parede tinha seis cartas maiores e um espaço em branco.

- São cartas especiais- o homem forçou um sorriso.

- por que tem um espaço em branco?

- não estou aqui para responder isso enquanto você não escolher a carta.- e apontou para o monte.

- eu quero aquela- apontou para a parede para a carta mais baixa quase oculta atrás do balcão.

- mas...

- você falou qualquer carta dessa sala- deu de ombros.

- garotas são inteligentes que chega a dar um ódio.

- foi uma garota que escolheu a do espaço vazio?

- sim uma loirinha com cara de barbie bêbada, simpática, mas cara de mongolóide. - deu de ombros embaralhando as cartas e pegando a que a garota tinha apontado.- nesse novo mundo seu poder ficará tipo "gerando" para você. As únicas coisas que você terá será atributos físicos novamente. Não precisa fazer nada, o poder é roubado- deu de ombros.

-roubado?

- nessas cartas existe um limite- apontou para o baralho- nessas o usuário é o limite- sorriu ladino apontando com o polegar para a parede. - temos sete hacks, elas são limitadas.

- não posso saber qual é o meu poder?

- bem... Após um tempo você irá para uma sala mental aonde você poderá treinar seu poder e o desenvolver. Vai ter um preço tranquilo- o cara sorriu ainda embaralhando as cartas.

-e meu poder?

-Manipulação Geral- ele suspirou tirando o cartão de dentro do envelope - você literalmente pode distorcer e mudar tudo. Manipular elementos, a vida. É como se tudo a sua volta se tornasse massinha de modelar aonde você pode mover do jeito que querer- ele demonstrou em uma carta- você pode montar e desmontar- ele falou transformando a carta em fogo e em seguida em uma pomba.

- é realmente poderoso..

- não falei??

- a garota tirou que carta?

- segredo. - ele riu balançando a mão- hora de voltar, até aprendiz.

-até..

Quando ela abriu os olhos novamente estava no seu quarto da vida real.

Desceu as escadas e a casa silenciosa a deixou levemente confusa. Sua mãe deveria ter ido ao mercado. Ela pensou.

Abriu a porta, passou e fechou.

Ela caminhou pelas ruas da grande cidade em que vivia quando a batida de um carro ecoou em seus ouvidos, ela se virou para trás sabendo que o carro havia atropelado algo.. E seu sangue gelou.

A mulher que tinha voado oito metro caiu como um boneco, só que com sangue e ossos fazendo parte da equação. Mas a garota não prestou atenção a isso, ela prestou atenção na mulher.  Os cabelos loiros machados de sangue e os olhos antes vivos agora mórbido.

Judy, sua mãe.

Tatiane não expressou nada, suas pernas se moveram sozinha enquanto ela sentia o mundo ficar vago e devagar, passo por passo. Até ela ficar diante o corpo já sem vida daquela mulher.

O carro, uma Lamborghini preta acelerou e sumiu de vista. Mas antes de tudo ela observou a placa, ela estava boba. Sem reação alguma.

Vozes confusas gritavam para chamar a ambulância, mas Tatiane sabia que a mulher estava morta. Que Judy morreu com o choque no momento que o carro a lançou para frente. Sua perna em uma posição nem um pouco comum.

A ambulância chegou e Tatiane subiu para acompanhamento. Mas ela estava perdida, as perguntas dos médicos e enfermeiras ecoavam em sua mente mas ela não conseguia responder.

- deve ser a filha, entrou em estado de choque, verifiquem ela também- o médico falou calmo, acostumado com pessoas morrendo.

Ela foi verificada e no dia seguinte saiu do hospital já tendo que pensar em pagar o custo do funeral.

Ela não dormiu nem comeu nada.

E quando a porta de sua casa foi fechada ela caiu no chão e gargalhou, suas risadas ecoaram pelas paredes frias do lugar e ela parecia ter ouvido algo absurdamente engraçado mas, em um momento ela parou e tocou suas bochechas que estavam vermelhas por estar rindo tanto, ela sentiu algo molhado deslizando pelo seu rosto e com a ponta de seu dedo molhado ela tocou na boca.

- s-salgado- ela falou pela primeira vez desde o acidente- o-o que.. É isso? São lágrimas- sua voz embargada questionou- por que eu estou chorando? - perguntou e seus lábios tremeram - eu nunca chorei.. - as lágrimas começaram a descer mais rápido - AAAAAAH- Ela gritou socando o chão- A AAAAAAAAAAH.

Ela não se importava que alguém a escutasse, ela não se importava com mais nada. Mas ela continuou a socar o chão e sentir seus olhos e nariz escorrer.

A porta que ela estava diante teve a maçaneta girada  e olhos verdes entraram correndo e caíram diante dela a abraçando e a acolhendo como se nada pudesse a ferir.

- eu estou aqui - Brian sussurrou segurando os pulsos dela para não se ferir, e a abraçando pelas costas.

Ela gritou, chorou, gritou e chorou, e gritou.

A tristeza se tornou ódio, e o ódio se tornou ela.

Brian sentiu o corpo dela amolecer, ele sabia que ela ainda estava acordada, mas ela estava cansada demais e sem voz para falar.

Brian viu os olhos dela, e ele estremeceu. Dizem que os olhos são o espelho da alma, e se isso fosse verdade ele sentia medo de perguntar como ela estava.

"Os deuses só podem estar brincando com nossos corações" ele pensou enquanto alcançava algo para a garota comer.

Após comer lentamente ela se levantou.

- eu vou ficar por aqui está bem?- ele falou com cuidado mas ela só deu de ombros ainda de costas e foi para seu quarto dormir- deuses malditos....- ele sentiu seu coração apertar ver a aquela garota mostrando tanta fraqueza, ele não sabia como ela reagiria. Mas com apenas um olhar, ele sabia que nada seria como antes.

Nunca mais.

A GuardiãOnde histórias criam vida. Descubra agora