Quando me dei conta, estava sentado no meio de um sótão minúsculo que consegui reservar de última hora.
Eu estava literalmente dentro de um closet (não deixei de reparar na ironia). E foi ali que a soma das últimas 24 horas de viagem começou a fazer efeito na minha cabeça.
Começou devagar, mas foi batendo com força e mais força enquanto eu observava o lado de fora através daquela pequena janela no meio da inclinação do telhado. Deixei meus olhos percorrerem as telhas, passando pelos muros brancos, os peitoris das janelas, até o terraço, onde uma Vespa vermelha e supersexy estava estacionada em uma calçada de tijolos quebrados.
E então o surto chegou todo de uma vez: puta merda. Eu estava em Vienna.
Dizem que o estresse pode te levar a fazer loucuras. Quer dizer, eu basicamente apaguei total e peguei um voo para fora do país.
Tipo aquela vez que dormi no metrô de Nova York e acordei no Harlem, só que dessa vez em um avião. Não me lembro de ter ido até o portão de embarque internacional; não me lembro do voo; não me lembro de ter pegado um ônibus em Vienna ou de encaixar a chave na fechadura do apartamento ou de ter tirado os sapatos.
Entrei com tudo no banheiro minúsculo, quase destruindo o antigo sistema de aquecimento de água, e me olhei no espelho. Olhos vermelhos. Olheiras escuras abaixo deles.
Olhando para mim mesmo, naquele momento, eu soube: Você foi longe demais desta vez, Regulus.
Apesar da janela pequena, observei o céu escurecer lá fora. Ouvi o barulho das panelas e frigideiras em algum andar abaixo do meu. Escutei sinos tocando. Senti o cheiro de cebola e alho sendo refogados.
Havia algo libertador em estar a milhares de quilômetros de distância dos meus problemas. Não os apagava por completo, mas a distância ajudava. Sempre ajuda.
Decidi que devia aos meus pais pelo menos uma explicação mínima. Então escrevi um e-mail para eles: Mãe e pai, por favor, não me odeiem. Estou lidando com muita coisa agora, mas quero que vocês saibam que estou seguro. Prometo que estou seguro e estou bem. Só precisava me afastar um pouco por alguns dias.
Fechei minha caixa de entrada logo depois de clicar em “enviar”.
Acordei na manhã seguinte com o cheiro de pão fresco e ovos fritos invadindo o ar pela janela aberta. O som de panelas e frigideiras ainda estava lá, mas agora havia pássaros cantando também. E a luz do sol. A gloriosa, gloriosa luz do sol.
Sorri pela primeira vez em dias. E tive meu primeiro pensamento coerente: O que um garoto como eu deve fazer depois de tomar a decisão mais doida de todas, quando sua vida já está no limite? Como voltar ao normal depois de tudo isso?
Sorvete. Mal pisei do lado de fora e encontrei uma sorveteira na rua, para onde eu corri empolgado e pedi uma casquinha com duas bolas: chocolate e morango. O sabor doce e gelado acalmou meus nervos. O chão debaixo dos meus pés parecia firme novamente.
O sorvete derreteu rapidamente enquanto eu passeava pelas ruas de Landstrasse. Havia algo mágico naquele bairro, com suas portas antigas, becos e os jovens sentados em cadeiras plásticas do lado de fora de bares e restaurantes, fumando e tomando café sem nem um pingo de preocupação.
Dei a última mordida na casquinha, limpei os dedos na calça e sorri. Eu gostava de lá.
Encontrei uma livraria e decidi entrar. A loja estava vazia e o ar-condicionado estava ligado. Um homem gritou “hallo” dos fundos da loja; eu gritei “hallo” de volta.
Encontrei a seção de livros em inglês e estava folheando o último romance do John Green quando outra cliente entrou na loja. Ela parecia conhecer o livreiro. Escutei casualmente a conversa dos dois.
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The explosion of everything
RomanceRegulus nunca pensou que faria algo do tipo "desaparecer por um tempo", mas quando o desespero bate a porta e tudo ameaça explodir, é isso que ele faz. Em uma aventura desastrosa, ele descobre mais sobre si mesmo e sobre sua família, além de amizad...
