Você deve pensar que eu sou um louco por me apaixonar por você. Eu era apenas um cara que você nunca notou. E agora aqui estou eu tentando ser honesto comigo mesmo. Com você e com o mundo.
Give love a try, Jonas Brothers
A corrida havia terminado. Lando, com alguns problemas no carro que, embora pequenos, foram prejudiciais, acabou em P9. Ele se queixava para Marjorie, claramente insatisfeito, e ela, que já passara por tantas situações assim com ele, sabia exatamente o que fazer. Só poderia estar ali para ouvi-lo. Quanto mais se envolvia com o mundo da Fórmula 1, mais entendia o quanto os pilotos se entregavam ao que faziam. Lando, com sua autocobrança imensa, muitas vezes sentia que não tinha controle sobre os próprios resultados.
Ele pegou sua água e ficou olhando para frente, sem expressão. Sempre com um sorriso no rosto, Lando tentava ver o lado positivo até nos piores cenários. E aquele dia não seria diferente. O jogo ainda não estava perdido, ele confiava na equipe e sabia que, na próxima corrida em Espanha, estaria mais preparado.
— Vamos, prometo que hoje vai ser rápido — Marjorie falou, com o boné de Lando na mão e o celular na outra. Ela o olhou com um sorriso encorajador. — Explica os problemas que teve e mostra a confiança que sei que tem em você e na sua equipe.
Ele não retrucou, apenas seguiu ao lado dela até a área da imprensa. Marjorie sabia como ajudá-lo a se acalmar, e ele se sentia tranquilo ao tê-la por perto. Sabia que ela não o deixaria se perder em seus pensamentos negativos por muito tempo. Lando se posicionou diante da primeira repórter, sorrindo o melhor sorriso que podia, mas os olhos, esses, entregavam a frustração.
— Lando, o que você pode nos contar sobre a corrida? O carro não estava nas melhores condições, como na qualificação, certo? — perguntou a repórter. Ele sorriu novamente, tentando manter a compostura. No profissional, ele sempre era impecável, mas no pessoal, suas emoções não eram tão fáceis de esconder.
— Se ele está assim, imagina o que estou lidando — Mia, a assessora de Charles Leclerc, comentou com sua colega, observando o piloto. Marjorie soltou um suspiro. Se Norris estava assim, o que dizer de Leclerc, que terminou em P6? — Problema atrás de problema por aqui.
— Eu entendo, Mia — a outra repórter concordou. — Eles se cobram demais. Eu também, no nosso trabalho, fazemos o mesmo. — Ela sorriu, embora soubesse que a pressão ali era diferente.
A cobertura em Mônaco estava terminando. Lando ficaria por mais um ou dois dias, mas Marjorie pegaria o primeiro voo da manhã seguinte. Havia prometido a Enrico que iria com ele visitar seus pais, e ela sempre cumpria suas promessas. Porém, uma sensação estranha se aninhava em seu peito sempre que o assunto era a família dele. Ela tentava não pensar em nada negativo, pois os pais de Enrico sempre a receberam bem, mas algo ainda a incomodava. Mesmo tendo compartilhado isso com o namorado, ele só a fez se sentir como se fosse louca por pensar assim.
— Ei, gatinha — Enrico apareceu, sorrindo ao vê-la. — Já está liberada? — Ele a abraçou, mas ela balançou a cabeça, sinalizando que ainda não. — O que mais precisa fazer por aqui?
— Lando está na última entrevista — ela indicou com a cabeça. Olhou para ele enquanto via Charles e Lando se despedirem da jornalista. Os dois caminharam até ela, e Marjorie sentiu o aperto de Enrico ao redor dela. Ele não conseguiu esconder o ciúme, e isso não passou despercebido por Lando.
— É uma pena que vocês não fiquem mais por Mônaco — Charles comentou, sorrindo. — A gente tinha combinado de dar uma volta pelo mar amanhã cedo, se mudarem de ideia... — Ele parecia hesitante ao lançar a proposta.
— Acho que vamos gostar — Enrico cortou, surpreendendo Marjorie. Ela o encarou, confusa. — Não é, linda? — Ele a beijou na bochecha, e por algum motivo, a reação de Charles foi visível.
— Com certeza, mas combinamos de ver seus pais — ela sorriu, tentando suavizar. — Vamos deixar isso para a próxima vez, o que acha?
— Eles vão entender — Enrico respondeu, com confiança, mas Marjorie sentiu que havia algo estranho no tom dele. Ele sempre reclamava de sair com os pilotos, com a desculpa de que não gostava, mas ela sabia que isso não era verdade. Já o acompanhou em várias festas, com os amigos dele.
— Ok, pombinhos — Lando interrompeu, rindo. — Já que vamos ter a honra de tê-los por aqui, que tal descansarmos e procurarmos algo para fazer à noite? — Ele olhou para Marjorie. — Estou liberado, Mazza?
Ela assentiu, e, em silêncio, observou a cena. Charles ainda estava surpreso com o comportamento de Enrico. Ele se perguntou se realmente combinava com Marjorie. Mentira, ele sabia que não combinava. A forma como Enrico a tratava, sempre com uma distância fria, parecia não se encaixar com a energia que ela transbordava.
— Você entendeu o que foi isso? — Lando perguntou, ao caminhar ao lado de Charles, ainda confuso.
— Se você, que é amigo dela, não entendeu... — Charles respondeu, rindo, enquanto os dois saíam da área de imprensa. — Mas, sinceramente, não seria melhor ela perto de você?
— Com certeza, não confio naquele cara — Charles concordou. Ele não conhecia muito bem Enrico, mas já desconfiava dele. — Mas, sério, o que foi aquilo? — Lando riu. — Você convidou só ela para um passeio no mar, na frente do namorado dela.
— Foi sem querer! — Charles riu, tentando se justificar. — Claro que o convite era para os dois! Mas pelo visto, ele curtiu, não é? — Ele riu de novo.
— Isso, meu amigo, é território — Lando continuou brincando, se divertindo com a situação. — Eu não percebia isso até o Sainz explicar tudo para mim. Mas olha, você é claramente afim dela. Quando isso começou?
— Isso nunca começou, Lando — Charles suspirou, com um sorriso sincero. — Eu a acho linda, mas ela não merece um namorado como aquele. Não converso muito com ela, mas sempre que o faço, ela é super simpática. E Marjorie é importante para vocês, então sempre que posso, a convido.
— Se explicou demais, garanhão — Lando riu, mas logo em seguida, a provocação voltou. — E se tivesse uma chance, o que faria?
— Ah, por favor — Charles retirou a chave do carro, destravando o alarme. — Não ia achar ruim. — Ele deu uma risadinha travessa.
Existiria uma chance? Com o jeito como ela olhava para o namorado? Impossível. Ele sabia disso, mas não podia deixar de pensar que, se fosse possível, talvez as coisas pudessem ser diferentes.
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Talvez, só talvez o nosso monegasco comece a se apaixonar sozinho nesse passeio deles, quem sabe não é? Até a próxima minhas crianças.
