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2. Count on me

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Nós descobrimos do que somos feito. Quando somos chamados para ajudar nossos amigos em necessidade. Você pode contar comigo como um, dois, três e eu estarei lá. E sei que quando eu precisar posso contar com você como quatro, três, dois e você estará lá. Porque é isso que amigos devem fazer. 

Count on me, Bruno Mars

E lá estava Marjorie, com um dos braços apoiados no ombro do amigo, oferecendo o conforto silencioso que ele precisava. Lando tentou, uma única vez, se envolver em um relacionamento que parecia certo no início. Ela o apoiou desde o começo, porque ele estava genuinamente feliz. Mas tudo desabou quando, em uma sexta-feira qualquer, ele apareceu com os olhos vermelhos e lágrimas acumuladas. Ela não disse nada. Apenas o abraçou. Às vezes, era só isso que alguém precisava.

Luísa, apesar de ser uma modelo famosa, não conseguiu lidar com a exposição que o namoro com um piloto causava. A pressão era imensa. Marjorie se lembrava de como foi sufocante para o amigo escrever a publicação anunciando o término. Meses depois, lá estava ela — Luísa — no mesmo restaurante, acompanhada. Como se arrancasse as casquinhas de uma ferida que mal havia cicatrizado.

— Ei, relaxa. Estou aqui com você — disse Marjorie, lançando-lhe um olhar tranquilo. — Vamos até a mesa onde estão nossos amigos. Tudo vai ficar bem.

Ele apenas sorriu e entrelaçou o braço no dela. Sabia que ia ficar tudo bem. Só não esperava por aquilo.

— Cara... — Sainz começou, mas se arrependeu assim que viu o olhar de Lando. O piloto tirava o celular e a carteira do bolso, sentando-se no único lugar vago na mesa. — Como você tirou ela daquele quarto de hotel? — concluiu, agora implicando com Marjorie.

Ela revirou os olhos e cumprimentou os demais antes de se sentar ao lado de George Russell.

— E o seu namorado? — perguntou Russell, com um sorriso enviesado. — Não se juntou aos meros pilotos?

— Vocês fazem perguntas demais — respondeu ela com um sorriso forçado.

Não iria contar que havia discutido com Enrico justamente por estar ali. Para ele, o fato de o piloto número 16 da Ferrari convidá-la já era motivo para desconforto. Charles era apenas educado, gostava da companhia dela e fazia questão de incluí-la quando estavam todos juntos. Claro, ela sabia que Enrico exagerava. Charles era atencioso, sim, mas não havia mais do que isso. Ou pelo menos era o que ela queria acreditar.

— E você, muito nervosinha — provocou George, entregando-lhe o cardápio.

— Emma não veio pra Miami nem está em Monte Carlo — comentou Sainz. — Ela nos esqueceu?

— Sainz e a paixão platônica dele — riu Charles.

— Ela é minha amiga, por gentileza — Marjorie arqueou a sobrancelha, fazendo a mesa inteira rir.

— Ela está finalizando a temporada com o Barcelona. Nas férias deve acompanhar algumas etapas — explicou, pegando o mojito recém-servido. Sorriu ao perceber o olhar de Charles fixo nela. Respirou fundo. Enrico estava mesmo exagerando.

Charles, do outro lado da mesa, mal escondia o encanto. O batom vermelho, o copo de mojito — sua bebida favorita — nas mãos dela. Ele desviou o olhar, desconcertado.

— Você está bem? — Marjorie se voltou para Lando, que mexia mais no celular do que participava da conversa.

— Sim. Mas eu queria beber — respondeu ele.

— Nem pensar. Estou responsável por quatro pilotos nesta mesa — ela riu. — E vou entregar vocês inteiros para a corrida.

— Você fala como se a gente desse trabalho — brincou Carlos.

— E vocês dão. E olha que eu sou assessora de só um — retrucou, rindo.

O celular de Marjorie vibrou sobre a mesa. Ela olhou rapidamente.

Enrico: Estou indo dormir, caso se importe.

Ela guardou o celular sem responder. Qualquer coisa que dissesse só geraria mais atrito.

— Leclerc não erra quando o assunto é restaurante — elogiou Lando. — Você ganha uma mulher pela barriga.

— Pode até ser — comentou Carlos — mas, se não me engano, o Charles nunca trouxe ninguém aqui pra um encontro.

Charles queria se enfiar num buraco. Detestava falar sobre a vida amorosa — principalmente a sua.

— Enche a boca de fettuccine, Carlos — respondeu com um olhar de reprovação. — Você fala demais.

— É o dom dele — completou Marjorie, rindo.

Charles sorriu. Era curioso o quanto a presença dela era confortável. Eles não eram íntimos, mas se entendiam com uma facilidade silenciosa. E, mesmo sem saber explicar, ela o atraía como um ímã. Sempre que os pensamentos fugiam para lugares proibidos, ele se obrigava a voltar: ela namorava. E Enrico claramente não gostava dele — o sentimento era recíproco.

O celular vibrando no bolso o tirou do devaneio. Era George.

George: Para de babar pela minha amiga, por favor?

Charles: Eu não tô babando por ela.

George: Óbvio que está. Ficou encarando por longos segundos.

Charles ignorou e tomou um gole de água.

George: Desde quando você quer ela? Nunca passou pela minha cabeça.

— A conversa de vocês deve estar bem interessante, né? — Marjorie os interrompeu, divertida.

Charles riu. Russell gargalhou. E ficou ali, em silêncio por um instante, analisando. Ele conhecia Charles há anos — e, de repente, fazia todo o sentido. Talvez eles realmente combinassem. E, entre Enrico e Charles, ele sabia exatamente quem faria a amiga feliz.

 E, entre Enrico e Charles, ele sabia exatamente quem faria a amiga feliz

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The 1, CHARLES LECLERCHistórias para pegar e não largar. Descubra agora