Eu nunca tive uma ceia como dita a regra. Nunca tive um faisão, perú ou qualquer outra porra de ave estúpida que eu sempre desejei quando mais novo. Ainda podia lembrar da última noite de natal antes de me mudar, eram oito da noite e mãe me pediu para ir comprar um refrigerante que não tinha comprado. A mão cheia de moedas de 50 e 25 centavos, podia sentir o cheiro de ferrugem empregado na palma da mão suada. Lembro de ver todos da sua em suas calçadas assando as carnes que iriam comer antes da meia noite. Não consigo por em palavras o que senti, mas o maior sentimento no momento era angústia. Todos pareciam tão felizes, enquanto eu e meus pais nós contávamos com as sobras do almoço.
ㅡ ...ou eu arranco essa minhoquinha. ㅡ ouvi meu pai do outro lado do facetime. Eu tinha saído para comprar os refrigerantes, cajuína São Geraldo e Coca-Cola. Pela cara que Tinho fez, não demorei a entender o que estavam conversando.
ㅡ Pai! ㅡ O repreendi, me abaixando para a câmera do celular, encostando meu peso nas costas tensas de Tinho. ㅡ Não é hora de tentar me proteger, ainda mais querendo arrancar minha parte favorita nesse garoto.
ㅡ Eii! ㅡ Reclamou Tinho, me empurrando. Eu cambaleei para trás rindo. Ouvia mãe e pai brigando pela minha falta de educação. ㅡ Não fala assim na frente deles, amor!
ㅡ Amor, é?
ㅡ Idiota.
A satisfação de sair para ir comprar os refrigerantes e mais alguns creme de leite não se tratava de ter condição, apesar de que, aqui entre nós? Era maravilhosamente boa, mas por... Todo sentimento que estava rodeando eu e Tinho nessas últimas horas. Sentia minha bunda arder de tanto que senti o amor de Victor me preeencher. Era um amor tão grande, grosso e pulsante...
ㅡ Amor me ajuda com o pavê?
ㅡ Mas afinal, é pavê ou pacumê? ㅡ Meu pai caiu numa gargalhada tão intensa que acabou engasgando com a própria saliva. Eu mereço. ㅡ Vocês entenderam? É um trocadilho.
ㅡ Tchau pai, tchau mãe, amo vocês.
Desliguei o facetime antes que eles prolongassem ainda mais a chamada, meus créditos que lutem, porque eu só vou renovar o plano ano que vem. Internamente caio na risada, porque querendo ou não era uma piada boba, só faltavam seis dias para o ano novo.
ㅡ Eles gostaram de mim? ㅡ pude sentir a ânsia em seu tom.
ㅡ Sim.
ㅡ E se não for verdade?
Me virei para ele, de onde estava do outro lado da cozinha ampla que mãe fez questão de unir ao meu antigo quarto. Era medo e apreensão, via claramente no rosto do homem dos meus sonhos. Podia tripudiar um pouquinho e atiçar meu lado sado, mas não podia fazer isso com Tinho, ainda mais quando a preocupação era por mim, por nós.
Me aproximei em meio aos utensílios da cozinha e as panelas fervendo nas seis bocas do fogão.
ㅡ Ei relaxa, cara.ㅡ me sentei no colo de Tinho, capturando o queixo dele com meus dedos. ㅡ Você é maravilhoso! Meus pais te adoram desde que éramos amigos, agora que... Estamos juntos, eles vão te mimar ainda mais.
ㅡ Cê acha?
ㅡ Tenho certeza, bobo. ㅡ Toquei a ponta do nariz com o dedo. ㅡ Só não esqueça que sou filho único e tenho ciúmes deles. Acho bom abrir do olho.
ㅡ Prometo querer só o seu mimo. ㅡ Sussurrou, dando beijinhos em meu pescoço. Fiquei inquieto em seu colo, sabendo que eu iria fugir, ele me agarrou pela cintura. ㅡ Tendo essa bunda gostosa só pra mim já é bastante.
ㅡ Espera até provar minha pica nesse seu cuzinho apertado.
Victor Bandeira corou completamente, enquanto eu ria de seu falso moralismo.
Não sei bem como aconteceu, mas em dado momento da tarde, um pouco depois do pingo do mei dia, Tinho decidiu que seria uma boa ideia subir nos coqueiros do fundo do quintal para fazer lua, eu não protestei, até incentivei quando vi que ele estava instigado a tirar a camisa. Enfim, lá se foram duas horas inteirinhas, ele subindo o coqueiro só com um short tactel rasgado e sem camisa. Ele ainda tinha feito uma tenda com lençol para que eu pudesse o assistir, deitado sobre minha adorável espreguiçadeira de pano grosso.
No fim das contas conseguirmos seis litros de água docinha e muito bago de coco. O lua como tudo naquela tarde maravilhosa foi feito pelas mãos adoráveis de Tinho. Eu nem mesmo cheguei a cortar um único coentro.
Assim que a ceia estava completa, procurei por meu rumo até o banheiro para poder me aprontar, mas o belo do Tinho encucou que tinha, de um jeito ou de outro, tomar banho comigo, enfim, foi um inferno na terra pra poder despistar o filho da mãe sedento. Eu tinha criado um monstro e o reflexo disso era meu traseiro ardendo com a brutalidade de seu amor me tocando a noite passada inteira.
Como tinha sido combinado, passaríamos o natal propriamente dito, aqui em casa, e por mais animado que eu tivesse, admito que derramei umas boas lágrimas sob a água do chuveiro do banheiro, pois era o primeiro natal que tinha o mínimo de ânimo possível. Convidei Tatiana e Tinho chamou Lucas, um primo de consideração, longe demais para tentar dizer a ligação, a tiracolo veio Juan, namorado de Tatiana, que para minha surpresa era o mesmo garoto que repetiu duas vezes o oitavo e era o sonho de desejo de meia escola.
Depois de quase uma hora no banheiro, Victor saiu do banho já vestido e com o meu perfume mais caro, eu mereço mesmo. Nem mesmo o banho que ele tomou do meu perfume importado foi capaz de me desviar da beleza infindável daquele homem, do meu amável homem.
ㅡ Tá pronto? ㅡ perguntou Tinho, agarrando minha mão e escorando a cabeça em meu ombro.
ㅡ Sim.
Abri a porta da frente e recepcionei todos que iriam participar do meu Natal mais feliz de todos os tempos... Se Tinho continuasse ao meu lado, seria apenas o primeiro de muitos outros.
f.i.m.
VOCÊ ESTÁ LENDO
Desastre Natalino | COMPLETO
Short StoryBreno Andrelino volta para sua cidade natal em dezembro, para que pudesse descansar um pouco e a fim de rever seus pais nas festas de fim de ano. O que Breno não contava, era que Victor Bandeira, seu primeiro e em muito tempo, único amor também esta...
