Tranças

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Donna

Algumas horas se passaram, eu ainda estava tentando assimilar o que estava acontecendo do outro lado da parede. ° Sei que eles são canibais e assassinos... Mas praticar a sangria? Me parece crueldade demais... ° Pensei enquanto ia para o outro extremo de meu "quarto" esperando o final da tarde, esse era o horário que Thomas mais tinha liberdade de vir me ver. - O que ele fará dessa vez? - Me perguntei enquanto olhava para os meus braços, alguns cascões de feridas que ainda estavam se curando, minha pele estava seca, meu cabelo oleoso, ele estava quase que implorando por seu shampoo e o creme hidratante.

Passos pesados ecoaram no piso à cima, eu já sabia quem viria me visitar, o de sempre. Thomas rapidamente escancarou a porta e entrou, pisoteando o pobre piso de madeira e rapidamente tocando meu rosto, esfregando a bochecha que no outro dia tinha estapeado. - Isso é um pedido de desculpas? - Perguntei enquanto gentilmente segurava sua mão. ° Sei que pareço uma criatura falsa... Mas não quero acabar como a garota da sala ao lado, apesar de ter me entregado, não quero uma morte lenta. ° Encarei Thomas um pouco, vendo-o acenar com a cabeça, olhos apáticos mas com um tom de sinceridade. - Então tudo bem... Está perdoado - Thomas lentamente se sentou no colchão fino e fedorento que eu chamava de cama, rapidamente me colocando em seu colo.

- O que você está fazendo? - Perguntei enquanto sentia o mesmo mexer em meu cabelo, enrolando mechas com os dedos e então as trançando. - Tranças? Você está fazendo tranças? - Minha voz estava calma, eu olhava para a parede que separava meu quarto com a dela, sentindo Thomas trançar minhas madeixas castanhas com delicadeza, algo nada comum para um homem daquele tamanho, e aqui estávamos nós, sentados neste fino colchão com meu captor trançando meu cabelo oleoso enquanto o cheiro ferroso e podre de sangue aumenta a cada segundo.

(...)

Já era noite, eu não conseguia dormir, estava calor, Thomas tinha resolvido dormir aqui, quase não tinha espaço para mim no fino colchão, um pouco do sangue havia escorrido por baixo da parede, formigas se juntaram ao redor da pequena poça. Meu captor dormia profundamente, mas, mantinha um aperto seguro ao redor da minha cintura, uma mão em minha barriga e a outra escondida pelo fino lençol. Thomas é quente, quase como um aquecedor, e enquanto roncava baixinho, eu novamente comecei a bolar um plano. ° Sei que tinha decidido ficar e não lutar... Mas se meu destino for tão cruel como daquela garota, eu prefiro morrer durante a fuga, do que como um porco em frigorífico. ° Suspirei e então me virei, meu peito contra o rosto de Thomas, e enquanto acariciava o cabelo do mesmo, me ocupava pensando.

- Me desculpe Thomas... - Sussurrei baixinho, não sabia o nível da loucura que este homem tinha, mas não iria ficar para descobrir. ° Ainda não... Preciso deixá-lo com a guarda baixa... Escapar do xerife maluco e da Tia Luda. ° As tranças emaranhadas no meu cabelo eram apenas um pequeno lembrete, que em uma hora eu estaria em seu colo, recebendo atenção e carinho, mas na outra poderia estar apanhando ou pior, no gancho.

- -
Oi meu povo, sei que demorei quinhentos anos e alguns meses pra voltar.
(Bloqueios criativos comigo são longos e muito tortuosos)
Eu tentei inovar um pouco na escrita, me avisem se estiver brega ou algo assim.

Vou tentar voltar a postar mais capítulos, obrigada por ler! (E não abandonar, esse circo aqui)

(⁠≧⁠▽⁠≦⁠) Beijinhos

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⏰ Última atualização: Mar 10, 2024 ⏰

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