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Ecos do Desconhecido
O som do despertador ecoou pelo quarto ainda mergulhado em sombras suaves da madrugada. Zaya Elaris estendeu o braço por baixo do edredom pesado, com os olhos semicerrados, tentando inutilmente abafar o alarme insistente.
Era o primeiro dia de aula após as férias e, apesar de tudo parecer normal, havia uma tensão inexplicável no ar. Algo sutil... como se o mundo estivesse segurando o fôlego.
Zaya sentou-se na cama, os cabelos castanhos escorrendo pelos ombros em ondas desfeitas, e esfregou os olhos com força. Havia sonhado de novo. Mas não como antes.
Ela não se lembrava exatamente do que era — apenas flashes. Luzes, sombras, sussurros distantes. Algo como... cores vibrando em choque, como se guerreassem entre si. O coração ainda batia mais rápido que o normal.
Foi só quando uma batida leve soou na porta que ela piscou de volta à realidade.
— Zaya, querida — a voz da avó soou do corredor —, o café está pronto. Não se atrase.
— Já tô indo, vó — respondeu, a voz rouca pelo sono.
Zaya tomou um breve banho e vestiu uma blusa de tricô clara e calça jeans, passando rapidamente uma escova nos cabelos.
Desceu as escadas ao som de conversas abafadas vindas da cozinha. O cheiro de café fresco, torradas e bolo de milho invadiu o ambiente com um calor reconfortante.— Bom dia, dorminhoca — brincou seu pai, dando-lhe um beijo na testa enquanto lia as notícias no tablet.
— Dorminhoca nada, eu só... tive um sonho meio maluco — respondeu ela, sentando-se à mesa.
A mãe, elegante como sempre mesmo em casa, colocou uma fatia de bolo no prato da filha e sorriu. — Outro daqueles sonhos? Está se tornando rotina.
— Eu sei — murmurou Zaya, pegando o garfo. — Mas esse foi diferente. Teve... luzes. Cores. Algo estranho.
O irmão mais novo, Leo, entrou em cena como um furacão, já pronto para o colégio. Um adolescente cheio de energia — Aposto que você viu unicórnios de novo.
— Engraçadinho — ela rebateu, jogando uma migalha na direção dele.
A avó apareceu por fim, com um sorriso doce nos lábios. Os olhos dela, sempre atentos, pareciam saber mais do que diziam.
— Sonhos são portas, Zaya. Só precisamos aprender a escutar o que há do outro lado.
Zaya franziu o cenho. — Você fala como se eles fossem reais.
— Talvez sejam.
O silêncio tomou a mesa por um breve momento.
— Mãe... — começou a mãe de Zaya, com um olhar de leve reprovação. — A senhora prometeu não encher a cabeça dela com essas histórias de novo.
— Eu não encho — respondeu a avó calmamente. — Eu apenas planto sementes.
Zaya engoliu em seco. O clima logo se desfez com uma piada de Léo sobre monstros do armário e o pai contando que algumas árvores haviam caído misteriosamente em um parque da cidade, embora o clima estivesse calmo. Algo que ele achava "bizarro".
Depois do café, Zaya se encontrou com Clary do lado de fora, encostada no carro vermelho que ela mesma dirigia desde o final do ano passado. Estava com um casaco verde-musgo e um sorriso meio torto.
— Pronta pra mais um semestre de teorias genéticas e professores que falam latim pra parecerem mais sábios?
Zaya riu, aliviada por sentir que com Clary tudo parecia mais leve.

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O despertar dos Guardiões
FantastikDurante séculos, lendas contaram sobre os Guardiões do Arco-Íris - seres escolhidos para proteger a Terra de forças que ultrapassam a compreensão humana. Esquecidas pelo tempo, essas histórias se tornaram apenas contos de ninar... até agora. Zaya se...