14 - Julgamento.

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Você acha que todos merecem perdão? Que todos merecem uma Segunda Chance independente de seus atos? Ou existem coisas impedoáveis que nem o melhor dos Deuses conseguiriam esquecer? Ou nenhum erro é perdoável? Eu, particulamente acredito que nem to...

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Você acha que todos merecem perdão? Que todos merecem uma Segunda Chance independente de seus atos? Ou existem coisas impedoáveis que nem o melhor dos Deuses conseguiriam esquecer? Ou nenhum erro é perdoável?
Eu, particulamente acredito que nem todo erro merece perdão, por exemplo, se você comprasse uma pizza e um amigo próximo comesse uma fatia com a desculpa "Estava com muita fome, nem vi o que estava a comer" você entenderia, até por que deixamos a fome falar mais alto as vezes. Agora se esse amigo comesse a pizza inteira já seria mais difícil de perdoar, até por que agora não sobrou nenhum pedaço da pizza que você mesmo comprou. Ou, se ele continuasse comendo uma fatia de sua pizza todos os dias usando a mesma desculpa, também seria difícil de perdoar, até por que ele ja sabe que a pizza provavelmente é sua, e teve bastante tempo para pensar sobre como comer sua pizza é errado.

Você acha que Evie Wheeler errou? Se sim, você acha que o erro dela é perdoável? Ou se não, você acha que ela teve seus motivos que se justificassem?

Era essa pergunta que rodeava a cabeça do Grimes.

Ao sentir o forte cheiro de cigarros vindo da cozinha, Carl vai até o cômodo e se depara com a desagradável surpresa de ver seu pai tragar um cigarro.

- Desde quanto fuma? - Pergunta Carl, sinceramente... decepcionado.

- Não lembro quando comecei - Quando o mundo inteiro começou a ser atacados por zumbies? Quando perdeu sua esposa e seu melhor amigo? Ou quando teve sua autoridade ameaçada por Negan?

- Vamos ficar bem - Ele diz tentando consolar o pai, apesar de suas palavras serem um pouco para si mesmo.

- Simon avisou que viriam hoje a tarde, leve Judith á hilltop, junto á alguns remédios que encontrei para a Maggie - Ele andava para outro lado da cozinha, enchendo um copo com água da torneira.

- Ei, eu prometo que vou resolver tudo, só tenha paciência - Carl fingiu acreditar nas palavras de seu pai, por mais que no fundo ele duvidasse.

- Tome cuidado - Foi a ultima coisa que ele disse, antes de ajustar o chápeu na cabeça de Carl, que um dia, foi seu.

...

Andando pela densa estrada, com uma faca na mão, uma bolsa em seu ombro, e Judith em seu colo, sendo protegida apenas pelo casaco que a cobria, impedindo-a de ser vista. Ele andava, atendo a qualquer mínimo movimento que via, ele mataria qualquer coisa que ameaçasse a vida de sua irmã. Ele não tinha mais medo dos mortos, ele tinha medo dos vivos, por mais que negasse.

Com muita insistência ele conseguiu adentrar os portões de hilltop, perguntando por Maggie, ele é guiado até uma casa. Bate a porta, logo em seguida vendo uma figura conhecida, com um enorme sorriso Maggie o recebe, junto a Judith.

- Veio sozinho? - Ela pergunta a ele, pegando sua pequena irmã no colo, convidando-os a entrar.

- Os Salvadores vão a Alexandria hoje... 'pra evitar estresse meu pai achou que seria melhor se estivessimos aqui, no caso, longe deles - Ele coloca a bolsa em cima da mesa, tirando os remédios que seu pai havia mandado.

- O que é isso? - Pegunta ela, se sentando em uma cadeira com Judith em seu colo.

- Meu pai achou que precisaria que alguns remédios - Diz ele com uma cartela de comprimidos nas mãos.

- Ótimo, agora não sei o que fazer com tanto remédio - Ela brincava com Judith em seu colo, Carl achou que devia ser algo como instinto materno, já que ela estava grávida.

- Onde conseguiu isso? Foi Gregory quem lhe deu? - Ele analizava as caixas lacradas de remédios no armário.

- Claro... aquele cara nem me quer aqui - Ela diz de maneira sarcástica.

- Então, quem foi?

- Uma garota, ela bateu na porta querendo conversar comigo, me entregou isso e algumas fraldas - Ela dizia indiferente, Carl imediatamente se vira, com um mal pressentimento.

- Garota? Que garota? Conhecia ela? - Normalmente ele não faria esse tipo de interrogatório, mas a ideia Maggie grávida sozinha em uma comunidade atendendo estranhos não o agradou.

- Nunca havia a visto na comunidade, estava desarmada então a deixei entrar - Carl ainda sentia que Maggie escondia alguma coisa.

- Ela disse de onde era? - Maggie suspirou, como se pedisse aos céus que Carl não surtasse quando ela liberasse tal informação.

- Disse que era um dos Salvadores, e que se chamava...

- Evie - As peças do que pareciam ser um quebra-cabeça se juntaram na mente de Carl, ele apenas ligou os óbvios pontos e não demorou muito para perceber que Evie Wheeler esteve alí.

- Deixou ela entrar? Tem noção do que poderia ter acontecido? Ela poderia ter te matado!

- Você quer se acalmar?! - Foi a vez Maggie levantar o tom de sua voz que Carl percebeu que estava gritando, o arrependimento instantâneo não fez a raiva diminuir.

- Me desculpa, é só que... não pode confiar nela, em nenhum deles - Ele continuava dizendo, em um tom mais baixo.

- Bom, eu estou viva, não estou? - Ela se levanta com Judith em seu colo, indo até a pia, enchendo um copo d'água para beber.

- Você não a conhece - Carl e Daryl gostavam de contar histórias sobre a "garota do acampamento" até o ponto em que Carl começou a odiar falar sobre passado.

- E você conhece? - Carl havia esquecido a maneira como Maggie conseguia ser firme e intimidadora, o que as vezes o irritava, mas porque ela estava certa, ele não a conhecia, não mais.

- Eu achei que de todos, você é quem os odiaria mais

- Eu odeio. Odeio aquele que matou meu marido e o Abraham, odeio aquele que apavora Rick, odeio o culpado de tudo isso. Mas não odeio uma garota que não sei o motivo de estar do lado em que está, não odeio a garota que me pediu desculpa pelo o que os Salvadores fizeram, tentou me ajudar e demonstra sentir muito pelo o que aconteceu - Receber as palavras de Maggie foi como receber um balde de água fria. Ou, um balde de razão.

Maggie falou em voz alta a possibilidade que Carl negava a si mesmo, a possibilidade de Evie ser uma vítima. A maneira como ela parecia infeliz ao lado deles, a maneira como ela parecia sentir muito pelos acontecimentos recentes, como ela nunca os machucou, ou como a garota que ele havia conhecido á anos atrás era tão boa e tinha as melhores das intenções.

Carl se sentiu estúpido, estúpido por nunca te-la ouvido, por nunca ter deixado ela se explicar, por ter direcionado seu ódio a pessoa errada, e por culpa-lá por uma situação que talvez ela não tivesse controle. Ele realmente acreditou que todas as dezenas de pessoas que trabalhavam com o Negan eram ruins? Que todas eram assasinos cruéis igual a ele? Que todas escolheram estar lá? Até por que, ele ja havia presenciado o que acontecia com aqueles que vão contra ao Negan.

Longos minutos de silêncio, que mais pareciam horas se passavam, momentos esses em que Carl apenas encarava o chão, com dúvidas e possibilidades rodeando sua cabeça.

Talvez Evie merecesse uma Segunda Chance.




Segunda Chance - Carl GrimesHistórias para pegar e não largar. Descubra agora