VII.

7 1 0
                                    

"O absinto é o afrodisíaco do ego. A fada que nele existe, quer sua alma." –Bram Stoker, Drácula, 1897

Uma manhã divergente de qualquer outra no castelo real de Ravena. Com uma maçã vermelha em sua canhota, e um livro em sua destra, Berta caminhava pelo palácio. Sentia-se bem. A áurea do ambiente estava diferente. Todos se sentiam mais confiantes, e leves. Graças a magia de dentro do cerne da princesa.

O dia da coroação de Beomgyu estava cada vez mais próximo. E as coisas no reino estavam ficando cada vez mais estranhas e complexas. O rei não parava de assassinar mulheres inocentes, o tal do Choi Soobin havia desaparecido; se tornara apenas uma lenda na cabeça de Beomgyu, Huening Kai e Berta. Era um fantasma. A igreja dizia nunca ter visto um homem com aquelas características, e nem com aquele homem. Foi em vão a tentativa de Beomgyu denunciar o jovem rapaz.

—Eu via ele bastante na floresta, Gyu.

—O que você fazia na floresta sozinha?

—Só andava e pensava.— mentiu

—Não quero ir a floresta a noite para procurar um homem sombrio e deveras esquisito.

Os irmãos deitaram-se para dormir. Estavam quase em transe pelo sono quando a porta do quarto fora aberta bruscamente e uma pessoa adentrou. Os gêmeos não reconheceram de cara quem era, até que esse abriu a boca para falar.

—Me ajudem, por favor! Eu não quero me casar com você, Berta. E nem me tornar rei da Escócia.—era Taehyun

—O que você bebeu, Taehyun?—perguntara Beomgyu desacreditado no que estava acontecendo

Taehyun fechou a porta atrás de si, e se encaminhou para cama de Ginevra, sentando na beira da mesma.

—Nunca quis me casar com você, Bett. Nunca quis nada daquilo. Me perdoem se fui estúpido e tolo com vocês. Me obrigaram àquilo.—disse em tom baixo e choroso

Beomgyu e Berta se entreolharam e aceitaram o pedido de perdão de Taehyun. Os três começaram a conversar e confidenciar assuntos. Se tornaram família. Em meio a conversa, ouviram um barulho divergente do habitual. Parecia um uivo de um lobo, entretanto bem mais alto que um lobo comum. Era mais aterrorizante também esse uivo. Os meninos ficaram extremamente espantados. A porta do quarto fora aberta novamente, e os três se assustaram novamente. Era Kai se juntando. Com medo do barulho estranho.

—Vocês também ouviram isso?— perguntou Kai

—Sim.

—Não parece um lobo normal.—comentou Berta

—Deve ser um idiota fazendo graça. Lá na Escócia há muito disso.— disse Taehyun com tédio

—Foi muito alto para ser um ser humano normal como nós.— refletiu Beomgyu

—Será que além de vampiros, aqui vai ter lobisomens também?— disse Berta zombeteira, e todos caíram em gargalhadas

—Vamos lá descobrir!— sugeriu Huening

—Ficou maluco?— questionou Berta

—Vamos.— Beomgyu e Taehyun disseram ao mesmo tempo

—Ótimo! Tivemos mais votos para sim. Então vamos.—respondeu Kai

Os quatro garotos saíram do castelo escondidos e em silêncio, e foram em direção a floresta. Correndo, livres, entre risadas e brandos. Adentraram o coração da floresta e não havia nada. Sentaram próximos a um pinheiro. Colheram maçãs e ficaram ali sentados rindo, brincando e conversando. A juventude nos faz agir dessa maneira. Como se não houvesse o amanhã. E a coação nos faz agir com rebeldia, nos dando a liberdade.

The Sea Of Roses and BloodOnde histórias criam vida. Descubra agora