OLÍVIA.
Eu não conseguia parar de olhar para aquele anel… Não conseguia deixar de admirar. Três dias haviam se passado desde o jantar, e ele ainda estava ali, intacto, reluzente no meu dedo. Eu devia ter tirado, guardado em uma caixa, esquecido. Mas não consegui.
Era bonito demais para ignorar. Delicado, elegante… parecia até que ele combinava comigo. Só de pensar nisso, senti o estômago embrulhar.
As imagens daquela noite se repetiam na minha mente como um castigo. O jeito que ele me olhou… aquela maldita forma de me tocar, me desconcertou de um jeito que não estava preparada.
Ele mal falou comigo na primeira vez que nos vimos, e depois… depois ele simplesmente tomou conta da situação. Beijou minha mão como se eu já fosse dele, tocou em mim sem a menor cerimônia, aproximou nossos rostos, invadiu meu espaço. E o olhar dele… aquele olhar sobre meus lábios, como se pudesse devorá-los, não saía da minha cabeça. Era cruel o suficiente para mexer comigo, mesmo quando eu não queria.
E quando me pegou no colo… meu coração quase saiu pela boca. Os braços dele, fortes, firmes ao redor da minha cintura, deixaram claro o quanto ele tinha controle — não só da situação, mas de mim. Fechei os olhos, mas ainda podia sentir o toque dele, nada sutil, nada leve. Era firme, possessivo, invasivo.
Suspirei, abrindo os olhos novamente, olhando para o anel. Ele brilhava sob a luz suave do quarto. Meu coração acelerou só de lembrar dele. E eu não queria isso. Não podia querer.
Todo esse assunto de casamento, herança, filhos… me embrulhava o estômago. Como vou… como eu poderia… me entregar a um homem que sequer me conhece? Que claramente não me ama? Não fiz isso nem quando me apaixonei de verdade, não faria agora, num casamento arranjado.
Mas ele… Cristian tinha um sorriso bonito. A risada dele, apesar de carregada de sarcasmo, era gostosa de ouvir. Só que tudo nele gritava perigo. A maldade estava estampada em cada gesto, em cada palavra calculada. E, mesmo assim, eu sentia a pele arrepiar.
Por isso, me joguei no trabalho nos últimos dias, tentando encontrar uma solução que não envolvesse casamento forçado. A empresa precisava ser salva, mas existia outro caminho, eu tinha certeza. Ou pelo menos, queria acreditar nisso.
Mas hoje… Hoje eu precisava de um respiro.
Almocei com as meninas em um restaurante do centro, tentando focar nos assuntos aleatórios, mesmo com o peso do que tinha para contar.
— Então… é com ele que você vai casar? — Mandy olhava fixamente para a tela do meu celular, onde a foto de Cristian estampava a rede social.
— Sim… — respondi, sem ânimo.
— Amiga, ele é lindo! Qual é o problema? — Lily soltou, encantada, mas levou um tapa leve de Mandy.
— O que adianta beleza se for um psicopata? — rebateu Mandy.
— Ele é — disse, passando a mão pelo rosto, frustrada. — Eu não quero esse casamento. É só um acordo para salvar a empresa, e pior… tem essa cláusula absurda sobre filhos. Se eu não tiver filhos com ele, o acordo quebra, e… — Travei, sentindo a raiva crescer.
— Isso soa tão criminoso… — Mandy me olhou preocupada.
— Não é essa a família que tem aqueles rumores? Tráfico, armas, coisas assim? — Lily sussurrou, curiosa.
— São só rumores. Nunca provaram nada, mas sabemos como o submundo funciona… — Mandy concluiu, encarando a taça de vinho.
— E minha mãe… ela não está preocupada comigo. Só pensa em status, em salvar a empresa. Não importa como vou viver ao lado de alguém assim. — Cruzei os braços, exausta.
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Promessa Perigosa
RandomOlívia, herdeira de uma empresa em crise, é forçada a casar-se com Cristian, um homem enigmático com conexões obscuras. A pedido de sua mãe, ela sacrifica sua liberdade para honrar a memória do pai. No entanto, Cristian esconde segredos sombrios e s...
