CRISTIAN
Os dias se arrastavam como um tormento contínuo, e meu humor seguia o mesmo padrão: instável, destrutivo, beirando o insuportável. A pior traição é sempre aquela que nasce dentro de casa. Aquela que vem de quem conhece suas fraquezas, seus limites, quem já te olhou nos olhos e compartilhou segredos. Edgar sabia onde atacar... e isso me consumia.
Faz três dias que não volto pra casa. Vivo no galpão principal da equipe, afogado em papéis, rastreamentos e planos para caçar esse desgraçado. Dormir? Nem lembro o que é isso. Comer? Só o necessário pra continuar respirando. Medicamentos? Abandonados como sempre, junto com a parte sã da minha cabeça.
O copo que eu segurava ameaçava estourar na minha mão quando Lucian entrou na sala, encarando o desastre que eu me tornei.
— Você tá um caco — comentou, fechando a porta atrás de si, o olhar pesado, mas sem surpresa.
— E você já viu a merda que virou isso aqui? — explodi, sem paciência, e o som seco do vidro quebrando se misturou ao ambiente.
Senti o sangue quente escorrer pela palma, mas pouco me importava. Lucian ignorou o gesto, se aproximou sem hesitar. Era o único que ainda tinha essa ousadia. Sabia como lidar comigo, ou pelo menos fingia que sabia.
— Vai pra casa, Cristian. Banho, roupa limpa, descanso. Você sabe onde essa crise vai parar se continuar desse jeito.
— Eu sei onde vai parar, e sinceramente? Tô pouco me fodendo — respondi, erguendo o olhar, o sangue pingando no chão.
Lucian era o único da equipe com coragem suficiente pra me confrontar. O único que estava comigo desde o início, há dez anos. Mas hoje? Hoje até ele devia manter distância.
— Tem o jantar de noivado hoje. Vai ou vai continuar fingindo que consegue escapar disso? — Ele cruzou os braços, firme.
— Meus pais e aquela velha da Victoria podem resolver o que quiserem. Esse casamento é negócio, nada além disso.
— Mas quem vai dormir do lado dela é você — retrucou, sarcástico. — Até agora só se viram duas vezes. Tá planejando conhecer tua noiva só no altar?
A imagem dela invadiu minha cabeça. Olívia. A última vez que a vi foi naquela maldita festa. Tão frágil e assustada quanto irritante. E, ao mesmo tempo, provocante do jeito mais involuntário possível.
— Eu não quero conviver com ela, você sabe o motivo — falei, cerrando o punho ferido, o sangue insistindo em marcar o chão.
— E mesmo assim armou tudo. Aceitou casar. Não sei quem tá mais desequilibrado nessa história — ele riu, sabendo o quanto isso me atingia.
Peguei o vaso na mesa e atirei contra ele, e ele desviou rindo. O estilhaço da cerâmica refletiu exatamente o que eu sentia por dentro.
— Some daqui, Lucian — rosnei, a respiração descompassada.
Ele se afastou, mas antes de sair, soltou o aviso:
— Vai pra casa, toma os remédios, tenta parecer funcional hoje à noite. Os pais de Olívia ligaram, o jantar é oficial. Ou você cuida disso, ou vai ser uma noite bem longa.
Ele saiu, e eu fiquei. Com o peito queimando de raiva e a cabeça latejando. Fingir estabilidade... ótimo. Mais um papel pra coleção.
[...]
Horas depois, em casa, encarei o próprio reflexo no espelho após o banho. Os traços cansados, a expressão de alguém que não dorme — E dormiu bem pouco, não come direito, e está à beira de outro colapso. O rosto ainda lembrava o dele... Cillian.
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Promessa Perigosa | Está Sendo Reescrita ⚠️
RomanceOlívia, herdeira de uma empresa em crise, é forçada a casar-se com Cristian, um homem enigmático com conexões obscuras. A pedido de sua mãe, ela sacrifica sua liberdade para honrar a memória do pai. No entanto, Cristian esconde segredos sombrios e s...
